Sistemas emergentes não são intrinsecamente melhores que os top-down
Percebo que acontecem aproximações simplistas como, por exemplo, entre open source e socialismo. Tem aspectos do open source que podem ser profundamente liberais e individualistas. Fala-se em meritocracia mas isso pode ser lido como a sobrevivência do mais forte. Quanto mais o sujeito se entrega ao trabalho, mais oportunidades ele tem.
Mas estou apontando para o outro lado dessa moeda para falar sobre outra questão que, na minha opinião, costuma ser tratada com essa mesma superficialidade. Sinto que a idéia de sistemas emergentes - bottom up - também é percebida como uma espécie de evolução do sistema com controle central chamados de top-down. Segue abaixo um fragmento da entrevista do Steven Johnson falando sobre as vantagens de um e outro.
Eu percebo ambos como estratégias, sem vantagem em de uma sobre a outra, e sem valor moral. Uma ganha da outra dependendo da circunstância, do contexto. Não acho que o emergente é mais democrático, mesmo porque os indivíduos nos sistemas emergentes não têm consciência da estrutura superior que surge a partir de sua interação.
Na entrevista do Steven Johnson para o Roda Viva, o Ronaldo Lemos perguntou em quais aspectos uma estratégia era superior à outra. E gostei muito da resposta. Foi algo assim: organismos descentralizados são bons para reunir informação, mas têm dificuldade para ter insights. O sistema operacional Linux é super estável, os melhores apromoramentos feitos pela comunidade acabam reunidos para tornar o processamento eficiente. Mas em termos de evolução de interface, por exemplo, o Linux é lentíssimo. "O que o Steven Jobs faz em um final de semana, a comunidade do Linux demora anos para criar," ele brincou.
Aqui vai o fragmento da entrevista com a resposta completa dele. Obrigado à FPA e à Bel Colucci por terem compartilhado o material. ;-)



Comments
Juliano,
Não acho que a questão da meritocracia seja de modo algum a preponderância do mais forte, mas sim está em questão a valorização do mérito.
Assim, na barbárie, um fortalhão pode pisar na cabeça de uma criancinha pra lhe arrancar a comida. Num esquema de valorização do mérito, a criancinha deverá ter o acesso à refeição protegido do que só lhe faria jus pela força bruta.
Do mesmo modo, na sua comparação com o socialismo (encarando tal conceito como a preponderância do mérito social, e não necessariamente os regimes que adotaram tal conceito), devemos entender que mérito social é procurar dar oportunidades iguais a que as pessoas sejam diferentes - bem longe, portanto, da idéia simplista de todos serem igualizados.
Abração,
Carlos
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