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"Me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas"

Especialistas de determinadas áreas vêm sofrendo com a Internet. Li um artigo na revista New Yorker dizendo que a Wikipedia não diferenciava um acadêmico de um garoto de 14 anos que lê bastante. E eu sinto prazer verdadeiro sempre que encontro esses amadores, pessoas que, por exemplo, nunca escreveram profissionalmente, nunca venderam um texto, talvez nem tenham pensado em fazer isso, mas tem paixão por um assunto e isso as coloca numa posição interessante em relação ao profissional da área. O amador geralmente tem mais liberdade para dizer o que pensa, porque ele faz isso porque quer, quando quer, sempre depender de prestar contas a uma organização.

Estou fazendo essa introdução porque o post sobre o Blog do Planalto e o Twitter do Serra aproximou o que parece ser um desses amadores, o Vinicius Gorgulho, que se deu ao trabalho de deixar um longo e lúcido comentário após o texto - como o José Murilo do MinC também fez. Pedi autorização a ele para publicá-lo aqui pelo valor da reflexão e também por gratidão, na medida em que é um texto crítico ao meu, mas feito abertamente e com argumentos.

Sou um bastante preocupado com política e acho que a política partidária é o lodo do fundo da fossa da participação política no mundo moderno. Sou mais pela participação direta, via plebicitos sustentados por um modelo de educação que torne as pessoas protagonistas de suas vidas, famílias e comunidades.

PT partido sem mídia, PSDB mídia sem partido, Marina criacionista, os sombrios Demos etc. são todos farinha do mesmo saco. Nenhum deles se preocupou pra valer em fazer um projeto que revolucionasse a educação, como vários emergentes no mundo fizeram com sucesso, assegurando sustentabilidade para projetos de desenvolvimento.

Ainda que, como os outros, o foco do PT seja um projeto de poder, entre os demais é o que mais chega perto de um projeto de desenvolvimento, porque concentra esforços na distribuição de renda, coisa que nunca foi projeto de tucanos e demos.

Lula é totalmente populista, meio caudilho, messiânico, sem protocolo e muitas vezes sem noção, mas toca um projeto que já originalmente tinha vocações mais participativas que os opositores.

O problema é como novo rico político (nunca teve e agora tem muito poder) o PT come iguarias e arrota lavagem. Não prima pela gestão, nem pela idoneidade, tem rabo preso com coronéis como Sarney, mas ainda assim é menos voltado ao modelo que esvazia o estado e centraliza decisões no mercado, ou seja, no poder econômico.

Infelizmente, diante do poder, o PT se afastou da base e está cada vez mais parecido com o PSDB: são partidos de caciques. Sem mídia para fazer costas quentes, como rola com os tucanos, fica muito mais fácil para nós policiarmos os petistas.

Dito isso, acho que é muita ingenuidade esperar que blogs e twitters de partidos como esses sejam esferas de participação popular. Eles são meramente ferramentas de RP.

O blog não dialógico do planalto é simples apoio à imprensa, o modelo torcido de RP, onde só se pensa em relações com a imprensa. O twitter do Serra serve ao reposicionamento da imagem do político, um RP online com caráter mais amplo, de relacionamento com a classe média graduada ou pós-graduada e usuária pesada de internet, público notadamente formado por uma maioria de profissionais de comunicação, gente influente no engajamento da opinião pública.

Se é ele mesmo que responde eu não sei. Sei que qualquer bom profissional de comunicação pode ser um ótimo ghost writer, inclusive emulando a naturalidade do personagem.

Vale dizer também que uma mídia que oferece "peças" de 140 toques, demanda uma hiper-rotatividade e já tem credibilidade de canal de informação e opinião entre o público que mencionei, acaba fazendo o seguidor ler e "comprar" discursos subjacentes, sem muita análise do discurso a priori.

Dessa perspectiva, me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas. Marcas como José Serra.

Por fim, acho que a internet é sim "O" grande canal para operacionalizarmos uma democracia verdadeira, de participação direta em rede. Só que ela sozinha, sem um projeto de educação transformadora pode simplesmente nos transformar num povo fascistóide, comos os malucos que foram ao discurso do Obama fortemente armados.

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O Blog do Planalto é a regra, Serra tuitando é a novidade

O triste do debate sobre o Blog do Planalto é que as críticas ao produto têm mais a ver com a posição política de quem fala do que com o blog em si.

