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Desconectado

2009 foi um ano de muitas realizações. Teve a produção e o lançamento do Para Entender a Internet, a criação e gestão do projeto Adote um Parágrafo, a concepção e a execução da série Talk Show, a redação e lançamento do guia Tudo o que Você Precisa Saber sobre Twitter, além da participação como palestrante em uma série de eventos como Intercon 2009, Painel Biblioteconomia em Santa Catarina, Fórum de Comunicação do Nordeste e Vivo Twittando.

Apesar do resultado positivo, termino o ano literalmente esfolado por dentro, com uma dependência que deve ser química da adrenalina do trabalho, da ansiedade de não poder deixar de fazer muito mais do que cabe nas horas do dia e da semana.

Em função desse desejo insano de ocupar todos os espaços, deglutir todas as oportunidades, produzir e ainda saciar o intelecto, abri mão de cuidar do corpo e também de conviver com as pessoas apenas pelo prazer de estar com elas.

Não investi em amizades promissoras e não cuidei das antigas. Engordei -- na verdade, inchei -- e a minha dor nas costas hoje me faz pensar como vai ser a minha vida daqui a 20 anos. Tudo pela fome voraz de realizar.

Por ter constatado que uma parte dessa voracidade é auto-alimentada, que o estado conduz à perpetuação do estado, estou me desconectado integralmente pelas próximas duas semanas.

Não deixa de ser um esforço de desintoxicação. Eu realmente adoro o que eu faço, mas às vezes sinto que essa sensação de voracidade ocupa o vazio de outras coisas, é um jeito de não me dar tempo de sentir e estar presente.

Então, deixo aqui um abraço a quem acompanha este blog, desejando que 2010 traga para a humanidade mais realizações íntimas, capacidade de auto-obsevação, experiências verdadeiras de amizade e abnegação e chances para se amar na prática.

PS. Para quem procura uma companhia de bolso para passar o fim de ano, recomendo este livro ao mesmo tempo doce e surpreendente.

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O guia sobre o Twitter é um sucesso e a "culpa" é do Talk Labs

Você viu? A Talk criou e lançou um guia sobre o Twitter. Eu escrevi, o Pedro Albuquerque criou a capa, outras pessoas participaram. Foram 40 dias de trabalho. Juntamos todo esse conhecimento, organizamos, testamos e, ao invés de ficar só para a gente, ou para os nossos clientes, ou até vender, foi tudo para a rede, integralmente, junto com um repositório de conteúdo em português sobre o Twitter.

O resultado disso: mídia espontânea nos principais veículos, milhares de recomendações espontâneas e isentas apontando para o blog da Talk e - o principal indicativo de sucesso - 7 mil downloads em menos de 24 horas. Imagine que um livro como esse, se fosse sair impresso no Brasil, teria provavelmente 3 mil cópias que se esgotariam, com sorte, em um ano. O livro da Talk alcançou o dobro disso em menos de um dia. Interessante, não?

Mas esse livro não é um produto solto, ele está no contexto de uma iniciativa da Talk chamada TalkLabs. É ao mesmo tempo o playground, o lugar de experimentação, e também aquilo que promove a empresa para clientes potenciais e para a sociedade pelo compartilhamento de conhecimento.

O TalkLabs não é uma iniciativa rasteira. Veja o investimento para a criar e lançar o guia do Twitter: três semanas e mais uns quebrados do meu trabalho, mais o trabalho do nosso designer & artista Pedro Albuquerque, mais o trabalho de revisão e correção, mais o pagamento do cachê do Tas para produzir o prefácio. Mais infra, equipamento. É um investimento.

Esse tipo de ação é tão incomum no meio empresarial que o site Ciência Hoje de Portugal, ao anunciar o lançamento do guia, se referiu à Talk como uma editora. Desde quando empresa faz livro?

Nem o Orkut, maior sucesso da história da internet no Brasil, porta de entrada para a internet e "casa virtual" de 26 milhões de brasileiros motivou outras agências a produzirem um guia com as mesmas características. E quantas pessoas conhecem colegas de área que já "ganharam" três semanas de trabalho remunerado para produzir um livro?

O TalkLabs serve para isso: para promover a empresa de maneira diferenciada, oferecendo conhecimento e experiências relevantes e úteis para usuários da internet. O livro é um exemplo, mas existem outros.

Foi pelo Talk Labs que chegamos ao TalkShow, uma solução para produzir podcasts e entrevistas online usando o Twitter como plataforma de interação ao vivo com a audiência. E tem ainda o Adote um Parágrafo, uma ação para realizar traduções colaborativas de textos importantes sobre internet, e o MobileCamp, uma encontro presencial para as pessoas envolvidas com projetos mobile se conhecerem e trocarem idéias.

Enfim, esse é o TalkLabs e eu gostaria de ver mais empresas seguindo essa trilha.

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Três razões porque projetos grandes naufragam

Cada dia que passa tenho confirmado mais a percepção de que as coisas que fazem projetos darem errado raramente são levadas em consideração. Tecnologia e orçamento não são sinônimos de sucesso na Web. Ontem mesmo eu estava conversando sobre dois grandes projetos que naufragaram a despeito de contarem com as "melhores condições" de desenvolvimento. Veja se você concorda comigo.

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