Procura-se bons tutoriais sobre Internet

Quero montar um livro em PDF - registrado com licença Creative Commons - reunindo tutoriais sobre como usar serviços como WordPress, Flickr, Delicious, Twitter, etc. A aposta é que, fazendo uma pequena triagem e reunindo esse material em um só arquivo, a utilidade do conteúdo se multiplicará.

Se você tem tutoriais prontos no seu blog ou conhece algum existente em português, publique-o no Delicious com a tag livrotutorial. Se você não sabe usar o Delicious, pode aprender lendo este tutorial do MeioBit ou me passar o link por email.

Existem tutoriais feitos em vídeo e também em apresentações, mas, para este formato, é necessário que ele seja prioritariamente em texto, de preferência incluindo links e imagens ilustrativas.

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"Me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas"

Especialistas de determinadas áreas vêm sofrendo com a Internet. Li um artigo na revista New Yorker dizendo que a Wikipedia não diferenciava um acadêmico de um garoto de 14 anos que lê bastante. E eu sinto prazer verdadeiro sempre que encontro esses amadores, pessoas que, por exemplo, nunca escreveram profissionalmente, nunca venderam um texto, talvez nem tenham pensado em fazer isso, mas tem paixão por um assunto e isso as coloca numa posição interessante em relação ao profissional da área. O amador geralmente tem mais liberdade para dizer o que pensa, porque ele faz isso porque quer, quando quer, sempre depender de prestar contas a uma organização.

Estou fazendo essa introdução porque o post sobre o Blog do Planalto e o Twitter do Serra aproximou o que parece ser um desses amadores, o Vinicius Gorgulho, que se deu ao trabalho de deixar um longo e lúcido comentário após o texto - como o José Murilo do MinC também fez. Pedi autorização a ele para publicá-lo aqui pelo valor da reflexão e também por gratidão, na medida em que é um texto crítico ao meu, mas feito abertamente e com argumentos.

Sou um bastante preocupado com política e acho que a política partidária é o lodo do fundo da fossa da participação política no mundo moderno. Sou mais pela participação direta, via plebicitos sustentados por um modelo de educação que torne as pessoas protagonistas de suas vidas, famílias e comunidades.

PT partido sem mídia, PSDB mídia sem partido, Marina criacionista, os sombrios Demos etc. são todos farinha do mesmo saco. Nenhum deles se preocupou pra valer em fazer um projeto que revolucionasse a educação, como vários emergentes no mundo fizeram com sucesso, assegurando sustentabilidade para projetos de desenvolvimento.

Ainda que, como os outros, o foco do PT seja um projeto de poder, entre os demais é o que mais chega perto de um projeto de desenvolvimento, porque concentra esforços na distribuição de renda, coisa que nunca foi projeto de tucanos e demos.

Lula é totalmente populista, meio caudilho, messiânico, sem protocolo e muitas vezes sem noção, mas toca um projeto que já originalmente tinha vocações mais participativas que os opositores.

O problema é como novo rico político (nunca teve e agora tem muito poder) o PT come iguarias e arrota lavagem. Não prima pela gestão, nem pela idoneidade, tem rabo preso com coronéis como Sarney, mas ainda assim é menos voltado ao modelo que esvazia o estado e centraliza decisões no mercado, ou seja, no poder econômico.

Infelizmente, diante do poder, o PT se afastou da base e está cada vez mais parecido com o PSDB: são partidos de caciques. Sem mídia para fazer costas quentes, como rola com os tucanos, fica muito mais fácil para nós policiarmos os petistas.

Dito isso, acho que é muita ingenuidade esperar que blogs e twitters de partidos como esses sejam esferas de participação popular. Eles são meramente ferramentas de RP.

O blog não dialógico do planalto é simples apoio à imprensa, o modelo torcido de RP, onde só se pensa em relações com a imprensa. O twitter do Serra serve ao reposicionamento da imagem do político, um RP online com caráter mais amplo, de relacionamento com a classe média graduada ou pós-graduada e usuária pesada de internet, público notadamente formado por uma maioria de profissionais de comunicação, gente influente no engajamento da opinião pública.

Se é ele mesmo que responde eu não sei. Sei que qualquer bom profissional de comunicação pode ser um ótimo ghost writer, inclusive emulando a naturalidade do personagem.

Vale dizer também que uma mídia que oferece "peças" de 140 toques, demanda uma hiper-rotatividade e já tem credibilidade de canal de informação e opinião entre o público que mencionei, acaba fazendo o seguidor ler e "comprar" discursos subjacentes, sem muita análise do discurso a priori.

Dessa perspectiva, me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas. Marcas como José Serra.

Por fim, acho que a internet é sim "O" grande canal para operacionalizarmos uma democracia verdadeira, de participação direta em rede. Só que ela sozinha, sem um projeto de educação transformadora pode simplesmente nos transformar num povo fascistóide, comos os malucos que foram ao discurso do Obama fortemente armados.