OK, o blog não permite comentários. Deduz-se que quem tem a palavra final sobre a comunicação do Presidente não entende de comunicação em rede. Nenhuma novidade nisso. Aliás, os jornais do mundo estão falindo pelo mesmo motivo.

O Blog do Planalto têm méritos. Contratou "insiders" da Web para a equipe - falo do Daniel (Duende) Carvalho e do Daniel Pádua. Se fosse a Voz do Brasil online, a assessoria de imprensa teria sido incumbida de atualizar a página e o resultado não seria diferente da grande maioria dos blogs institucionais de hoje, mantidos com conteúdo frio.

A grande surpresa, portanto, não é o Blog do Planalto ser como é. Ele é a regra, é o que se espera do blog de uma grande organização, sujeita a ataques e administrada tendo como referência o paradigma do controle da informação. O surpreendente não é o blog sem blog e sem presidente. O que não tem recebido a devida importância é um governador cara a cara com sua audiência, tuitando com a desenvoltura de um nerd.

José Serra é um político da geração do Lula, com uma trajetória que inclui combate à Ditadura e exílio. Atualmente governa o Estado mais rico da União. E está dando olé em burocracias e protocolos, passando por cima de assessores e assessorias, para se dirigir diretamente às pessoas.

O Gabeira que é o Gabeira não fez isso na disputa pela Prefeitura do Rio e não faz isso hoje, tinha na época e continua tendo uma equipe para blogar e tuitar por ele. Já o Serra - nota-se - tem o mesmo comportamento compulsivo com o Twitter que os tuiteiros mais envolvidos com o serviço: tuita de dia e de noite, inclusive pelo celular.

Isso é tão fora do esperado que já faz alguns meses que o Serra é o único governador que tuita. Nenhum outro teve a ousadia de segui-lo, nem Aécio Neves, seu rival à candidatura presidencial pelo PSDB, nem a provável candidata do Presidente, ministra Dilma Roussef.

O problema do Blog do Planalto não é ele ter ou não espaço para comentários. É ele, na prática, servir mais para jornalistas produzirem notícias do que para os cidadãos e eventuais leitores / interlocutores se informarem / conhecerem as perspectivas do Presidente. Quantas pessoas vão acompanhar esses debates, ainda mais se a área for moderada? É quase insignificante.

Se os responsáveis pela comunicação do Presidente estão com receio de liberar o diálogo, poderiam pensar no Twitter, que é mais público que comentários em blog, e podem usar o Serra como referência para ver que isso não será um bicho de sete cabeças, que dá para ser feito e que vale a pena abrir o canal de comunicação.

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Aécio Neves recebe comitiva de representantes do campo das mídias sociais

Na segunda-feira vou a Belo Horizonte, a convite do Rodrigo Mesquita, do Peabirus, para participar de um encontro do governado do Estado, Aécio Neves, com pessoas ligadas às mídias sociais no Brasil. No mesmo dia será anunciado um acordo entre na área da educação entre Minas Gerais e o Google.

O anúncio que circulou dizia de um encontro entre o governador e blogueiros. Não acho que isso seja preciso, primeiro porque cada um está responsável por pagar as próprias despesas e, em função disso, só os blogueiros mineiros poderão ir representando eles mesmos, os outros vão patrocinados pelas instituições que cada um representa. Além disso, não sei se existe uma unidade entre blogueiros e, mesmo se existir, não acredito que nós, especificamente, sejamos representantes da blogosfera.

O que na verdade está acontecendo - e não vejo nenhum problema nisso, ao contrário - é uma demonstração pública de que o governador presta atenção na internet, sente que esse será um elemento importante para quem for disputar a presidência em 2010 e quer se familiarizar mais com o assunto conversando com quem vem realizando ações na área, tanto no âmbito acadêmico como empresarial.

O mais importante de tudo, na conversa com o governador na segunda e com outros representantes do poder público no futuro, é deixar claro que o item mais caro de uma campanha online de sucesso não é tecnologia, mas entendimento. Se o candidato entender que ficou muito mais barato e acessível estabelecer conversas grupais e estiver disposto ouvir e participar, já estará com meio caminho andado, pelo menos. E quem estiver se perguntando por onde começar, recomendo a leitura deste texto do Moriael, meu colega na Talk, que é veterano da Web e também do marketing político.

