Para que serve e o que faz um gerente de comunidades?
O que faz um gerente de comunidades? Quais serão suas tarefas e como medir os resultados? O autor deste post organizou essa informação tendo como referência a área de atividade de sua empresa, que é comunicação e eventos. Vale a pena apresentar um resumo.
A função do gerente de comunidades é ser um interlocutor entre a empresa e o segmento produtivo em que ela se insere. A comunidade em questão reúne os vários integrantes do mercado: clientes, consumidores, concorrentes e parceiros.
Em termos de estratégia, ele deverá:
* Escutar e saber traduzir como a comunidade desse ramo produtivo se sente;
* Levar a voz da organização para esse mercado;
* Mobilizar essa comunidade para se engajar a oportunidades de aprendizado e educação pela perspectiva da organização e pelo relacionamento com organizações parceiras;
O gerente de comunidades acompanhará as seguintes plataformas:
* LinkedIn
* Twitter
* Facebook
* Ning
* YouTube
* Google Reader
Ele deverá registrar palavras-chave para receber alertas sobre temas específicos desse ramo de atividade, assinar blogs e podcasts do mesmo segmento produtivo e acompanhar determinadas categorias do YouTube.
Essa pessoa fará comentários em blogs apropriados, nao sobre os eventos da organização, mas sobre os tópicos discutidos - o comentário terá pelo menos o endereço do blog dela e essa será promoção suficiente. Acompanhar a discussão e comentar será sua principal atividade nos três primeiros meses.
O gerente de comunidades começará a blogar quando se sentir confortável com o espaço. Se a organização decidir criar perfis em comunidades como Facebook, ela também acompanhará os diálogos nesse front.
A maneira de medir os resultados do gerente de comunidades seria a seguinte:
* Resultados recebidos na forma de comentários de blogs, emails, mensagens de Twitter e em fóruns no prazo máximo de 24 horas.
* Número de posts de blogs de qualidade lidos e compartilhados pelo Reader.
* Número de comentários relevantes (mais que umas poucas palavras, dentro do tópico, pertinente ao espaço) em posts de blogs e vídeos apropriados bem como em outras mídias, por mês.
* Qualidade média do fluxo da conta de Twitter, contendo aproximadamente 60% de mensagens sobre o setor, 30% pessoal e 10% sobre outros assuntos.
* Mobilização no blog / comunidade / rede da organização, incluindo número de assinantes, número de comentários, número de links para outros blogs.
* Número de posts de qualidade variando entre 60 a 70% redirecionando para posts externos e 30 a 40% com conteúdo original.
* Eventualmente o número de links de outros sites para os blogs e sites da organização.
O gerente de comunidades terá alcançado o sucesso se concluir as seguintes tarefas:
* Deixar a organização mais consciente dos desejos e necessidades da comunidade.
* Construir reconhecimento da organização por esforços sem uso de marketing, medidos por menções favoráveis ou pelo menos não negativas em outros blogs, fóruns e no Twitter.
* Produzir um blog ou plataforma de mídia que seja útil para a comunidade e que cresça em número de assinantes e também em comentaristas.
Se isso acontecer, haveria um reflexo sensível no aumento da presença da comunidade em eventos virtuais e presenciais, aumento da assinatura da newsletter e aumento na comunidade de comentaristas. Isso seria considerado resultado suficiente para a organização arcar com gastos de empregados para essa função.





Comments
Juliano,
agora sim começamos a ter um "perfil CLT" para a discussão da semana passada sobre evangelistas/evangelizadores/viralizadores/gerente de redes sociais.
Você não diz de quem é essa "definição" do gerente de comunidades, mas acho que está no caminho mais adequado para se justificar experts em mídia social em um ambiente empresarial...
Show de bola...
Completa o job description sobre o qual conversamos na semana passada...
Abraços
FM
Ops... sorry... Créditos para Chris Brogan...
My bad...
FM
Meio cartesiana demais essa definição, não?
Concordo plenamente com os objetivos finais... mas discordo que isso possa ser mensurável através de olhares quantitativos.
Na escolha das plataformas utilizadas, passando pelas definições de 'tempo de resposta', comentários relevantes, blogs apropriados, etc, etc, etc concentra-se boa parte do trabalho de um 'gerente de comunidades' e o ROI disso não é assim tão simples de traduzir.
O segundo passo consiste, sim, nessa monitoria e manutenção regular dos canais - mas ele esta intimamente condicionado ao primeiro estudo do nicho de atuação dessa comunidade.
Em ultimo parênteses, de maneira alguma eu colocaria que 'caso a empresa decida adotar x'. Quem diz qual plataforma deve ou não ser adotada é o profissional das mídias sociais, cabe a ele mostrar quais são os canais que mais se adequam para criar as conversações necessárias nesse novo mundo, não?
Concordo plenamente com o último parágrafo do Pedro Markun. O "gerente de comunidades" é o cara que diz pra onde a empresa deve olhar...
Quanto aos quesitos de mensuração, realmente é difícil definir sem levar em consideração as características de cada comunidade.
A iniciativa é fundamental porque lança bases. É essencial para o mundo dos que tem o poder de contratar e de pagar ter alguma forma de controle.
Ou seja, penso que definidos os parâmetros iniciais, os ideais irão se construindo a partir das ações e interações dos profissionais. Com um pequeno detalhe, sempre serão ideais. Como o ideal do excelente engenheiro, programador, jornalista etc.
