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Cinese - ensine o que você sabe (e ganhe dinheiro com isso)

No começo deste ano eu recebi um convite para montar um curso de dois meses sobre etnografia para ambientes online para uma universidade aqui de São Paulo, mas depois que a proposta estava elaborada percebemos - eu e eles - que não ia dar tempo para o curso passar pelas etapas de aprovação no curto prazo. Resultado: o projeto foi para a gaveta.

Nessa época eu cheguei a considerar a possibilidade de realizar o curso de forma independente. Mas no final das contas achei que isso exigiria muito esforço ao mesmo tempo em que eu não tinha clareza do interesse que o curso geraria. Me lembrei dessa história conversando recentemente sobre o projeto Cinese. É bem possível que, se esse serviço existisse antes, o curso teria tido uma oportunidade maior de sair do papel.

Vamos imaginar quantas coisas existem por ai que atraem o nosso interesse e que a gente tem que aprender por conta própria porque não existem escolas para isso. Demora um tempo até uma determinada prática ser difundida a ponto de motivar instituições de ensino a abrirem espaço para aquele conteúdo. É que, por enquanto, a ideia de ensinar alguma coisa formalmente está muito amarrada à existência de escolas.

O Cinese oferece uma alternativa para juntar quem quer ensinar e o público interessado em aprender. Digamos que o Babe Terror resolva complementar a renda dele oferecendo um curso sobre criação musical usando a técnica que ele vem desenvolvendo. Ele pode formatar a proposta, publicar no Cinese e distribuir isso dentro da rede em que ele atua e que é constituída por pessoas interessadas no que ele faz. Se a proposta for conveniente para o público, o site intermedia o pagamento e a experiência rolará independentemente do envolvimento de uma instituição de ensino.

Acho essa perspectiva incrível por algumas razões. Primeiro, porque o serviço do Cinese responde a um problema prático. Uma determinada prática pode ser estimulada ao oferecer meios para o dono desse conhecimento comercializar seu know-how. Em outras palavras: o Cinese facilita que o hobby de algumas pessoas, aquilo que elas fazem por amor, se torne uma forma dessa pessoa se manter e, assim, se dedicar mais a esse assunto. E isso vale especialmente para práticas menos populares - tipo ensino de hieroglifo - ou novas, que venham sendo praticadas há relativamente pouco tempo, como aquilo que o Babe Terror faz.

Também me fascinou o contraponto que o Cinese faz à ideia predominante de como a internet pode contribuir com a educação e com a distribuição do conhecimento. A gente normalmente ouve falar de Ensino à Distância (EaD) ou da oferta de recursos em vídeo de disciplinas acadêmicas. Nesse caso, a rede digital favorece as oportunidades de ensino presencial fundado na prática, na experiência direta com um determinado tema e com as pessoas envolvidas com esse tema.

Falo disso e fico pensando, por exemplo, no meu cunhado que é astronomo e que é "forçado" a sobreviver, enquanto faz seu doutoramento, com bolsas que pagam pouco ou dando aulas de matemática e física em universidades privadas. Quantas pessoas em São Paulo não gostariam de ter uma "iniciação à astronomia", por exemplo, e pagariam por isso na medida em que - eu suponho - existem poucas escolas que oferecem cursos de astronomia para leigos? Para mim, todos serão mais felizes com essa possibilidade: ele, capaz de organizar melhor seu tempo e ganhar dinheiro fazendo o que gosta, e o público, tendo a oportunidade de aprender sobre astronomia sem precisar fazer vestibular e entrar na USP.

Você pode apontar que a USP ou outra instituição de ensino tem o "notório saber" e que pelo Cinese qualquer um pode dar uma de sabido e começar a ensinar astronomia. Essa é uma discussão longa e que tem ecos, por exemplo, no debate sobre a relevância do conteúdo da Wikipédia, conteúdo este que também é produzido em parte por "amadores". Mas há uma diferença, me parece, no caso do Cinese: é que a pessoa que se oferece para ensinar precisa ser convincente para atrair aprendizes e uma das maneiras de fazer isso é mostrando suas credenciais, inclusive as acadêmicas.

Enfim, esse texto já está muito maior do que eu gostaria. Existem mais coisas que eu poderia dizer sobre a experiência, mas fico por aqui. Podemos seguir a conversa na área de comentários. Só faltou completar a informação dizendo que o serviço, por enquanto, está aberto apenas para oferta de cursos gratuitos e isso faz parte da estratégia de lançamento, que visa tornar a proposta conhecida e trazer massa crítica para o site. Mas logo - não sei bem quando, vou perguntar - a possibilidade de pagamento estará disponível e funcionará via Pay Pall. Por que apenas Pay Pall? É que assim quem paga tem a garantia de receber o dinheiro de volta se aquilo que for oferecido não for entregue. Ou seja, é mais uma maneira de garantir o retorno para quem quiser participar.

