pesquisa

Uma introdução (à introdução) antropológica ao YouTube

Recomendo enfaticamente que você assista o vídeo acima. Sim, são 55 minutos e está em inglês, mas você não vai se arrepender de ter "desperdiçado" esse tempo.

O vídeo apresenta uma pesquisa feita por uma turma de estudantes para um curso de antropologia. E esse é o primeiro ponto a ser ressaltado. O produto gerado não foi feito pela BBC e nem por outra mega-organização de mídia. Ele é uma criação que pode ser classificada de "caseira", algo que pode ser feito usando um laptop.

O atrativo deste vídeo não é a tecnologia ou a infraestrutura usada para produzi-lo, mas insights, criatividade e colaboração. Outro elemento importante: a presença de um orientador para estimular a participação do grupo e depois juntar os pedaços para chegar ao resultado.

Como você vai ver ao assistir o vídeo, a apresentação do projeto inclui a história do projeto: de onde veio a motivação para dar início à pesquisa e quem são as pessoas envolvidas no projeto. A descoberta é mostrada como o percurso para se chegar a cada insight, e não só o resultado em si, a conclusão.

Mais um aspecto que se destaca: o fato do grupo de pesquisa se envolver com o assunto, sair da posição de observador e se engajar, vivenciar o assunto que está sendo estudado.

É uma pesquisa sobre como estamos usando o YouTube para nos comunicarmos e sobre como isso afeta e modifica a nossa cultura. E os pesquisadores do grupo, mais do que ver de fora, passaram a produzir vídeos caseiros para experimentar a sensação de operar o equipamento e se expor.

Dessa forma, eles passam a conversar com a comunidade, a interagir com ela. E o mais bacana, o resultado da pesquisa em si não é um documento em papel escrito em linguagem acadêmica. Aliás, pode até ser isso, mas não é só isso, é também o vídeo acima, que é devolvido à comunidade via o próprio YouTube, como uma forma de retribuição, para que ela se veja e aprenda com aquilo que ela mesma ajudou a fazer.

Acho que esse é o vídeo mais bacana / inteligente / relevante / bem acabado que eu vi este ano sobre a Internet. Confira.

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Uma palavra para definir o Google

É curioso que o Google, apesar de estar tomando (ou ter tomado) a posição da Microsoft como a principal empresa de tecnologia do mundo, não provoca a mesma antipatia. Existe, sim, uma preocupação que é algo como: - "logo vamos depender do Google para respirar!" Ao mesmo tempo existe uma admiração pela capacidade da empresa de se fazer relevante.

Parece que, em relação a empresas do mesmo porte, o Google mantém um espírito de startup, que permite com que ele avance ao invés de se entrincheirar para defender seus produtos. (Eu estava assistindo o vídeo linkado neste post recente e a palestrante se refere a essa percepção como sendo o resultado da mistura da motivação de uma startup com a estabilidade de um programa de pós-graduação, algo assim.)

Mas estou escrevendo isso para explicar o que me motivou a pedir ontem pelo Twitter que quem quisesse, definisse o Google em uma palavra. Segue o resultado:

1) referencias religiosas: google é meu pastor, onipresente, todo poderoso, oráculo, Deus

2) adjetivos: imprescindíve, tudo, fácil, foda, revolucionário, indispensável

3) outros: skynet, conteúdo

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Entrevista boyd: Uma acadêmica 'doidinha' catalisa a atenção na blogosfera

danah boyd faz parte do mesmo "panteão" de deuses (ou profetas) do novo mundo da comunicação em rede.

são aproximadamente vinte pessoas que ocupam hoje essa posição, entre elas, kevin kelly, chris anderson, clay shirly, talvez steven johnson estão entre os que nos traduzem, interpretam e divulgam as novidades.

o curioso dessa última parte da entrevista com danah boyd é ela considerar que sua atividade como blogueira foi mais importante que a pesquisa em si para torná-la uma celebridade no mundo das mídias sociais.

não é que a pesquisa dela não seja interessante ou relevante. a pesquisa dá utilidade específica a ela como palestrante, como acadêmica requisitada para dar entrevistas.

mas ela fala de como ela usa o instrumental de conceitos principalmente vindos da academia para discutir temas de interesse popular como política e comportamento, basicamente ela comenta o mundo, as coisas que chamam sua atenção. isso e o blog foram seu holofote.

ela também avalia desvantagens e benefícios dessa super-exposição.

how danah boyd became a 'scholar celebrity' and how that affects her life from juliano spyer on Vimeo.

Entrevista boyd: Trajetória pessoal e profissional da 'sacerdotiza das redes sociais'

Sempre disse que o que torna especialmente relevante a pesquisa de danah boyd sobre redes sociais é o fato dela ser íntima desses ambientes.

mas eu simplificava isso dizendo que de alguma forma ela pesquisava a si mesma, que era uma tentativa dela se explicar e se entender.

nesta parte da entrevista ela junta os pontos, da adolescente que fugia pela internet de sua casa e de sua escola, passando pela universitária que estudou ciência da computação, para a pesquisa sobre padrões em ambientes sociais, até desembarcar na sociologia e na antropologia.

em resumo, era isso mesmo, mas é muito mais.

how danah boyd became an anthropologist studying teens using social network sites from juliano spyer on Vimeo.

