Muita gente desencanou do Twitter por não ter pego a finalidade da ferramenta
Já escutei muita gente reclamando que o problema do Twitter são as mensagens em que o cara fala o que está fazendo no momento. Tipo:
- Comendo pastel na feira.
Eu fazia coro com essas pessoas. Para mim, o ideal seria usar o Twitter apenas pra fazer circular coisas interessantes que vamos pescando na rede ou também abrir conversas maiores publicando links para posts do meu blog.
Mas esses dias caiu a ficha em relação a essa ferramenta. O post mais adequado - e me arrisco a soar ou arrogante ou completamente óbvio dizendo assim - para o Twitter traz um início de bate-papo porque a função do Twitter é semear conversas. (E de uma maneira diferente das que se tem pelo MSN porque você não sabe exatamente quem está do outro lado da linha.)
De certo modo, o Twitter é uma rede de transmissão de epifanias. O que circula não é a informação seca, mas algo que talvez muito sutilmente una você a uma possível coletividade.
Não precisa ser reflexão profunda e não tem público definido, mas meio que termina com reticências para quem por acaso pegar o bonde, acrescentar seus três centavos. E se isso não acontecer, também não é para se cortar pulsos.
Nesse sentido, entendo o que o Pedro Markun quer dizer quando fala que o Twitter é parecido com o "fluxo de pensamento joyceano", que você não reflete para participar, mas reage, descarrega estalos da consciência que não precisam ter destino ou forma definidos.
Mas acho que dito dessa maneira, dá a entender que o Twitter seja uma ferramenta individualista, para o sujeito despejar o que tem a dizer, quando o bacana da ferramenta é perceber como ela de certa maneira emula (existe essa palavra em português?) sinapses.
Vejo as conversas pelo Twitter formando trilhas de idéias e informação a partir da associação do que cada ponto do nós faz com a informação que recebe. Tudo geralmente despretencioso, mas ainda assim, construindo correntes de comunicação.
Enfim, este post traz uma idéia ainda em fase de processamento. Se alguém quiser jogar seus três centavos... ;-)



Comments
dia desses li uma nota na TPM sobre Twitter. fiquei constrangido pela revista - a impressão q eu tive foi a de q todo o texto foi construído a partir do "what are you doing?".
inclusive a entrevista com a psicológa, malhando a "exposição excessiva", "narcisismo internético" ou sei lá q outra bobagem.
concordo contigo. é ruim quando se coloca gente que nao usa a ferramenta pra falar sobre ela.
A "twittagem" me garantiu boas descobertas. O NãoZero é uma delas. Há ruído no Twitter? Sim, e bastante. Porém, coisas legais acontecem. Lembro que a ação do Axe chocolate chegou-me pelo Twitter pouco antes de eu subir da Faria Lima para a Paulista. E pude olhar pra moça lá na janela com uma cara de feliz "sabedoria".
Ok, meu exemplo é bobo. Mas ilustra que a ferramenta tem seus méritos. Desistir do Twitter é como não ver mais TV só por causa do Faustão.
Oi Juliano! Eu ainda não consegui ver uma conversa desencadear de verdade no Twitter, me parece sim uma coisa de uma mão só, mas útil para (claro, tudo depende da rede que se forma, quem se segue) para dicas sobre internet. Sei lá; mas tem gente que leva muito literalmente o "what are you doing", inclusive eu já levei e às vezes levo, acho que é meio narcísico sim, e não teria como não ser! Abraços
Dani
dani, isso depende de uma questao que eu nao coloquei no texto: que o usuário do twitter tenha uma rotina online, seja esse online sentado na frente do computador, ou seja ele conectado pelo celular - o que é ao mesmo tempo neurótico e ideal. é como se voce tivesse no mesmo escritório/casa/ambiente de convivência com outras pessoas pelas quais voce se interessa e deseja compartilhar uma parte da sua vida - seja pessoal ou profissional.
leandro, acho que a questão do twitter é geracional. fiquei com a sensação, graças ao twitter, pela primeira vez, de estar ficando obsoleto, de nao estar a fim de fazer o esforço para ficar integralmente ligado. eu ainda esqueço de ligar meu cliente de twitter (talvez deva deixar no automático). Enfim, nao estou exatamente respondendo à tua pergunta, mas meio que dividindo contigo o que o seu comentário mei sussitou (é assim que escreve???).
Daniela, eu fiquei com a mesma impressão sobre o Twitter como sendo uma via de mão única. Acho ruim que as conversas não possuam elos - um reply não aponta para o post que o "inspirou", por exemplo, e não permite que as pessoas fora dessa conversa acompanhem.
@Juliano: Depende do que a pessoa faz do Twitter, ele é flexivel demais para se definir uma finalidade correta (e a definição dada pelo site, convenhamos, foi a pior das possibilidades). Eu adotei o Twitter com o conceito de microblog mesmo, para postar e acompanhar aqueles pequenos pensamentos que a gente tem à todo momento e que se perdem se não tivermos um bloco de notas à mão. Idéias pequenas demais para se postar em um blog, e grandes demais para serem perdidas. Pra acompanhar blogs, melhor usar RSS (assim eu não perco nada), e pra encontrar novidades uso o Delicious.
É verdade, mas muita gente usa o twitter pra exibir sua popularidade na rede. "olha, tem 700 pessoas me seguindo, eu sigo apenas 150". Portanto acho que além disso tudo, o twitter tb pode ser uma ferramenta ótima para quem se auto-cultua.
Post new comment