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Telefonica reconhece publicamente que errou com consumidores - é uma vitória, em parte, da internet

Existem empresas que pisam tanto na bola com o consumidor que a gente passa a fazer propaganda contra. Entre as que têm esse comportamento, bem alto na minha lista, está a Telefonica.

Telefonica, para mim e para muitas pessoas, é sinônimo de péssimo atendimento ao cliente. E não é só ruim por falta de qualidade, eu sou levado a pensar que a dificuldade imposta ao cliente faz parte do plano de retenção.

Estou falando isso porque ontem eu participei, junto com um grupo de blogueiros nerds, do anúncio de um serviço novo da Telefonica, o Xtreme, que oferece entre 8 e 30 mega de banda para acesso à internet e TV à cabo. Fui sem expectativas e saí surpreso pela estratégia que a empresa deu a entender que está adotando. (Continue lendo.)

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Para onde o blog e o blogar estão indo - eis minha aposta

BlogueiroFaz tempo que este blog está em processo de mudança. Devo ter postado alguma coisa sobre isso, mas estava esperando o processo principal de implementação de novas funcionalidades estar concluído para publicar/compartilhar.

A idéia central é que apesar da mídia social ser um assunto muito importante na minha vida, existem várias outras coisas que me interessam também e que eu tenho vontade de compartilhar. Ao invés de ser uma "revista de um homem só", quis fazer deste espaço a minha presença online.

(Isso é fruto da percepção de que as redes de relacionamento podem ser constituídas de maneira descentralizada por blogs interligados pela conversa de seus autores. E também da sensação de que blogs de pessoas se valorizam pela informalidade, por se despirem dos cacoetes institucionais.)

Isso se materializa na prática incorporando a este blog outros tipos de conteúdo, mas com a preocupação de que isso fique localizado em um espaço separado de maneira a não confundir quem só esteja interessado nas reflexões e informações sobre Web colaborativa.

Segue a relação das mudanças junto com ligeira explicação sobre o motivo de cada um.

Outros interesses: Usei o Friedfeed para juntar os meus rastros na rede, incluindo: links salvos no delicious, fotos compartilhadas no Flickr, atualizações referentes à vida profissional no LinkedIn, alguns comentários enviados pelo Twitter, itens marcados para a minha wish-list na Amazon, vídeos favoritados e próprios no YouTube, entre outras coisas.

Essa informação está aparecendo na coluna da esquerda.

Postagem pelo Tumblr: O Tumblr facilita o processo de registro de coisas interessantes que vamos encontrando ao navegar pela Rede. Você acha uma coisa bacana, clica no botão que aparece no navegador e o serviço envia o conteúdo da página para uma espécie de blog.

Agora, o "motor" do NãoZero, a cada hora, checa a minha página no Tumblr para ver se tem alguma coisa nova e se tiver, traz para este blog. Assim, vou poder compartilhar coisas pequenas, passageiras, que, do contrário, ficariam de fora porque daria muito trabalho abrir o admin do blog para fazer o post.

Acesso móvel: Ter a possibilidade de acessar a Web pelo celular não é apenas um facilitador para se compartilhar conteúdo nas horas vagas. Esse conteúdo transmitido pelo aparelho móvel pode incluir contexto, informação relacionada ao espaço em que se está.

O tecladinho é um elemento que facilita a produção e publicação de texto. O mesmo equipamento, um N95 da Nokia, permite a captura de fotos, vídeo e audio em qualidade razoável - levando-se em consideração que tudo isso está dentro do mesmo aparelho.

Mas além de capturar, o bacana é ter acesso à internet por banda larga via celular para evitar ter que sincronizar o conteúdo no computador para depois publicar. Simplifico o processo cortando a etapa de sincronização com a máquina decidindo, logo ao tirar a foto, se quero compartilhá-la.

(Isso também vale para a agenda de contatos e compromissos, mantidas atualizadas do celular para a Web e vice-versa, sem passar pela HD do computador.)

Comentários inteligentes: Já tinha comentado aqui que a funcionalidade comentário é importantíssima mas estava desatualizada.

Optei por usar um serviço gratuito chamado Intense Debate, que, entre outras coisas, integra comentários a email e Twitter, permite a avaliação de cada comentário pelos usuários e disponibiliza opções para cultivar o debate enriquecedor e barrar o ruído.

