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Entrevista boyd: Trajetória pessoal e profissional da 'sacerdotiza das redes sociais'

Sempre disse que o que torna especialmente relevante a pesquisa de danah boyd sobre redes sociais é o fato dela ser íntima desses ambientes.

mas eu simplificava isso dizendo que de alguma forma ela pesquisava a si mesma, que era uma tentativa dela se explicar e se entender.

nesta parte da entrevista ela junta os pontos, da adolescente que fugia pela internet de sua casa e de sua escola, passando pela universitária que estudou ciência da computação, para a pesquisa sobre padrões em ambientes sociais, até desembarcar na sociologia e na antropologia.

em resumo, era isso mesmo, mas é muito mais.

how danah boyd became an anthropologist studying teens using social network sites from juliano spyer on Vimeo.

Para quem ainda não ouviu falar de danah boyd

Encontrei a danah boyd pelo blog coletivo Many2Many que, além dela, traz outros intérpretes - mais ou menos acadêmicos - das transformações produzidas pelas mídias sociais.

danah é a única dos quatro que continuei acompanhando, mesmo de longe. vez ou outra leio um post, um artigo ou acompanho uma palestra disponível online - tudo isso aqui.

Não consigo segui-la de perto, porque falta tempo - ela produz muita coisa -, e porque cada coisa que eu leio ou assisto me mobiliza, me inquieta, pelo conteúdo em si e por me lembrar de como estudar é bom.

Mas quem teve o primeiro contato com danah no Digital Age 2.0 percebeu - quando ela entrou para palestrar com um vestido "da namorada do Luke Skywalker", segundo um dos presentes - que ela é mais que uma acadêmica brilhante.

Quem é danah boyd?

Um dos organizadores do Digital Age confessou que não sabia que existia tanto interesse por ela aqui, apesar do nome dela ter sido indicado por um dos gurus da sociedade da informação, o próprio Chris Anderson, atual editor chefe da Wired e autor do best-seller A Cauda Longa.

É que ela ainda não tem UMA grande contribuição no campo das mídias sociais, ainda não publicou livros e nunca, que eu saiba, fundou start-ups de sucesso. Sua produção é composta por centenas (talvez milhares) de fragmentos, entre posts, entrevistas, artigos, palestras, fundamentalmente analisando o fenômeno das redes sociais.

Uma antropóloga futurista

O que danah faz, em certo sentido, é o mesmo que antropólogos vem fazendo corriqueiramente nos últimos cem anos: interpretar culturas. Mas enquanto a maioria deles estuda dialetos dos chamados indígenas, ela domina o dialeto das máquinas - é formada em ciências da computação - e estuda a tribo dos adolescentes que nasceram praticamente dentro das redes sociais.

Em outra ocasião, eu já resumi os pontos que talvez sejam os fundamentais da pesquisa dela sobre redes sociais. E porque ela se preocupa em se comunicar com quem está fora da academia, seus artigos e palestras são a melhor maneira de conhecer o trabalho dela - aqui uma palestra recente.

Talvez a tecnologia tenha transformado a sociedade tão rapidamente, em termos de valores e comportamento, muito em decorrência da internet, que exista um campo de silêncio entre os adolescentes de hoje e os pais deles. danah é uma das pessoas que mais obstinadamente trabalham para estabelecer conexões entre esses mundos.

Falando de dentro

Mas eu ainda não contei a parte mais importante para se entender a força do trabalho de pesquisa e das análises que ela produz. É que a internet, para ela, é mais do que o assunto da vez.

Nas palestras que eu assisti ela sempre começa falando de si, de como a internet serviu de túnel de fuga do mundo presencial para procurar pares e também para reinventar sua personalidade interagindo com outras pessoas pela Rede.

Ter ido para a academia foi uma das maneiras que ela encontrou para dar continuidade a esse experimento de auto-observação e de observação do mundo.

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