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"Comprar samba? Você está maluco?" Ou o que Cartola tem a dizer sobre a pirataria

O texto abaixo é a transcrição de uma das falas do Cartola, compositor iluminado de sambas, durante o programa MPB Especial transmitido originalmente em 1973 pela TV Cultura.

Sempre que escuto esse trecho, fico pensando em P2P, compartilhamento e tudo o mais que passou a ser assunto de debate depois da popularização da Rede. E o curioso é a reação do Cartola diante da proposta de comprarem um samba dele: “comprar samba, você está maluco? Não vendo coisa nenhuma.”

Leia o depoimento e, na sequência, faço algumas observações breves.

Um dia apareceu lá no morro o Mário Reis, querendo comprar uma música. Estava com outro rapaz, que veio falar comigo. ‘O Mário Reis está aí e quer comprar um samba teu’. Fiquei surpreso: ‘O quê? Querendo comprar samba, você está maluco? Não vendo coisa nenhuma’.

No dia seguinte ele voltou e me levou até o Mário Reis. Ele confirmou. ‘É, Cartola, quero gravar um samba seu. Fique tranqüilo, seu nome vai aparecer direitinho. Quanto você quer por ele?’ Pensei em pedir uns 50 mil réis. O outro rapaz falou baixinho: ‘Pede uns 500 mil’. Eu disse: ‘Você está louco, o homem não vai dar tudo isso’.

Com muito medo, pedi os 500 mil. Em 1932, era muito dinheiro. O Mário Reis respondeu: ‘Então eu dou 300 mil réis, está bom para você?’.

Bom, ele comprou o samba mas não gravou. Quem acabou gravando foi o Chico Alves.”

Essa reação tão cheia de estranhamento e espontânea dá o tom de como, naquele momento, soava de maneira bizarra a idéia de se comercializar algo como um samba.

Ninguém come samba, nem se deposita samba em banco. Como estabelecer o valor de algo impalpável como uma canção, algo que não pode ser aprisionado a partir do momento que cai na boca das pessoas.

O raciocínio do Cartola parece ser algo assim: “meu samba vale na medida em que as pessoas o cantam, mas, se isso acontece, ele deixa de ser só meu e passa a ser também dos outros. Como vou vender uma coisa que já é dos outros?”

O Mário Reis, que se oferece para comprar o samba, aparentemente já está vivendo dentro da lógica das emissoras de rádio e da indústria nascente do disco. Para ele, faz sentido o processo artificial que tornou escasso um produto informacional e portanto naturalmente abundante.

Mário Reis inclusive menciona indiretamente o princípio que justifica o comércio de bens informacionais. Ele diz: “fique tranquilo, seu nome vai aparecer direitinho” e o que está por trás motivando essa preocupação é o direito de autor, a solução jurídica que dá a base para que esse modelo de indústria criativa cresça, permitindo que criativos profissionais vivam de sua produção.

A cabeça do Mário Reis é a que olha para o compartilhamento de músicas na rede e enxerga a contravenção, a pirataria, mas a do Cartola mostra como a coisa não é definitiva, como não existe uma verdade absoluta no posicionamento das gravadoras, que a motivação tem a ver não com a Justiça, mas com regras e hábitos que durante muitos anos sustentaram uma determinada indústria.

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"Quando entramos no clássico modelo de debate competitivo, construímos pouco"

Falar de assuntos relacionados a política fatalmente atraem trolls - pessoas que não se identificam e que atacam o texto por motivos que nem sempre ficam claros. O bacana, o outro lado da moeda, é receber feedback construtivo de pessoas que estão do lado que seria o da oposição.

Já falei algumas vezes do meu respeito pelo José Murilo Junior, que é um dos responsáveis por projetos relacionados a Internet no Ministério da Cultura. Ele deixou um comentário longo no meu texto sobre o Blog do Planaldo e as tuitadas do Serra. Leia abaixo a íntegra dessa mensagem e veja como uma pessoa pode discordar construtivamente, acrescentando ao debate e sem precisar se esconder. Valeu, Murilo.

Alô Juliano, Seu post é muito bom. A parte mais inspirada para mim '... as críticas ao produto (blog do planalto) têm mais a ver com a posição política de quem fala do que com o blog em si'.

Todos temos nossas preferências políticas, e quando entramos no clássico modelo de debate competitivo, construímos muito pouco.

A Rede embaralha um poucos estes modelos clássicos, não é? Foi mais ou menos o que apontei no texto 'Por uma cultura digital participativa', que integra os documentos de apresentação do 'Fórum da Cultura Digital Brasileira' (culturadigital.br), processo lançado recentemente pelo Ministério da Cultura.

Um pouco de história: em minha experiência de implementação web no governo, tive a honra de assessorar o prof. Bresser, então ministro da administração e reforma do estado, em um chat aberto (ele mesmo) com os servidores públicos sobre a extinção do RJU (regime jurídico único). Isto aconteceu ainda no século passado (1999), e até hoje nenhuma autoridade brasileira foi tão arrojada no uso da web, posso assegurar.