PS - Depois de terminar esse post, "viajei" um pouco mais longe nas possibilidades de trabalho para mestres e doutores que hoje dão aula em escolas comuns ou universidades e que podem expandir seu cardápio de entregas com cursos tipo: "mitologia clássica e o universo de Tolken". Coisas que existem hoje em ambientes restritos como a Casa do Saber, mas que pelo Cinese podem alcançar outros públicos.

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Eleições e internet: lições de 2010 e desafios de 2012

O Bito Teles, amigo querido da época da Talk, me pediu um depoimento sobre eleições e internet e, especificamente, para eu falar sobre lições da eleição de 2010 e desafios deste ano, que temos as disputas municipais.

Escolhi refletir sobre o problema que é, para a internet, termos que nos enquadrar no modelo de comunicação que separa "falar" e "ouvir" e, em seguida, defendo a importância de a indústria da internet superar o preconceito pelo usuário das classes CDE, conforme argumento neste post recente.

Aliás, acho que a segunda parte do problema proposto está desenvolvido, mas a primeira ainda não. Veja: se a internet é caracterizada por ser uma plataforma para conversas grupais, qual é a consequência de colocá-la junto com as equipes que praticam a comunicação tradicional?

Eu vejo uma conformação que divide a internet e impõe a esse canal que ele só fale a não dialogue.

As equipes de internet nas campanhas fazem isso: ficam junto com equipes de jornalistas e o resultado é que há uma ênfase em gerar informação enquanto despreza-se a outra perna da comunicação dialógica que é escutar.

O que estou querendo dizer aqui é muito simples: colocar a equipe de internet junto com outros jornalistas denuncia a maneira como a internet é vista. Está-se impondo a quem é contratado para realizar esse pedaço do trabalho que el@ foque sua atenção em falar e reduza sua atenção para o aspecto da troca, da interação.

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Orkutizando Obama: que tal olhar pro nosso usuário?

Vivi de dentro campanhas eleitorais em 2008 (Kassab) e 2010 (Marina). E a pergunta continua no ar: quando a internet vai desafiar a lógica do dinheiro nas disputas pelo voto? Quando a mensagem do candidato associada ao poder de auto-organização da rede vai mudar o resultado de uma eleição majoritária no Brasil?

A minha hipótese é que isso ainda não aconteceu porque a internet se tornou um espaço de disputa entre as classes AB, que controlam a indústria, e os emergentes, que são a maioria e vêem a internet como grande aliada em seu processo de ascensão social. Agências e grandes produtores de conteúdo têm como Meca o Vale do Silício e tendem a desprezar e se envergonham da maneira como o Novo Usuário da Internet do Brasil (NUIB*) se comporta.

O problema disso é que são 70 milhões de NUIBs só na classe C contra 18 milhões dos usuários no segmento AB. Ou seja, enquanto esse eleitorado é mantido à distância (como uma espécie de "usuário de segunda categoria"), o candidato continuará precisando de dinheiro para fazer suas campanhas usando as chamadas "mídias clássicas", cuja industria está amadurecida para atender todos os segmentos de público.

Na última sexta fiz uma apresentação no Social Media Brasil, aqui em São Paulo, explicando por que prestar atenção nos usuários emergentes e fazendo algumas recomendações aos candidatos que queiram usar a internet como um canal mais eficiente para ativar seu eleitorado. O vídeo abaixo traz a "versão pocket" dessa palestra. Ou veja apenas os slides.

* O termo é meu, para facilitar a referência a este conjunto; baseado no já aceito "Nova Classe Média Brasileira".

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Por que os grevistas da polícia não têm voz nos notíciários? Uma nova Revolta da Chibata?

Em 1910, marinheiros que eram tratados como escravos pelos oficiais se rebelaram, tomaram conta de navios de guerra e apontaram as armas para o Rio de Janeiro, então capital do país. Encurralado, o governo aceitou assinar um acordo de rendição, mas, tão logo os insurgentes se entregaram, foram traídos e receberam punições crueis. "Para mostrar quem manda nesta porra!" O evento ficou conhecido como a Revolta da Chibata porque queria-se o fim da punição usando esse tipo de chicote.

Hoje esses insurgentes, especialmente seu lider, são cantados em verso e prosa, aparecem como herois lutando por uma causa justa nos livros de história. Ironicamente, essa revolta vira-e-mexe vira tema de desfile de escola de samba. Digo "ironicamente" porque estamos acompanhando o que parece ser uma nova revolta da chibata: governo e conglometados de mídia calando a voz de grevistas que, como recurso de negociação, estão ameaçando cancelar o carnaval no Rio e na Bahia.

