off-topic: Você acredita em fantasma?
Sexta-feira passada eu saí tarde do escritório para um outro compromisso. Já começava a escurecer e eu peguei o primeiro taxi livre do ponto da rua de trás.
Geralmente eu gosto de trocar idéias com taxistas, mas esse dia o motorista não tava inspirado e eu também não, então, seguimos calados, eu deixando a cabeça viajar pela janela do carro.
Pegamos a Rebouças e depois a Doutor Arnaldo. O trânsito deu uma apertadinha e do nada, quebrando o silêncio, ele virou para trás e me perguntou:
- Você acredita em fantasma?
Estávamos justo atravessando o ponto entre o cemitério, hospital Emílio Ribas e a faculdade de medicina da USP, três grandes construções e com seus simbolismos relacionados a morte.
Respondi que sim e é verdade, acredito.
Passou mais um tempinho, uns 30 segundo, e ele apontou para a esquina da Teodoro Sampaio com a Dr. Arnaldo, muito conhecida dos que vivem ou passam por ali. E me contou o seguinte:
Há uns dez, doze anos, fui levar um casal aqui perto, era por volta de 4:30 da manhã e eu estava começando a minha jornada de trabalho.
Nessa esquina, uma moça vestida de branco deu sinal, eu parei, ela entrou, pôs um buquê no banco de trás e me indicou o destino. Ela estava indo para o Bar Estadão, que fica perto do antigo prédio onde funcionava o jornal O Estado de SP, no final da Consolação.
Era uma pessoa falante e divertida e fomos conversando tranquilos. Ela contou que conhecia o dono, que lá serviam uma feijoada e que ela trabalhava como enfermeira no Hospital das Clínicas.
O caminho estava livre e estávamos passeando, quando, no canteiro da Consolação, eles viram um casal bêbado, o homem esmurrando a mulher. Eu reduzi para uns 40 km/h, abri o vidro e tentei chamar a atenção deles, para ver se eles paravam.
Quando estou virando a cabeça para dentro do carro, com o canto do olho percebo que a moça não estava mais lá. Eu não tinha ouvido porta batendo. Olhei no banco de trás e o buquê também tinha sumido.
Fiquei apavorado e continuei pela rota até o bar Estadão. Desci, estava aberto, entrei, perguntei pelo nome da pessoa que ela tinha mencionado. A pessoa existia e estava nos fundos preparando a feijoada. Pedi para falar com ele.
Ele chegou, contei a história do que tinha acabado de presenciar e ele me disse:
- Essa pessoa que voce esta falando era nossa cliente fiel e hoje estava fazendo um mês que ela morreu atropelada brutalmente na frente da Igreja da Consolação.
Justo o ponto onde ela desapareceu do carro...
Contei essa história para minha mãe, que disse que a moça estava pedindo ajuda. Ela fez as rezas e encomendou umas missas. E eu, durante muito tempo, evitei passar sozinho na frente de cemitérios à noite...
Quem quiser conhecer o taxista, fala comigo. Fiquei com o cartão dele.




