estudo

Facebook versus Email: Notas sobre técnicas de condução de entrevista online

Estou entrevistando para este blog duas pessoas com práticas relevantes na internet. Não vou falar sobre isso agora, mas sobre a maneira como estou conversando com cada uma.

A primeira tem 14 anos. Perguntei à irmã dela - que nos apresentou - se ela usava email. A resposta me deixou pensativo: "ela acha que sabe".

É que, para esse grupo, o email é uma espécie de comprovante de residência virtual, um instrumento com função apenas burocrática que serve quase exclusivamente para a inscrição em serviços online.

É interessante considerar o que há de diferente entre o email e o Facebook, que é a central de comunicação para adolescentes conectados.

Ambos são ferramentas sociais de comunicação, mas o email privilegia o contato de um para um. Ele cobra um custo alto de atenção porque as mensagens tendem a ser escritas individualmente para serem lidas apenas pelo interlocutor em questão.

O Facebook inverte essa lógica. É possível conversar individualmente com alguém lá dentro, mas esse não é o atrativo principal da ferramenta e sim as mensagens genéricas que demandam pouca ou nenhuma atenção. Como a mensagem não é para ninguém em específico, há menor expectativa de resposta.

Sinto a diferença do efeito das duas ferramentas no resultado das conversas que estou tendo.

Na entrevista por email, posso mandar várias perguntas porque a minha interlocutora dará, quando puder, atenção integral à tarefa de me responder. Trocamos mensagens relativamente longas.

A minha outra entrevistada responde às minhas perguntas ao mesmo tempo em que faz muitas outras coisas. Comenta, cutuca, compartilha. O resultado é que estou me condicionando a mandar uma pergunta por vez para não pedir demais de sua atenção inquieta.

Em breve, publicarei o resultado das entrevistas e vamos ver como o uso de plataformas diferentes implicará em diferenças na particpação de cada uma.

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Fundação Ford divulga pesquisa sobre transformações na comunicação global

Participei como fonte, no ano passado, de uma pesquisa internacional coordenada pela Global Partners, sob demanda da Fundação Ford. A pesquisa tinha como objetivo mapear o cenário de transformações na comunicação em âmbito global e em países de diferentes regiões.

A versão final da pesquisa está aqui. A primeira parte faz uma avaliação global em diferentes perspectivas, e foi produzida pela equipe do Global Partners em diálogo com os pesquisadores nacionais. A segunda tem os capítulos que abordam a realidade dos diferentes países.

No capítulo brasileiro, o João Brant, pesquisador responsável, tentou juntar todas as informações solicitadas com partes mais analíticas, principalmente na segunda metade do capítulo. O resultado traz um panorama de um cenário de mudanças na comunicação no mundo, desde a sua estrutura até sua incidência nas questões de direitos humanos.

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Bibliografia em inglês sobre Internet e cultura digital

Fonte:List of resources on the Social Web

History of the Internet

Critical approaches to the Internet

Internet possibilities:

Theory and background

Digital generation

Social behaviour

Popular culture

Social networks

Blogs

User-generated content

Trust, privacy and ethics

Searching, finding and collective intelligence

Impact on news, journalism and print

Business, marketing and innovation

Politics

Health

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Software

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Uma introdução (à introdução) antropológica ao YouTube

Recomendo enfaticamente que você assista o vídeo acima. Sim, são 55 minutos e está em inglês, mas você não vai se arrepender de ter "desperdiçado" esse tempo.

O vídeo apresenta uma pesquisa feita por uma turma de estudantes para um curso de antropologia. E esse é o primeiro ponto a ser ressaltado. O produto gerado não foi feito pela BBC e nem por outra mega-organização de mídia. Ele é uma criação que pode ser classificada de "caseira", algo que pode ser feito usando um laptop.

O atrativo deste vídeo não é a tecnologia ou a infraestrutura usada para produzi-lo, mas insights, criatividade e colaboração. Outro elemento importante: a presença de um orientador para estimular a participação do grupo e depois juntar os pedaços para chegar ao resultado.

Como você vai ver ao assistir o vídeo, a apresentação do projeto inclui a história do projeto: de onde veio a motivação para dar início à pesquisa e quem são as pessoas envolvidas no projeto. A descoberta é mostrada como o percurso para se chegar a cada insight, e não só o resultado em si, a conclusão.

Mais um aspecto que se destaca: o fato do grupo de pesquisa se envolver com o assunto, sair da posição de observador e se engajar, vivenciar o assunto que está sendo estudado.

É uma pesquisa sobre como estamos usando o YouTube para nos comunicarmos e sobre como isso afeta e modifica a nossa cultura. E os pesquisadores do grupo, mais do que ver de fora, passaram a produzir vídeos caseiros para experimentar a sensação de operar o equipamento e se expor.

Dessa forma, eles passam a conversar com a comunidade, a interagir com ela. E o mais bacana, o resultado da pesquisa em si não é um documento em papel escrito em linguagem acadêmica. Aliás, pode até ser isso, mas não é só isso, é também o vídeo acima, que é devolvido à comunidade via o próprio YouTube, como uma forma de retribuição, para que ela se veja e aprenda com aquilo que ela mesma ajudou a fazer.

Acho que esse é o vídeo mais bacana / inteligente / relevante / bem acabado que eu vi este ano sobre a Internet. Confira.

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Alguém conhece ações usando celular como ferramenta de inclusão?

Hoje uma pessoa me procurou perguntando se eu conheço alguma iniciativa que usa celular como ferramenta de inclusão social e digital.

Tela é pesquisadora e trabalha no estudo "Comunicaciones móviles y desarrollo socioeconomico en América Latina", uma parceria do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos - IPSO com a Universidade Aberta da Catalunha

O grupo está na fase de identificação dos casos a serem estudados. Inicialmente, eles estão focando em experiências da região metropolitana de São Paulo. Futuramente, conforme o estabelecimento de parcerias, eles têm a intenção de expandir a pesquisa para outros lugares do Brasil.




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