Os líderes são presos em presídios de segurança máxima e a sociedade é manipulada para se indispor contra o movimento. A posição dos grevistas não aparece diretamente. Na reportagem de hoje do Jornal Hoje só quem fala são os políticos e aqueles contrários à greve. A mensagem é: o movimento acabou, a polícia está nas ruas, a greve é ilegal, os líderes são vândalos e o Exército está ponto para agir. Só quem fala é o governo, não há outro lado.

Mas o outro lado resiste. Se a notícia oficial é de desmobilização, o movimento revive no Rio. Qual jornal noticiou que isso estava para acontecer? E qual é o ânimo das corporações nos outros estados do país? Há um grande silêncio, todos com medo de que a greve se alastre mais.A notícia de ontem era: câmara carioca vota aumento parcelado em regime de urgência, mas - a minha dúvida - por que a pressa? Silêncio. De manhã, jornais noticiam a mobilização pública da categoria à noite decidindo em favor da greve.

O outro lado aparece apenas em escutas telefônicas editadas para conter apenas partes específicas de conversas. (O audio chega para quem? Para o Jornal Nacional...) O outro lado aparece também dentro de pequenas notas técnicas e desinteressantes: os grevistas querem isso, querem aquilo. PEC 300 para cá, reajuste parcelado para lá. Quantos espectadores entendem isso? O que quer dizer? Qual é a diferença entre o que eles pedem e o que é oferecido? E onde está o calor do grevista e da família do grevista tocando a sociedade com a força de sua raiva, de sua indignação?

Dá a impressão clara de ser uma operação abafa que tem por objetivo salvar o carnaval. Não o espírito carnavalesco, mas os contratos de anúncios relacionados aos desfiles. Se não houver público, se os turistas cancelarem suas viagens, vão mostrar as arquibancadas das passarelas vazias? Se as escolas não desfilarem ou desfilarem incompletas, vão ter que devolver o dinheiro dos anunciantes? Qual é o prejuízo para a imagem do país que está para sediar Copa e Olimpíada nos próximos seis anos?

É interessante ainda que não apareça nas reportagens a opinião pública. E eu suspeito que seja porque a sociedade está, apesar do silenciamento dos grevistas, resistindo a comprar a ideia de que os políciais estejam errados. Onde está o instituto de pesquisa colhendo o ponto de vista da sociedade? Onde está essa informação nos noticiários? Apesar de acharem errada a estratégia dos grevistas, tenho a impressão de que a maioria dos brasileiros simpatiza pela causa dos policiais e bombeiros.

Um taxista resumiu assim a sua percepção dessa história: "os deputados não fazem greve porque eles mesmos se dão aumentos..." O policial não pode se dar aumento nem pressionar o poder público quando a via da negociação não funciona.

Fiquei me lembrando da música dos Titãs. O refrão pergunta: polícia, para que precisa? Aparentemente precisamos muito, mas, se precisamos, por que não dar melhores condições. Agora os papéis se inverteram: são eles que estão em posição de fragilidade frente a esses interesses de poderosos e é a vez de a sociedade se manifestar para proteger os manifestantes e defender o direito de se ter mais paz e segurança no país.

P.S. Os jornais ficam anunciando o número de mortes e crimes na Bahia desde o início da greve. É para, subliminarmente, colocar a sociedade contra os grevistas?

P.S.2 Eu tenho família morando na Bahia e eles estão surpresos com o peso das tintas usadas para pintar a situação no estado. Parece que na TV o problema é muito maior do que nas ruas. É o espetáculo da notícia ou outro indício de manipulação da opinião pública.

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Twitter + Ficha Limpa = ?

Acompanhei via internet ontem e hoje madrugada a dentro, junto com muitas outras pessoas, o debate dos ministros do Supremo sobre o Ficha Limpa - artigo na Wikipedia e site oficial. Não me lembro de ter visto outro caso parecido na história da internet no Brasil: graças ao Twitter, a audiência sabia de si mesma. O tuiteiro e Professor de Direito Penal da UFMG, Tulio Vianna, postou, entre suas muitas mensagens, que "Nunca antes na história deste país tanta gente assistiu a um julgamento do STF. Democrático pra caramba a galera dando seu pitaco jurídico."

O que aconteceu ontem de extraordinário para a Internet -na minha modesta opinião - foi um acontecimento apresentado pelo @cshirky no Here Comes Everybody. Ele fala do contexto que propicia ou facilita ou favorece as insurgências sociais. Uma coisa é eu saber que estou insatisfeito com a corrupção, outra é quando eu sei que os outros se sentem da mesma forma. E outra - e é aí que a situação se transforma - é quando "eu sei que você sabe que eu sei", ou seja, quando existe uma consciência coletiva de que todos pensam da mesma forma, o que nos estimula a agir confiando na proteção do coletivo.

