Publicidade 2.0: Leo Burnett recebe blogueiros e IThink defende internet sem modismos

Historicamente, na internet, comunidades e ambientes colaborativos geram tráfego mas não trazem receita porque os anunciantes têm medo de ter suas marcar expostas em ambientes sem moderação editorial.

No tempo que eu comecei a trabalhar com internet, os portais usavam as comunidades para gerar resultado, mas só sobreviviam vendendo anúncios em áreas de conteúdo editorial que quase ninguém lia.

Faz dez anos que o desafio é mostrar ao mercado que não dá para tratar a internet como broadcast. Mas depois de participar de dois eventos na semana passada, finalmente tenho a sensação de que a mensagem (não o modismo) está sendo assimilada.

Na quarta-feira, fiz parte da turma de blogueiros que visitaram a agência de propaganda Leo Burnett para uma conversa franca com a turma de criação. No dia seguinte, estive no Think Success, um evento da agência IThink.

Quem sempre falou está querendo ouvir

O evento com os blogueiros - terceira edição da Café com Blog, encontro organizado pelo jornalista Manoel Fernandes da Bites - valeu pela conversa, pelo networking, mas o que me impressionou foi o fato de o convite ter vindo da Leo Burnett, uma agência estabelecida, com a participação entusiasmada do publicitário e VP de criação Ruy Lindenberg.

Ruy Lindenberg

Como disse o Cavallini, as agências vem sendo a parte conservadora do negócio e tendem a manter o processo da maneira como ele sempre foi feito. Anúncios em TV e jornais rendem mais e supostamente têm menos chance de dar errado.

Se uma grande agência toma a iniciativa de abrir um canal de comunicação com blogueiros com a intenção de tirar dúvidas e aprender, é porque devem estar preocupados com a perspectiva de ficarem para trás.

Mídia social é arriscado, e daí?

No dia seguinte, às 8 horas da manhã, eu estava no lobby das salas de cinema do shopping Kinoplex para participar como debatedor do Think Success junto com Luli Radfahrer, Manoel Fernandes, Índio Brasileiro, Bob Wollheim e Marcelo Tripoli, o dono da agência.

Antes

A idéia da agência é simples: participar de um evento internacional - no caso, um congresso sobre marketing boca-a-boca - e, de volta ao Brasil, fazer um apanhado do que aconteceu e apresentar para clientes em potencial.

Além da boa idéia, teve a boa execução da idéia. Ambiente confortável, apresentação hi-tech, conteúdo relevante, ótimo serviço, tudo isso oferecido junto com a oportunidade de fazer networking e empacotado para caber em apenas uma manhã.

Marcelo Tripoli

Mas não é de hoje que vemos apresentações sedutoras sobre o potencial da internet. O diferente desta foi que a mensagem não prometia um futuro cor de rosa para quem se convertesse à chamada Web 2.0. Ao contrário.

A apresentação do Marcelo deixou claro que nenhuma campanha de mídia social vai resolver o problema de um produto ou serviço. Se o que a empresa oferece não é satisfatório, as pessoas vão falar mal. E isso vai acontecer independente da vontade da empresa.

Em resumo: já estão oferecendo internet sem modismos. E nem custa tão caro, mas depois dela, o seu negócio já não será o mesmo.




Comments

Juliano, é aquele negócio... as empresas temem as redes onde não conseguem controlar o conteúdo de alguma forma porque poucas companhias realmente se prezam a entregar o arroz com feijão, ou seja, cumprir apenas com o que prometem. Aí vem aquele enxurrada de críticas, os caras ficam "bravinhos" e fogem dessas iniciativas do gênero. O negócio de arriscar e ver no que dá anda mais longe no meu ponto de vista porque os consumidores também estão menos tolerantes. Errou, danou-se, vai ficar um tempão para recuperar o prestígio. Lembro do caso da LG, com o Safari Urbano. O que teve de gente que desceu o porrete não está escrito. Uai, mas foi uma tentativa que pode ou não dar certo, há sempre um risco embutido. Mas acho que o próprio meio vai se encarregar de separar o que vale - tanto para as empresas quanto para os consumidores - do que não presta.

Esse discurso é muito parecido com o de assessoria de imprensa. As empresas acreditam que se contratarem uma assessoria vão aparecer nas páginas amarelas da Veja na semana seguinte e que isso vai fazê-las vender rios em produtos e serviços, quando na verdade é algo institucional e muitas vezes intangível. Está relacionada à marca, mas a assessoria não pode ser responsabilizada por vender ou não. E essa discussão acontece faz muitos e muitos anos. Com as mídias sociais não vai ser muito diferente.

Ju,

Muito animador ler esse teu post.

Há um tempão venho defendendo essa aproximação - sem a obrigação de haver o apelo comercial num primeiro momento - como forma de troca de idéias e aprendizado coletivo.

O pessoal de propaganda tem muito a aprender mas, em igual ou maior medida, muito a ensinar também, especialmente sobre comunicação como business.

Abs

Juliano, grata a surpresa ao ver vc, pois estive presente no evento, e só meia hora depois caiu a ficha de onde o conhecia.. Fiz Objetivo paulista com vc... Hj trabalho com a área de internet em uma ONG, em um projeto que terá tudo a ver com comunidades.. Que pena os meus neurônios tão loucos... fui lerdo pra lembrar. Parabéns pelo blog e pela carreira.. aceleradíssimo como sempre! Um grande abraço,

Erik

erik, me mande um email juliano arroba naozero ponto com ponto br

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