jornalismo cidadão

Jornalismo participativo está além do que acontece nos portais

O José Murilo Junior comentou o post sobre por quê o chamado jornalismo participativo ainda não emplacou nos portais. Ele registra duas perspectivas, a de que o blog está se valorizando, por um lado, e a que a imprensa tradicional perde ao tentar se 'amadorizar' para ficar parecida com os blogs. O ponto principal que ele faz parece ser que jornalismo participativo não se limita aos canais disponibilizados pelos veículos tradicionais.

Jornalismo participativo depende de relacionamento

A Ana Brambilla justificou o fato dos portais moderarem a participação nos canais de jornalismo participativo porque inexiste um relacionamento do jornalista com o colaborador, o que descaracteriza o ambiente enquanto “comunidade”. ... Os cidadãos repórteres não se conhecem. ... Não há sentimento algum de pertença. Sendo assim, qual o interesse que essa galera vai ter para moderar aquele conteúdo e ajudar o espaço - que nem é delas - a crescer? Esse relacionamento jornalista-colaborador é requisito para um sistema de auto-moderação.

Acho que o relacionamento é o ponto central no processo de renovação do ofício do jornalista. Falei sobre isso recentemente repercutindo um post do Azenha pedindo ajuda para as pessoas que acompanham o blog dele.

O jornalista está desacostumado a ouvir e a audiência está despreparada para falar. Dá trabalho começar esse diálogo, mas é o caminho. Agora, discordo que a utilização da auto-moderação dependa disso. O Digg.com e outros sites não surgiram como veículos jornalísticos, não têm redação, não produzem conteúdo original, e o relacionamento que existe, quando existe, é entre os participantes.

Jornalismo participativo pode causar problemas com a Justiça

Falei, em um artigo recente, sobre as dificuldades dos portais fomentarem a colaboração de sua audiência. Um dos comentários apontou para um aspecto que não foi tratado no texto. O Octávio Augusto, desenvolvedor web de Curitiba, lembrou que a justiça brasileira ainda não está preparada para diferenciar a opinião do usuário da do próprio site ou veículo. Não importa o quanto esclarecedor seja seu termo de uso. O processo sempre recai sobre o veículo.

Por que o jornalismo participativo não decola nos portais?

As soluções implementadas hoje do chamado jornalismo participativo, colaborativo ou cidadão pelos principais portais de notícia brasileiros têm de novo só o nome, porque geralmente funcionam da mesma forma como as antigas seções de cartas do leitor.

A chamada internet comercial existe há quase 20 anos e os veículos de comunicação continuam se justificando: - "Precisamos filtrar a informação enviada pelos usuários para garantir a correção da notícia e não comprometer a reputação do veículo." Mas desde 1997 o site de notícias tecnológicas Slashdot popularizou a auto-moderação, que significa usar soluções para medir a reputação de usuários e compartilhar a filtragem do conteúdo entre os mais comprometidos com o site.

A ação descentralizada dos indivíduos - cada qual votando no que gosta ou não gosta - faz emergir uma ordem que revela de maneira surpreendentemente precisa os interesses da comunidade. Essa solução é mais barata porque usa a contribuição voluntária de centanas, milhares ou milhões de usuários para fazer a triagem do conteúdo. É também mais eficiente porque os editores não precisam mais advinhar o que a audiência quer. Por que nenhum dos grandes quer saber disso?

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