Sabe quando o professor ou o técnico de futebol perde o respeito da turma ou da equipe? As pessoas, mesmo sendo individualmente menos poderosas, passam a funcionar coletivamente, mesmo sem a necessidade de discutir ou organizar acordos ou procedimentos. Elas funcionam como grupo, agem coletivamente. É isso, segundo o Shirky, que produziu o efeito em cadeia que levou à queda do Muro de Berlim.

Foi isso o que eu experimentei ontem de uma forma sem precendentes. Centenas, talvez milhares de pessoas, oferecendo voluntariamente seu tempo de sono na madrugada para assistir o desdobramento da votação do Ficha Limpa no Supremo. E eu sei que eram muitas pessoas porque me lembro de ter visto que, dos dez temas destacados no Trending Topics, a metade ou algo próximo disso dizia respeito ao evento. E as pessoas não estavam apenas falando, elas conversavam. Acompanhar o que os ministros falavam era literalmente tão instrutivo ou mais do que assistir a transmissão pela TV ou rádio. Havia uma mistura muito densa e rica de informação e opinião, descrição e análise. E isso continuou até o fim da sessão, quase às 2 da manhã.

É isso que já se nota acontecendo em conferências quando o público, antes "condenado" ao silêncio da audiência, passa a ter um meio de se expressar e medir a temperatura e as intenções de seus vizinhos. Este é foi um caso clássico. Foi a primeira vez que eu senti isso acontecendo motivado por um tema de interesse coletivo - a outra vez que eu vi no Brasil uma mobilização parecida a ignição foi o último apagão.

Até onde eu entendi, a expectativa é que a sessão seja retomada na quarta ou quinta da semana que vem - é isso, mesmo? Se for, fiquei imaginando a tensão envolvendo esse evento. Será uma final de Copa do Mundo com pessoas comuns - entre elas, advogados, estudantes de direito, juristas - registrando, analisando, dissecando cada fala, cada argumento dos dez ministros do STF, de forma a ajudar e dar munição para a sociedade civil e também os jornalistas para entenderem e criticarem as decisões expressas. Ontem o clima foi quase esse, imagina quando estivermos a três dias da eleição? E ainda com a quantidade de notícia e mobilização que a sessão de ontem já produziu. (No momento em que estou escrevendo, 12 horas depois do encerramento da discussão, "Supremo Tribunal Federal" é o primeiro tópico no Trending Topics, "Gilmar Mendes" e "#fichalimpa" também estão entre os dez assuntos mais falados.

Não consigo antever um cenário de o que vai acontecer na semana que vem, se a sessão realmente acontecer na véspera da eleição, mas acho que os efeitos dessa mobilização serão muito mais notadas e reconhecidas do que a mobilização em si. Uma coisa notável, ainda, em relação à mobilização no Twitter ontem foi o fato de os "oponentes" tucanos, petistas e verdes, para ficar entre os mais numerosos, não brigavam, não se atacavam, ao contrário, agiam como um bloco compacto defendendo a aprovação do Ficha Limpa. Imagina a força disso...

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Ano novo, novos rumos

A primeira pessoa que me fez reparar na então ministra Marina Silva foi a minha tia Márcia, geógrafa, doutora em educação indígena, que, na época, estava trabalhando no Ministério do Meio Ambiente. Meu tio Paulo, agrônomo, com seu jeito reservado, também falou da Marina com admiração especial.

Tenho pensado muito neles nesses últimos dias, desde a semana passada, quando fui convidado e aceitei o desafio de participar da equipe de comunicação de acompanhará a senadora de agora até o final da campanha presidencial em setembro ou outubro deste ano.

Estou muito contente pela oportunidade de me integrar a uma equipe diferenciada para atuar usando as mídias sociais para um projeto em que eu acredito.

O cenário é promissor. Será a primeira eleição no Brasil em que a lei eleitoral não inibirá (tanto) o uso da internet nas campanhas. Some a isso o fato quase 60 milhões de brasileiros estarem usando a rede e de existirem mais de 150 milhões de celulares ativos no país. Isso significa que as fórmulas antigas de campanha já não são receitas infalíveis de sucesso.

Eu poderia falar de muitas formas, apresentando detalhes e recorrendo a jargões, sobre a nossa proposta para a utilização de ferramentas de mídia social, mas ela se resume a dois elementos: escancarar os canais para escutar a sociedade e, junto com isso, ajudar as pessoas que quiserem participar voluntariamente deste esforço.