Enfim, acho que essas são as principais mudanças.

Mais uma vez, agradeço de coração e publicamente ao André, por fazer as mudanças no motor do blog para que muitas dessas novidades pudessem funcionar e também por ter, junto comigo, debatido sobre o sentido e as vantagens de cada item, especificamente sobre o conceito de reunir a presença online e facilitar a postagem.

Valeu, mancebinho!

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Reinaldo Azevedo conta como fazer um blog de sucesso

Graças ao convite do Roberto Gerosa, editor-executivo da Veja.com, assisti na segunda (24) o blogueiro e jornalista Reinaldo Azevedo palestrando aos jornalistas da Editora Abril sobre como fazer um blog de sucesso.

Reinaldo Azevedo conta como fazer um blog de sucesso from juliano spyer on Vimeo.

Conheça as idéias que nortearam a criação do blog da Ruffles

A Pepsico, empresa responsável pela marca de batatas Ruffle, lançou recentemente um blog para seu público principal, que são adolescentes. A Edelman assina o projeto que se diferencia por não tentar disfarçar uma mensagem publicitária tradicional na ação online.

Os autores do blog foram garimpados em sites de relacionamento como o Orkut por serem comunicativos e hubs de conversas dentro de suas comunidades. É um projeto ousado e relacionado a uma empresa conhecida mundialmente. É feito a base de conversas que não precisam fazer referência ao produto anfitrião - só por isso já merece distinção.

Assim que o projeto foi lançado mandei algumas perguntas para a Thiane Loureiro, da Edelman Digital, que me respondeu no começo deste mês dando informações sobre os bastidores da elaboração do projeto.

O comentário é fundamental nos blogs mas a funcionalidade precisa evoluir (e parece que vai)

A primeira coisa que eu presto atenção em um blog é se ele tem comentários. Acho isso muito mais relevante do que estatísticas para se ter uma idéia rápida do desepenho do blog. O comentário mostra se o conteúdo está inspirando engajamento.

O problema é que o funcionamento do comentário continua o mesmo desde que ele apareceu. Depois de uma certa quantidade de comentários, fica desestimulante participar de uma discussão porque implica em gastar muito tempo lendo coisas que nem sempre são relevantes.

Já quem tem pouco tráfego também sofre porque o comentário fica subordinado ao post, escondido, não serve de ponte para que gente de fora chegue à discussão porque necessariamente o usuário terá que acessar o post para entrar no comentário.

Esse é um dos motivos para eu ter incluido o botão para se tuitar direto de cada post. Tudo bem que o conteúdo comentado não fique dentro do blog, em compensação, haverá mais possibilidades desse conteúdo se alastrar se as pessoas o discutirem publicamente o post.

Mas o motivo deste post é compartilhar a informação de que existe gente trabalhando justamente nesse problema. A Intense Debate, por exemplo, pretende aditivar a seção de comentários dos blogs feitos em WordPress e outras plataformas com soluções como threading, resposta por email, votação, reputação e perfils globais.

Olha que maravilha:

1) threading - um post abre multiplas frentes de discussão, mas a seção de comentários é linerar, não permite a criação de frentes de debate autônomas.

2) resposta por email - eu não preciso mais ficar acessando o site e procurando os novos comentários para acompanhar uma discussão porque isso chegará para mim pela caixa postal.

3) votação - quem observar a área de comentários do Digg, por exemplo, vai ver que maravilha é poder avaliar comentários, porque quem tem tempo para ler tudo vai fazendo uma pré-seleção para quem não tem e poderá apenas listar os mais votados.

4) reputação - por enquanto na área de comentários todos são iguais, mas e se eu participar mais intensamente, minha participação poderá aparecer em destaque ou eu poderei avaliar/moderar os outros comentários.

5) perfis globais - permite que eu seja reconhecido e construa minha reputação participando de discussões em comentários feitos em plataformas diferentes como Blogger, WordPress ou outras.

Só o WordPress.com recebe três comentários legítimos por segundo - 250 mil por dia. Imagina o impacto de se acrescentar interatividade e funcionalidades sociais entre comentários e como isso produzirá aumento de tráfego e engajamento.

