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Longe e perto - divagações sobre presença e distância online

Perto e longe - Começa o primeiro dia do Digital Age 2.0. Lessig é chamado ao palco.

A apresentação dele - esta - lembra um pouco um filme mudo com acompanhamento ao vivo de um pianista. Palavras aparecem em sequência formando frases curtas. De tanto em tanto, uma imagem. E a voz dele, costurando, dá textura e cadência para as idéias.

Ao mesmo tempo em que a presença dele é quase dispensável para que o show aconteça, tendo em vista a disponibilidade de tecnologia para colar a voz às imagens e automatizar totalmente o processo, o efeito nunca será o mesmo. E não só pelo fetiche de estar na presença dele, mas pela comunicação quase subliminar que se estabelece entre palestrante e platéia.

Intervalo. Na sequência, Seth Godin faz sua palestra ao vivo mas por teleconferência. (Pelo que eu notei, o sistema inclui um mecanismo de feedback para o palestrante ver e ouvir a audiência, mas não tenho certeza.)

Longe e perto - Contraste absoluto com Lessig. Arquetipicamente, um é o nerd e o outro é o vendedor. Ambos brilhantes a seu modo.

A presença imaterial de Seth, expandida e flutuando no palco, me lembrou o Big Brother - o original. Mas esse estranhamento se dissipa ao vê-lo naturalmente trazendo à cena seu copo de uísque para molhar as idéias, gestos e expressões faciais substituindo o Power Point.

Improvisos, um quê de palestra motivacional - tipo: pense fora da caixa, etc - mas com agilidade, repertório e articulação. (E achei legal quando ele apontou que mídia social não era uma cauda que você colocava sobre o prato principal.)

Divagações - Outro dado que eu ouvi nos bastidores do DA2.0: quando alguém entra em contato para sondar a disponibilidade do Lessig para participar de eventos, a secretária dele já avisa para tratá-lo sem intimidade, nada de dizer "Larry" e sim, em inglês, "professor" - em português, equivale a "doutor".

Já no caso de Seth Godin, é até esquisito escrever apenas "Godin" para me referir a uma pessoa cujo blog se chama "Seth's Blog".

As normas também precem produzir um efeito online.

É curioso que essas duas apresentações tenham acontecido na sequência uma da outra para se pensar - e eu não estou tirando conclusões, só compartilhando - nas nuances da "presença presencial" e da presença online.

Pinceladas do Digital Age 2.0

De cara, surpresa: havia uma célula do BarCamp atuando no evento e naturalmente aconteceram desconferências nos intervalos pelos corredores.

Sônia e Daniela Bertocchi, mãe e filha, participaram pela primeira vez juntas de um evento profissional. Eu já conhecia uma e outra em situações independentes, mas não tinha associado os nomes.

Logo antes da palestra do Lessig, ou logo depois, conheci os famosos Cris Dias e Fábio Seixas. Um pouco antes, conheci o Alex Primo na sala de imprensa. Mas não deu quase pra conversar. Expectativa que esses papos aconteçam no final do ano no FMSD em Curitiba.

No fim da palestra do Lessig, tietagem meio desastrada que o Targa flagrou. Saldo: meu livro na biblioteca de Stanford ;-)

Fui com a expectativa de tuitar horrores durante o evento. Não rolou, pelo menos comigo. Prefiro assistir. Quem sabe se o palestrante for ruim...

Reencontro comBeth Saad na sala de imprensa. Me lembra do velho sonho de só estudar e da velha preguiça de passar pelos rituais acadêmicos.

O Interney aparece por lá, vou trabalhar e os dois ficam falando sobre antropologia e internet.

Registro final: alguém muito conhecido na blogosfera brasileira pede fritas para acompanhar oso buco em um restaurante italiano. Não digo quem, mas tenho testemunhas. (Mas pensando agora, acho que até ficaria bom.)

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