É simples falar assim e é relativamente simples de se fazer algo assim, mas nem todo mundo quer se dar ao trabalho ou quer correr o risco de abrir um canal sobre o qual não se tem controle. No nosso caso, isso não é uma opção nem um problema, é a nossa principal força.

Do outro lado do ringue está a TV, historicamente a principal forma para se chegar ao eleitor. Ela é muito poderosa por sua abrangência no Brasil, mas tem uma limitaçao em relação às novas mídias. Enquanto a TV é boa para reunir pessoas com interesses comuns, a Internet, além de também servir para formar grupos, ainda reduz radicalmente as barreiras para eles se relacionarem.

A visão de que o consumidor (e eleitor) é preguiçoso -- não quer se envolver, não se interessa por política e prefere ficar em casa controlando a TV da poltrona -- perde força na medida em que se abre a perspectiva de compartilhamento do controle.

Permitir que as pessoas participem, não da maneira como você quer, mas aceitando escutar e conversar, é o segredo mais difundido das campanhas de sucesso na Internet. E é assim que pretendemos usá-la.

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Graças ao apagão, a esposa do @Interney entendeu para que serve o Twitter

Abaixo você vai encontrar toda a sequência de mensagens que eu publiquei pelo Twitter ao longo de duas horas, pelo celular, durante o período do apagão.

São Paulo no apagão

O motivo de publicar estas mensagens é documentar / registrar como o serviço foi utilizado nessa situação de crise.

O apagão mostrou para algumas pessoas menos envolvidas com tecnologia que o Twitter é mais do que uma diversão.

O interessante do episódio foi ver que as pessoas preferiram o Twitter a outros canais de comunicação como o rádio - que também vem em muitos aparelhos celulares.

O Twitter serviu para transmitir informação, para amigos se ajudarem, para a troca de dicas relacionadas à situação e também - fundamental - para reduzir a tensão.

A seguir, as mensagens retuitadas. Elas estão em sentido cronológico invertido, ou seja, as mais recentes estão em cima. Vá até o final deste post se quiser acompanhar o passo-a-passo. Vou marcar algumas com negrito.

. A proposito, bateria do N97 guentou 2h de acesso continuo à internet. Mto bom

. Gente, ta voltando, acho q vai ficar tudo bem. Foi bacana ter tido a companhia de @todos. Agora, cama e salvar 1 pouco da bateria

. Aqui tbem RT @MissMoura: Pronto! Bateria só com um pontinho. E agora? #comofaz? :(

. RT @Neto: O Ministro Edson Lobão informou que o abastecimento deve ser normalizado ainda esta noite. (via Folha Online e Agência Estado)

. RT @jeffpaiva: Galere, cuidado ao voltar a luz. Desliguem aparelhos da tomada pra corrente que chega desequilibrada não queimar nada.

. Rá RT @s1mone: Aqui também! RT @lelira: Pronto, começou a orgia no vizinho. #inveja

. RT @menta90: @jasper Aqui na consolação estamos com luz

. RT @Isabelladallas: acessor da itaipu disse que não tem como prever qto demora, mas q termoeletricas podem fornecer a energia por enquanto

. RT @MissMoura: Enquanto vc, publicitário, estará de folga sem luz, os jornalistas vão ter que se virar... Fiz a escolha certa!

. Rá RT @jampa: Não estamos num apagão. Estamos no cérebro do Gilberto Gil durante uma entrevista. (via @leandro_batata)

. I was thinking about that RT @alexdc: @jasper interesting that Brazilians aren't using hashtags to group these tweets #blackout

. RT @Mobilon: @jasper O presidente d Itaipu acabou d anunciar no Globo News. Em até 30 minutos será possível retomar o abastecimento. #apagao

. RT @andreablois: @jasper tudo apagadono rio ainda.

. RT @ahaportugal: aqui no morumbi tbem no escuro. RT @jasper: Aqui em Pinheiros/Pompeia, ainda no escuro #apagao (Gravity) (a min ago)

. RT @ClaudiaCManso: @jasper Zona Norte Sampa continua sem luz tb.

. RT @psouva: @jasper Em são josé dos campos, sp, voltou.

. Aqui em Pinheiros/Pompeia, ainda no escuro #apagao

. T @Helton: E a luz voltoooou galeraaaa #SP

. RT @fugita: RT @advogadaonline: Itaipu nos trending topics. risos. #apagao

. Noticias contraditorias: uns falam q vai durar dias, outros q tá pra voltar. E ficamos na mesma

. RT @Knuttz: Presidente de Itaiú: 2 trechos de uma das linhas já foram reparados, um terceiro (e o último), será reparado em 30 min.