A discordância do Pedro quando à mensuração por critérios quantitativos é compreensível. Mas, faz parte do mundo da gestão adotar indicadores de desempenho quantitativos. Sem isso as decisões ficam muito na dependência da percepção do sujeito tomador de decisões.
Vejo que o indicador quantitativo de desempenho pode e deve ser utilizado pelo próprio avaliado, a seu favor, quando se consegue um consenso no que é válido. Neste ponto o capítulo 7 do Conetado me serve como iluminador dos poossíveis caminhos a seguir.
Se examinarmos direitinho veremos que na verdade há muito de "qualitativo", e não poderia ser diferente, no conteúdo:
Resultados no máximo 24h... . (A capacidade de resposta/reação às comunicações em até 24 horas não sigifica necessariamente que o profssional tenha que produzir neste prazo todas as argumentações necessárias. Vejo isto como a necessidade de mostrar, em tempo, que estamos cientes da comunicação, responder de imediato se possível, caso contrário agendar uma resposta. Trata-se de mostrar respeito e atenção com o público que interage com o negócio ou com o profissional);
Número de posts de blogs de qualidade... e Número de comentários relevantes...(Poderia começar questionando o que são blogs de qualidade e blogs sem qualidade, mas, o intuito não é polemizar e sim clarear, por isso coloco a questão: foi indicado o número satisfatório? Aquí nitidamente temos um critério ainda "qualitativo" disfarçado de quantitativo);
Qualidade média do fluxo da conta de Twitter... (Isto, devido às minhas limitações, acho absolutamente complicado de mensurar. Além do mais, fico pensando no impacto deste tipo de controle na espontaneidade do profissional. Interessantemente, o autor coloca um "talvez" de dúvida na sua distribuição de prioridades. Claramente vê-se que ele ainda está ponderando a questão. Nesse caso, quero acreditar que a própria "lógica" do socialweb world vai mostrar o que é válido ou não);
Mobilização... incluindo número...( Este ponto reforça a questão do compreensão e do desenvolvimento de algoritmos sociais e automoderação. O autor, que parece ter conhecimento de vanguarda no assunto, certamente conta com estes elementos em sua visão.);
Número de posts de qualidade variando...conteúdo original (Aquí cabe uma conceituação mais precisa para cada caso. Além do termo "original" ser ambigüo, no post o autor menciona que há proposta de outros percentuais. Como era de se esparar, percebe-se então que há uma discussão paralela sobre o assunto.);
Eventualmente número de links... (Aquí, como nas outras quantificações, de forma coerente, não estão definidas quantidades ideais, mas sim uma proposta de critério. A adoção destes, construção de outros, definição de ideais ainda requer toda uma base, digamos "qualitativa". Assim, talvez seja questão de ponderar a responsabilidade dos adotantes de critérios de avaliação de desempenho na escolha dos critérios e ou/ das pessoas que definiram os critérios. Mas isto já é uma nova discussão.).
Abraços,
Orlando
Orlando,
da forma que vejo, a 'nova discussão' que você puxa no final do comentário é a real discussão que precisamos ter. É preciso criar esse entendimento nas empresas. E não digo que as várias métricas colocadas pelo Chris Brogan sejam invalidas, muito pelo contrário, são lucidas e fazem todo o sentido (ou não) - dentro de um determinado contexto.
Meu ponto é que não existe critério absoluto para mensurar os resultados de relações sociais. E buscar artifícios numéricos para mostrar um retorno de investimento é dar um tiro no pé. Existe uma combinação entre quantidade objetiva e qualidade subjetiva que não se consegue traduzir propriamente.
Por fim, convoco Brian Solis, em um dos (imho) mais assertivos posts sobre mídias sociais:
'This isn't the post for ROI, but I will ask, how do you evaluate the ROI of your best friends in real life?'
http://www.briansolis.com/2008/04/will-real-social-media-expert-please.html
Cultura, linguagem e comunicação. Markun, eu acho que é uma questão de cultura, linguagem e comunicação também. Aliás, o que não é?
Valeu pela dica do Brian Solis! Li, acho que entendo, e gosto de concordar com o ponto de vista.
O ponto pode parecer utópico para alguns, oportunista para outros etc, mas também gosto de acreditar que na socialweb se estabelece quem de fato participa, se interessa, convive, constrói conjuntamente.
Quando digo que acho que é uma questão de cultura, linguagem e comunicação é também porque faço distinção entre ROI e Medida de Desempenho Profissional.
Penso que, talvez, para aqueles (como eu disse que detém o poder de contratar e pagar) que não estão tão familiarizados e que a cultura dominante de certa forma não permite compreender este universo, criar parâmetros como este é uma forma importante de lhes dar pecepção de controle sobre o desempenho das pessoas que eles contratam!! Por isso, mais ou menos dentro da "nova discussão":
1. Penso que seja importante construir estes parâmetros para permitir que pessoas, "verdadeiros" praticantes da socialweb, consigam espaço para serem remunerados e viverem do que gostam e fazem bem;
2. Gosto de acreditar que o meio complexo e "completamente incontrolável" desta realidade só precisa destes parâmetros para o acesso, o restante não dá para saber onde vai chegar.
Abraço,
Orlando
ps. Juliano: tem algo aqui como feed ou assinatura de acompanhamento para os comentários?
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