Dicas finais de um blogueiro iniciante a jornalistas que queiram blogar

Eu tentei blogar algumas vezes sem conseguir. Foi só no começo do ano passado que eu entrei efetivamente para a blogosfera, primeiro usando a plataforma Blogspot do Google e depois, graças ao maninho André Avorio, neste endereço, usando uma solução mais sofisticada chamada Drupal.

Agora eu sinto falta de blogar. Se eu pudesse, dedicaria muito mais tempo a isso do que eu posso. E blogar para mim é uma atividade com multiplas finalidades.

Eu penso alto pelo blog e posso perceber até que ponto um determinado assunto gera mais ou menos repercussão, o que me ajuda a escolher o que usar como artigo na WebInsider, revista digital em que sou colunista.

Também, ao blogar, recebo uma primeira leva de feedback que me ajuda a fazer a sintonia fina do conteúdo. Meus interlocutores acrescentam suas idéias, deixam críticas e sugestões.

Eu não sou pago para blogar, mas o blog me mantém em contato com pessoas da minha área de atuação profissional, e isso abre portas para dar entrevistas - como a que gerou este post -, fazer palestras e encontrar outros interlocutores.

O blogueiro profissional e também os blogs comerciais precisam mostrar resultado quantitativo em termos de visitação, especialmente quando o modelo de negócio se baseia na publicidade.

Eu conheço pouca gente que sabe o suficiente de resultado estatístico online para mostrar o valor - ou Roi, como se diz por aí - de um blog. A melhor métrica para se ver o sucesso de um blog é, para mim, o quanto ele gera engajamento na área de comentários.

Os blogs do Pedro Dória e o Pergunte ao Urso demonstram o que eu quero dizer.

Ainda assim, concordo com o Cavallini quando ele diz que preferiria que o blog dele tivesse apenas 350 visitantes se elas fossem dos principais executivos de agências de publicidade do país. Mais do que o volume, é a qualidade de quem acompanha o blog e a interação com essas pessoas aumentando a qualidade do conteúdo.

Clóvis Rossi é blogueiro no papel enquanto a maioria dos blogs oficiais de jornais e revistas são páginas de notícias publicadas em sequência cronológica. O diferencial mais visível, para mim, é o envolvimento dele com o assunto.

Cisão de personalidade

Mês passado um conhecido meu jornalista me contou que tinha criado um blog. O curioso para mim é ele ter abrerto um espaço para expressão pessoal e escrever sobre praticamente os mesmos assuntos veiculados pelo jornal que o emprega. Ele estava entusiasmado porque conseguiu marcar uma entrevista com a Soninha, candidata a prefeita em São Paulo.

Em parte faz sentido. Ele trabalha com notícia e dedica pelo menos oito horas por dia à produção de conteúdo informativo. E apesar de já contribuir para um jornal, não é ele quem decide as pautas, e fatalmente terá que pedir autorização se for explorar assuntos polêmicos. Em seu blog ele pode fazer do jeito que quiser.

Ainda assim, é curioso notar uma certa crise existencial em jornalistas que consideram a possibilidade de criar um blog pessoal ou - pior - que recebem a solicitação de adicionar essa tarefa às suas incumbências profissionais.

Aos que pensam em fazer um blog próprio, deve ocorrer o pensamento: já escrevo por trabalho, vou escrever também nas horas vagas e por prazer?

E como os jornalistas se acostumaram a trabalhar em pautas que não dizem necessariamente respeito a própria vida e são condicionadas pelos interesses da empresa jornalística, do público-alvo e dos anunciantes, eles parecem ter mais dificuldades na hora de definir os temas para fazer um blog.

Talvez o jornalista não veja utilidade para o blog por não considerar que as coisas que ele pensa, vive e sente sejam relevantes para outras pessoas além de seus amigos e familiares.

(A maioria dos blogs de jornais que eu conheço dialogam pouco com outros blogueiros, mantém a redação despersonalizada e funcionam de certa forma como uma página de últimas notícias. Veja aqui, por exemplo, os feitos pela Folha Online e pelo Estadão.)

Ao contrário, o blogueiro já sabe sobre o que ele quer falar. O blog é extensão da própria vida.

Decidir uma pauta não é complicado porque ele escreve sobre um assunto que o interessa diretamente e está próximo de interlocutores igualmente familiarizados com o tema. Nesse contexto, se manter informado é menos uma obrigação e mais uma oportunidade de aprendizado.

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