. Lembranças de 11 de setembro. #euestavala

. RT @alexdc: AP mentions possibility of hackers having caused Brazil's blackout tonight. The Associated Press: Brazil's 2 largest cities hit by blackouts

. Hurray! RT @interney: Minha esposa finalmente achou o twitter útil #blackoutfacts :)

. Xi RT @mlemos: aparentemente a Internet começa a capotar por aqui. PING degrading para vários lugares #apagao como tá a coisa ai com vocês?

. RT @Cabianca: Catso: se foi queda na linha de transmissão por conta de ventania, pode demorar 1 a 2 dias #medo #apagao #2012

. OPA! RT @baunilha: voltou a luz aqui no centro de sp

. RT @gabidias: Lembrancas de qdo a vida era mais simples... #apagao

. RT @emiliomoreno: RT @fimdejogo: reporter da cbn diz q está seguindo as informações pelo twitter. Ligação da entrevista caiu

. Eita! RT @adrianosbr: No Jornal da Globo: se for problema nas linhas de transmissão de Furnas, o #apagao pode demorar dias...!

. RT @jlgoldfarb: RT @lilian_ferreira: Três ouvintes da Bandnews dizem ter voltado a luz em Campinas.- como está no rio?

. I guess its because the energy is out ;-) RT @alexdc: @jasper I'm surprised Itaipu's Wikipedia page hasn't been updated yet

. RT @Cabianca: 800 cidades no Brasil sem energia. #apagão

. Hopefully @shirky will write a post on this ;-) RT @alexdc: @jasper This is Brazil's first big Twitter moment ;)

. @alexdc 10M? Sao Paulo city alone has 20M...

. Será que os tecnicos de Itaipú estão trabalhando no escuro?

. @alexdc A lot of us using Twitter to share news and to keep the sense of humor up #thankstwitter #blackout #brazil

. Serio RT @gilgiardelli: #apagão preso em Cumbica! Nunca na história deste pais o aeroporto ficou sem luz!

. RT @Knuttz: Causa do Black Out: Itaipú está *completamente* paralisada, técnicos ainda não sabem o que aconteceu.

. RT @Cabianca: Vixe, #Paraguai sem luz. Pane em Itaipu e o problema é considerado sério, sem previsão de solução. #JornaldaGlobo #apagão

. RT @bilaamorim: Ja voltou em Recife... RT @andrelmaraujo: @bilaamorim já voltou aqui.

. RT @jampa: #ficadica desligue a chave geral da sua casa, porque quando a energia voltar... Aiai (via @trentas) já fiz. Conselho nerd!

. RT @jampa: RT @eduardonasi: manchete da zero hora amanhã: inabalavel, rs resiste a apagão histórico. (via @accsalgueiro)

. RT @ianblack: RT @gusfune: Parece que a luz vai voltar aos poucos pra quem for convidado. Tenho 10 convites! #blackout

. Tipo quem? RT @vanessaruiz: Pessoal, estamos apurando: outros países podem estar sem energia também. Mas muita calma nesta hora. #apagaoabout 10 hours ago from Gravity

. RT @pedrodoria: RT @rmesquita: RT @robertoharaujo: Furnas terminou a migração para o windows 7 :)

. Quanto tempo vai durar o apagao? Façam suas apostas #bolaodoapagao

. RT @Neto: Tem um cara tocando flauta doce aqui perto. Vamos combinar? Ou falta luz, ou o cara toca flauta né gente?

. RT @crisdias: RT @peruka: Meu nome é John Connor e se você está lendo isso, você é a resistência. #terminator

. RT @jampa: Bebendo como se não houvesse amanha

. Atravessando a Rebouças pela Brasil #oquevoceestavafazendoquandoasluzesapagaram

. RT @mariacarol: Alias para quem está feliz por ter internet 3g neste momento: a autonomia das torres não passa muito de duas horas!

. #arrastoes por #sp e #rio. #blackout #cuidado

. RT @vanessaruiz: Arrastão na região do Vale do Anhangabau. Pessoas saindo do terminal Bandeira e indo p o metrô sendo assaltadas.

. Xiiii RT @MissMoura: Arrastão no tunel velho em Botafogo #RJ. Afirma radio taxi

. Esse #apagao tem q render coletaneas de frases. RT @cavallini: Quando acaba a luz, namorado vai transar e casado twittar.