Quem são os principais nomes da mídia social em atividade hoje no Brasil - um levantamento parcial

Enviei recentemente para todas as pessoas que eu conheço envolvidas com o assunto este questionário perguntando a elas: Quem são os principais acadêmicos, ativistas e profissionais das mídias sociais em atividade no Brasil hoje?

Fiz a besteira de mandar a mensagem na noite de sexta, ou seja, ela ficou para ser respondida depois e das talvez quase 200 pessoas que foram convidadas, apenas 16 participaram.

Sou o primeiro a reconhecer que o resultado não é científico. Primeiro porque ele reflete a minha perspectiva sobre o que acontece nas mídias sociais: onde eu estou e o que eu faço. Estou em São Paulo e tenho uma atuação prioritariamente profissional - apesar do contato com o mundo acadêmico e com o ativismo.

Por esse motivo a pesquisa traz muito mais pessoas de São Paulo do que de outros lugares e também traz mais nomes de profissionais do que de acadêmicos ou ativistas. Nomes importantes como o de Hermano Vianna e Ronaldo Lemos foram lembrados apenas por uma pessoa.

Não vou computar as referências a mim por eu ter proposto a pesquisa, o que já predispõe quem recebeu a mensagem a se lembrar do meu nome.

Feitas todas essas ressalvas, vou compartilhar os resultados fazendo alguns comentários.

Para quem ainda não ouviu falar de danah boyd

Encontrei a danah boyd pelo blog coletivo Many2Many que, além dela, traz outros intérpretes - mais ou menos acadêmicos - das transformações produzidas pelas mídias sociais.

danah é a única dos quatro que continuei acompanhando, mesmo de longe. vez ou outra leio um post, um artigo ou acompanho uma palestra disponível online - tudo isso aqui.

Não consigo segui-la de perto, porque falta tempo - ela produz muita coisa -, e porque cada coisa que eu leio ou assisto me mobiliza, me inquieta, pelo conteúdo em si e por me lembrar de como estudar é bom.

Mas quem teve o primeiro contato com danah no Digital Age 2.0 percebeu - quando ela entrou para palestrar com um vestido "da namorada do Luke Skywalker", segundo um dos presentes - que ela é mais que uma acadêmica brilhante.

Quem é danah boyd?

Um dos organizadores do Digital Age confessou que não sabia que existia tanto interesse por ela aqui, apesar do nome dela ter sido indicado por um dos gurus da sociedade da informação, o próprio Chris Anderson, atual editor chefe da Wired e autor do best-seller A Cauda Longa.

É que ela ainda não tem UMA grande contribuição no campo das mídias sociais, ainda não publicou livros e nunca, que eu saiba, fundou start-ups de sucesso. Sua produção é composta por centenas (talvez milhares) de fragmentos, entre posts, entrevistas, artigos, palestras, fundamentalmente analisando o fenômeno das redes sociais.

Uma antropóloga futurista

O que danah faz, em certo sentido, é o mesmo que antropólogos vem fazendo corriqueiramente nos últimos cem anos: interpretar culturas. Mas enquanto a maioria deles estuda dialetos dos chamados indígenas, ela domina o dialeto das máquinas - é formada em ciências da computação - e estuda a tribo dos adolescentes que nasceram praticamente dentro das redes sociais.

Em outra ocasião, eu já resumi os pontos que talvez sejam os fundamentais da pesquisa dela sobre redes sociais. E porque ela se preocupa em se comunicar com quem está fora da academia, seus artigos e palestras são a melhor maneira de conhecer o trabalho dela - aqui uma palestra recente.

Talvez a tecnologia tenha transformado a sociedade tão rapidamente, em termos de valores e comportamento, muito em decorrência da internet, que exista um campo de silêncio entre os adolescentes de hoje e os pais deles. danah é uma das pessoas que mais obstinadamente trabalham para estabelecer conexões entre esses mundos.

Falando de dentro

Mas eu ainda não contei a parte mais importante para se entender a força do trabalho de pesquisa e das análises que ela produz. É que a internet, para ela, é mais do que o assunto da vez.

Nas palestras que eu assisti ela sempre começa falando de si, de como a internet serviu de túnel de fuga do mundo presencial para procurar pares e também para reinventar sua personalidade interagindo com outras pessoas pela Rede.

Ter ido para a academia foi uma das maneiras que ela encontrou para dar continuidade a esse experimento de auto-observação e de observação do mundo.

Entendi melhor os experimentos que deram origem à internet

Estes dias estive pesquisando para fazer uma apresentação e ganhei um pouco mais de discernimento sobre a origem, o embrião da Web. No Conectado, eu falo de dois projetos relacionados ao Arpa: o Arpanet e o oNLineSystem.

Não fica clara no livro a relação entre esses projetos porque essa informação foi incluída já na época de correção do texto pela editora, não deu tempo de aprofundar. Ficaram dúvidas: eles tinham os mesmos objetivos? Competiam? Surgiram da mesma equipe?

Minha compreensão sobre esse tema agora é o seguinte - e quem quiser, sinta-se à vontade para completar ou explicar melhor.

Empresas (finalmente) começam a prestar atenção (seriamente) na Internet

Acabo de responder a um questionário para uma pesquisa sobre a influência da internet na comunicação. Por um lado me deu medo de ver a Web sendo seriamente investigada para atender a motivações do mundo empresarial. Mas também acho saudável que exista essa consciência de que a comunicação na esfera pública já não é domínio de organizações.

Veja o que me perguntaram e o que eu respondi. E aproveite para comentar, discordar e opinar.

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