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Guia mostra erros e acertos na criação de um projeto 2.0

Um dos meus textos favoritos sobre o futuro da comunicação compara a física da colaboração à física do clima. A gente sabe as forças que estão atuando, mas ainda não podemos prever o que vai acontecer em função da abundância de complexidade.

A maneira que temos hoje de explorar ecossistemas complexos "é testando um montão de coisas, e você torce para que as pessoas que falharem, falhem de maneira informativa para que pelo menos você encontre os crânios nas estacas próximos de onde você estiver indo."

Essa frase me veio à cabeça logo que comecei a folhear pelo computador o livro do Paulo Siqueira, Web 2.0 – Erros e Acertos – Um guia prático para o seu projeto, que acaba de ser lançado online e com licença Creative Commons.

Todo mundo que trabalha com tecnologia sabe que a parte mais chata do processo é a documentação. Um programa pode ter milhares de linhas de código, um projeto geralmente tem centenas de etapas até ficar pronto, e a documentação é o que permite que aquele território conquistado possa ser mantido.

Tudo o que estamos fazendo de maneira colaborativa e descentralizada depende disso. Cada experiência vivida é compartilhada, muitas vezes em forma de tutorial, tanto para permitir que outros sigam a diante como para indicar que aquele é um beco sem-saída, que é perda de tempo fazer daquela forma.

No começo deste ano o Paulo colocou no ar um projeto pessoal para criar um serviço, o digi.to, para integrar Twitter a SMS. Algumas coisas funcionaram, outras não. Todos conhecemos dezenas ou centenas de projetos nessas condições. A diferença é que o Paulo se deu ao trabalho de fazer um mapa de sua aventura como empreendedor dizendo por onde ele andou, onde o terreno era firme, onde havia armadilhas.

Esse é o grande mérito do livro e um grande exemplo de como, em tempos de internet, transformar um limão em limonada. Por isso estou participando do lançamento e desejo sucesso à obra e ao autor.

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Agora sem as mãos: como um projeto que eu abandonei continua vivo, mais do que nunca

Criei o Viva São Paulo em 2003, na véspera da celebração dos 450 anos da cidade. A idéia era aproveitar a data redonda e o clima propício às recordações para fazer um projeto de história oral online onde a cidade conversasse consigo através das histórias de seus moradores. Graças à participação da rádio Eldorado, que transmitia uma história tirada do site por dia, a ação criou massa crítica e começou a andar sozinha. Passados seis anos, já não tenho mais nenhum envolvimento com o projeto mas a comunidade recusa-se a fechar o site. (Continue lendo.)

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Aqui o resultado do experimento de fazer uma tradução coletiva; novidades à vista

Clay Shirky aprontou outra. Ele já tinha explorado a questão do fim dos jornais no Here Comes Everybody, mas isso ficou diluído no meio de outros assuntos que o livro trata. No começo deste mês ele retomou o tema em um texto demolidor de mitos, construído - como é a marca do autor - a partir de um mix de idéias originais, História e embasamento conceitual. Elegância e precisão de argumentos contrastam com a quase-crueldade com que ele põe às claras a postura mimimi de quem ainda defende a sobrevivência da imprensa escrita.

Li esse texto sentindo ao mesmo tempo euforia e frustração. É libertador encontrar em três páginas tudo o que você vem querendo dizer recentemente, mas o fato do texto estar em inglês implica que ele será lido pelas mesmas pessoas que já estão convencidas do assunto ao invés de entrar nas veias da sociedade e ser devorado e discutido por quem faz parte do dilema. O estudante, o professor e o profissional de comunicação têm interesse vital em entender se a tese de fim dos jornais é especulação dos marqueteiros para fazer dinheiro com o buzz da internet ou se existe um perigo para o qual é necessário estar precavido. Como levar essa discussão para a sociedade? (Continua.)

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Wandering Books é uma idéia simples e que tem gosto de colaboração

Por falar no tema promoção de leitura pela web, existe um projeto muito bacana, relativamente simples e que ainda não foi posto em prática.

A maneira mais óbvia de se amplicar o uso dos livros seria emprestando para as pessoas que a gente já conhece, para quem já faz parte das nossas redes de relacionamentos.

O problema é que muitos livros não voltam, voce esquece, a pessoa esquece e fica por isso mesmo.

A idéia do Luciano Ramalho ataca esse problema. Imagine uma site de networking social para você colocar uma lista de livros que você não se incomodaria em emprestar. Aqui a descrição do projeto.

Os meus contatos não só teriam uma maneira de encontrar os livros que eles estiverem procurando sem precisar ir até a minha casa, como eu teria uma forma de saber, rapida e facilmente, com quem estão os meus livros emprestados.

E mais: a dinâmica de entrega do livro fica simplificada. Meu amigo pode trabalhar perto de mim, ou mesmo aproveitar uma situação dessas para a gente tomar um café. Eu entrego o livro e a gente ainda bate um papo.

Encontrei o Luciano recentemente e ele disse que ainda pretende pôr essa idéia em prática. - Ô, Luciano, cadê? ;-)

Blip.fm re-tribaliza o hábito de ouvir música

Como já escrevi outras vezes, o melhor termômentro para saber se alguma coisa nova está aparecendo no campo das mídias sociais é o número de convites que se recebe para participar de um novo projeto.

No começo de setembro minha caixa postal recebeu vários convites para que eu me inscrevesse no Blip.fm, uma mistura de Twitter, Orkut e Lasf.fm.

De cara, não entendi direito como o site funciona e não encontrei um tutorial - um daqueles, utilíssimos, com animação - mostrando o caminho das pedras. Mas encontrei por lá o Thiago Carrapatoso, ultra-envolvido com a ferramenta, e ele me ajudou a entender o motivo do Blip estar fazendo sucesso.

Basicamente o Blip.fm serve para duas coisas: para se ouvir música e para se brincar de DJ.

Primeiro relato sobre o Radar Cultura

Emoção. Fizemos hoje o primeiro ensaio valendo da nova rádio Cultura. Só a equipe participou. A emissora ficou com conteúdo gravado e ensaiamos a dinâmica de funcionamento do Radar - âncora fazendo a programação ao vivo a partir do material postado e votado no site.

Coisas que acontecem quando você publica um livro

Há dois dias recebi uma mensagem da editora. Uma pessoa - aparentemente um senhor de mais idade - tinha ligado para pedir meu telefone... Eu não soube o que pensar na hora. Dar o meu telefone assim? Quem era essa pessoa que não podia me mandar um email? (Email é mais impessoal. A gente pode priorizar, responder depois ou eventualmente nem responder, "esquecer".) Mas acabou que eu mandei o número.

Cinco minutos depois o telefone tocava.

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