. RT @belcolucci: paraguai também tá sem luz. Deve ter sido itaipu

. RT @vanessaruiz: Apuramos aqui na CBN, c o Ministério de Minas e Energia, q o problema é em RJ e SP. ES acaba de reportar problemas. #apagao

. Rá! RT @jampa: Onde estão as mulheres quando a gente precisa delas?about 11 hours ago from Gravity

. Aqui, só celular RT @miltonjung: Rádio a pilha e internet por celular nos mantém conectados

. Se vc quiser MESMO brincar com essa situação, tenha o cuidado de sinalizar #piada pra ñ confundir e gerar boatoabout 11 hours ago from Gravity

. Pô, e ninguem sabe ainda o que tá acontecendo? #blackout #brazil

. Putz, nao duvido RT @cavallini: Não é blackout, é uma ação de guerrilha da telefonica

. Total, tava pensando nisso RT @fugita: Esse é daquels momentos que o tuíter é extremamente útil. #apagao

. Atençao, perigo. Caiu a luz geral. Eu vi acontecer. Acabo de cruzar Pinheiros e Perdizes. tudo apagado #apagaosp

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Guia mostra erros e acertos na criação de um projeto 2.0

Um dos meus textos favoritos sobre o futuro da comunicação compara a física da colaboração à física do clima. A gente sabe as forças que estão atuando, mas ainda não podemos prever o que vai acontecer em função da abundância de complexidade.

A maneira que temos hoje de explorar ecossistemas complexos "é testando um montão de coisas, e você torce para que as pessoas que falharem, falhem de maneira informativa para que pelo menos você encontre os crânios nas estacas próximos de onde você estiver indo."

Essa frase me veio à cabeça logo que comecei a folhear pelo computador o livro do Paulo Siqueira, Web 2.0 – Erros e Acertos – Um guia prático para o seu projeto, que acaba de ser lançado online e com licença Creative Commons.

Todo mundo que trabalha com tecnologia sabe que a parte mais chata do processo é a documentação. Um programa pode ter milhares de linhas de código, um projeto geralmente tem centenas de etapas até ficar pronto, e a documentação é o que permite que aquele território conquistado possa ser mantido.

Tudo o que estamos fazendo de maneira colaborativa e descentralizada depende disso. Cada experiência vivida é compartilhada, muitas vezes em forma de tutorial, tanto para permitir que outros sigam a diante como para indicar que aquele é um beco sem-saída, que é perda de tempo fazer daquela forma.

No começo deste ano o Paulo colocou no ar um projeto pessoal para criar um serviço, o digi.to, para integrar Twitter a SMS. Algumas coisas funcionaram, outras não. Todos conhecemos dezenas ou centenas de projetos nessas condições. A diferença é que o Paulo se deu ao trabalho de fazer um mapa de sua aventura como empreendedor dizendo por onde ele andou, onde o terreno era firme, onde havia armadilhas.

Esse é o grande mérito do livro e um grande exemplo de como, em tempos de internet, transformar um limão em limonada. Por isso estou participando do lançamento e desejo sucesso à obra e ao autor.

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"Me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas"

Especialistas de determinadas áreas vêm sofrendo com a Internet. Li um artigo na revista New Yorker dizendo que a Wikipedia não diferenciava um acadêmico de um garoto de 14 anos que lê bastante. E eu sinto prazer verdadeiro sempre que encontro esses amadores, pessoas que, por exemplo, nunca escreveram profissionalmente, nunca venderam um texto, talvez nem tenham pensado em fazer isso, mas tem paixão por um assunto e isso as coloca numa posição interessante em relação ao profissional da área. O amador geralmente tem mais liberdade para dizer o que pensa, porque ele faz isso porque quer, quando quer, sempre depender de prestar contas a uma organização.

Estou fazendo essa introdução porque o post sobre o Blog do Planalto e o Twitter do Serra aproximou o jornalista Vinicius Gorgulho, que se deu ao trabalho de deixar um longo e lúcido comentário após o texto - como o José Murilo do MinC também fez. Pedi autorização a ele para publicá-lo aqui pelo valor da reflexão e também por gratidão, na medida em que é um texto crítico ao meu, mas feito abertamente e com argumentos.

Sou um bastante preocupado com política e acho que a política partidária é o lodo do fundo da fossa da participação política no mundo moderno. Sou mais pela participação direta, via plebicitos sustentados por um modelo de educação que torne as pessoas protagonistas de suas vidas, famílias e comunidades.

PT partido sem mídia, PSDB mídia sem partido, Marina criacionista, os sombrios Demos etc. são todos farinha do mesmo saco. Nenhum deles se preocupou pra valer em fazer um projeto que revolucionasse a educação, como vários emergentes no mundo fizeram com sucesso, assegurando sustentabilidade para projetos de desenvolvimento.

Ainda que, como os outros, o foco do PT seja um projeto de poder, entre os demais é o que mais chega perto de um projeto de desenvolvimento, porque concentra esforços na distribuição de renda, coisa que nunca foi projeto de tucanos e demos.

Lula é totalmente populista, meio caudilho, messiânico, sem protocolo e muitas vezes sem noção, mas toca um projeto que já originalmente tinha vocações mais participativas que os opositores.

