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O que impede a Nina de aproveitar a internet? Dilemas do empreendedor nos ambientes de informação abundante

Este último sábado, passeando pela feirinha da Liberdade, descobri o trabalho da Nani, uma artista que produz bolsas e produtos em pano com desenhos que ela mesma cria.

Nani riu quando eu perguntei se ela tinha estudado artes. Mas apesar de viver desse trabalho, ela não deixa de se divertir passando horas, dias experimentando com cores e formas.

O nome da empresa - Piranopano - reflete o espírito lúdico e brincalhão que ela e a filha Violetta põem nas criações.

piranopano

Nossa conversa começou mesmo quando eu pedi para fotografar os trabalhos e ela, meio sem jeito, disse que não.

Em meio a tanto artesanato óbvio, o dela tinha um brilho de obra vivida. Justo o que vale a pena ser compartilhado. E eu ainda fui educado, pedi permissão.

Ela contou que passou a desconfiar de fotógrafos desde que plagiaram as imagens que ela criou. Faz sentido: quem não quiser investir em criação, só em produzir mais barato e distribuir, vai tirar proveito do que ela fez.

Não que isso tenha a ver com a internet, mas com a facilidade de registro de informação pela fotografia.

A Nani também, de certa forma, remixa. Imagino que ela veja imagens em revistas e livros. A diferença é o investimento que ela faz em experimentação, em procurar algo mais, em criar a partir do que ela vê.

Uma maneira de ver a situação é pensar que a Nani está em um mercado competitivo e que ela vai precisar fazer mais que apenas desenhos e produtos bonitos para sobreviver.

Fico pensando o que falta para que essas pessoas abrassem a internet. Parece tão simples montar um blog, criar comunidades no Orkut. Mas ela pagou para criarem e darem manutenção um site ruim, que ela mesma já mandou tirar do ar.

O que poderia dinamizar esse processo de apropriação? Um manual para empreendedores? Uma ação de divulgação?

Quais seriam os tópicos desse manual? Talvez ele deveria ter apenas apresentação de casos de micro-empresários usando bem ferramentas como Blogger, Flickr, Orkut, etc.

PS. Depois de uma troca de idéias sobre o assunto e com o apoio da filha Violetta, Nani permitiu que eu fotografasse o trabalho. E quem quiser entrar em contato, inclusive para fazer encomendas, o email delas é contato [arroba] piranopano.com.br

Tem uma parte do meu cérebro que não me pertence

O assunto é complicado e não pretendo resolvê-lo nessas poucas linhas que vou escrever. Aliás, eu não ia escreve hoje, mas seguindo minha proposta de ler diariamente os feeds dos blogs, acabei trombando com a seguinte notícia: conteúdo aberto cria mais valor econômico que o direito autoral.

Eu já tinha feito comentários sobre esse assunto enquanto lia o Free Culture do Lawrence Lessig, e justamente ontem estava pensando no seguinte: se eu quiser inventar uma história que, ao invés de personagens "originais", faça interagir personagens da minha infância como a turma da Mônica, Disney, Speedy Racer, Ultraman e Snoopy, das duas, uma, ou eu gasto uma fortuna e perco meses negociando com os donos dos direitos autorais, ou me exponho a ser processado - caso minha obra se torne pública.

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