O problema é como novo rico político (nunca teve e agora tem muito poder) o PT come iguarias e arrota lavagem. Não prima pela gestão, nem pela idoneidade, tem rabo preso com coronéis como Sarney, mas ainda assim é menos voltado ao modelo que esvazia o estado e centraliza decisões no mercado, ou seja, no poder econômico.

Infelizmente, diante do poder, o PT se afastou da base e está cada vez mais parecido com o PSDB: são partidos de caciques. Sem mídia para fazer costas quentes, como rola com os tucanos, fica muito mais fácil para nós policiarmos os petistas.

Dito isso, acho que é muita ingenuidade esperar que blogs e twitters de partidos como esses sejam esferas de participação popular. Eles são meramente ferramentas de RP.

O blog não dialógico do planalto é simples apoio à imprensa, o modelo torcido de RP, onde só se pensa em relações com a imprensa. O twitter do Serra serve ao reposicionamento da imagem do político, um RP online com caráter mais amplo, de relacionamento com a classe média graduada ou pós-graduada e usuária pesada de internet, público notadamente formado por uma maioria de profissionais de comunicação, gente influente no engajamento da opinião pública.

Se é ele mesmo que responde eu não sei. Sei que qualquer bom profissional de comunicação pode ser um ótimo ghost writer, inclusive emulando a naturalidade do personagem.

Vale dizer também que uma mídia que oferece "peças" de 140 toques, demanda uma hiper-rotatividade e já tem credibilidade de canal de informação e opinião entre o público que mencionei, acaba fazendo o seguidor ler e "comprar" discursos subjacentes, sem muita análise do discurso a priori.

Dessa perspectiva, me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas. Marcas como José Serra.

Por fim, acho que a internet é sim "O" grande canal para operacionalizarmos uma democracia verdadeira, de participação direta em rede. Só que ela sozinha, sem um projeto de educação transformadora pode simplesmente nos transformar num povo fascistóide, comos os malucos que foram ao discurso do Obama fortemente armados.

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O Blog do Planalto é a regra, Serra tuitando é a novidade

O triste do debate sobre o Blog do Planalto é que as críticas ao produto têm mais a ver com a posição política de quem fala do que com o blog em si.

OK, o blog não permite comentários. Deduz-se que quem tem a palavra final sobre a comunicação do Presidente não entende de comunicação em rede. Nenhuma novidade nisso. Aliás, os jornais do mundo estão falindo pelo mesmo motivo.

O Blog do Planalto têm méritos. Contratou "insiders" da Web para a equipe - falo do Daniel (Duende) Carvalho e do Daniel Pádua. Se fosse a Voz do Brasil online, a assessoria de imprensa teria sido incumbida de atualizar a página e o resultado não seria diferente da grande maioria dos blogs institucionais de hoje, mantidos com conteúdo frio.

A grande surpresa, portanto, não é o Blog do Planalto ser como é. Ele é a regra, é o que se espera do blog de uma grande organização, sujeita a ataques e administrada tendo como referência o paradigma do controle da informação. O surpreendente não é o blog sem blog e sem presidente. O que não tem recebido a devida importância é um governador cara a cara com sua audiência, tuitando com a desenvoltura de um nerd.

José Serra é um político da geração do Lula, com uma trajetória que inclui combate à Ditadura e exílio. Atualmente governa o Estado mais rico da União. E está dando olé em burocracias e protocolos, passando por cima de assessores e assessorias, para se dirigir diretamente às pessoas.

O Gabeira que é o Gabeira não fez isso na disputa pela Prefeitura do Rio e não faz isso hoje, tinha na época e continua tendo uma equipe para blogar e tuitar por ele. Já o Serra - nota-se - tem o mesmo comportamento compulsivo com o Twitter que os tuiteiros mais envolvidos com o serviço: tuita de dia e de noite, inclusive pelo celular.

Isso é tão fora do esperado que já faz alguns meses que o Serra é o único governador que tuita. Nenhum outro teve a ousadia de segui-lo, nem Aécio Neves, seu rival à candidatura presidencial pelo PSDB, nem a provável candidata do Presidente, ministra Dilma Roussef.

O problema do Blog do Planalto não é ele ter ou não espaço para comentários. É ele, na prática, servir mais para jornalistas produzirem notícias do que para os cidadãos e eventuais leitores / interlocutores se informarem / conhecerem as perspectivas do Presidente. Quantas pessoas vão acompanhar esses debates, ainda mais se a área for moderada? É quase insignificante.

Se os responsáveis pela comunicação do Presidente estão com receio de liberar o diálogo, poderiam pensar no Twitter, que é mais público que comentários em blog, e podem usar o Serra como referência para ver que isso não será um bicho de sete cabeças, que dá para ser feito e que vale a pena abrir o canal de comunicação.

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