Mas depois de viver a experiência da gestão Gil no MinC, que alavancou uma sofisticada reflexão sobre os impactos do digital na cultura, e agora a gestão Juca Ferreira, que se empenha em traduzir a reflexão em prática, posso afirmar que a sensibilidade para as possibilidades do digital não são prerrogativas de partidos ou movimentos. Exige antes de tudo uma postura de abertura, e de colaboração.

O uso de blogs e twitter faz parte do dia-a-dia do MinC há muito. Fomos pioneiros em tudo, inclusive no uso do wordpress para gerenciar um portal institucional (em 2007), o que foi estratégico para implementar a cultura da transparência e demonstrar a importância da conversa online com públicos usuários.

É por isso que digo: novidade mesmo é a rede social do culturadigital.br - 'um novo jeito de fazer política pública' ;-)

"As pessoas mais criativas jamais estão reunidas todas em uma só empresa, ou governo, ou organização, ou país. Abrir os processos de construção de políticas públicas na rede, facilitando a colaboração dos interessados, é uma iniciativa quase óbvia neste início de século. Promover a inovação distribuída em questões de governança pode qualificar a democracia, transformar a sociedade." (Por uma cultura digital participativa).

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Entrevista com Ricardo Dominguez, um dos fundadores do Movimento Zapatista no ciberespaço

Fiz essa entrevista entre 2000 e 2001. Estou republicando-a aqui para quem tiver interesse no assunto ativismo e internet.

Quando encontrei Ricardo Dominguez, numa tarde ensolada de sábado em Nova York, estava determinado a fazer uma entrevista curta, de no máximo 15 minutos, para escrever uma crônica de duas páginas sobre personagens novayorkinos.

Ricardo parece um personagem de revista em quadrinhos. Veste roupas escuras - mesmo em tardes de sábado ensolaradas -, usa um óculos meio quadrado e de aro grosso que tem um ar antipático de algumas professoras primárias que eu tive. É 'xicano', filho de mexicanos nascido nos EUA, mas não tem características particularmente indígenas.

O cabelo dele, escuríssimo, é engomado no estilo anos 50 e sua franja é moldada num discreto espiral do lado direito da testa. É difícil, pela aparência, acreditar que ele seja um dos militantes mais ativos do movimento internacional de apoio aos zapatistas de Chiapas, no México.

Apesar dessa look estranho, Ricardo é muito cordial e bem humorado. Tem uma voz funda que - denunciando sua formação de ator - ele explora dramaticamente enquanto conversa.

Antes de começar a gravar, expliquei a ele que eu - e provavelmente a maioria dos possíveis leitores da entrevista - sabíamos o que adultos de classe média com formação universitária no final do século 20 sabem sobre internet e computadores.

Ele entendeu a proposta e narrou sua história desde o princípio, de uma forma quase elementar, permitindo pacientemente que eu o interrompesse quando tivesse dúvidas. Isso possibilitou que assuntos tão diferentes como Movimento Zapatista, Pós-modernidade, desobediência civil e ciberespaço se entrelaçassem e juntos se explicassem.

No começo, eu queria contar uma história curiosa. Mas duas horas depois, quando a entrevista terminou, percebi que o conteúdo gravado pode ajudar pessoas que, como eu, ainda não encontraram um conceito e uma prática para exteriorizar o desgosto pela miséria e a violência do mundo hoje.

Dedico essa entrevista à minha amiga Andrea Paula dos Santos, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, que por alguns motivos óbvios e outros não tão óbvios, esteve na minha cabeça durante todo o processo de gravação e edição deste texto. Clique para abrir o texto completo.

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O Blog do Planalto é a regra, Serra tuitando é a novidade

O triste do debate sobre o Blog do Planalto é que as críticas ao produto têm mais a ver com a posição política de quem fala do que com o blog em si.

OK, o blog não permite comentários. Deduz-se que quem tem a palavra final sobre a comunicação do Presidente não entende de comunicação em rede. Nenhuma novidade nisso. Aliás, os jornais do mundo estão falindo pelo mesmo motivo.

O Blog do Planalto têm méritos. Contratou "insiders" da Web para a equipe - falo do Daniel (Duende) Carvalho e do Daniel Pádua. Se fosse a Voz do Brasil online, a assessoria de imprensa teria sido incumbida de atualizar a página e o resultado não seria diferente da grande maioria dos blogs institucionais de hoje, mantidos com conteúdo frio.

A grande surpresa, portanto, não é o Blog do Planalto ser como é. Ele é a regra, é o que se espera do blog de uma grande organização, sujeita a ataques e administrada tendo como referência o paradigma do controle da informação. O surpreendente não é o blog sem blog e sem presidente. O que não tem recebido a devida importância é um governador cara a cara com sua audiência, tuitando com a desenvoltura de um nerd.

José Serra é um político da geração do Lula, com uma trajetória que inclui combate à Ditadura e exílio. Atualmente governa o Estado mais rico da União. E está dando olé em burocracias e protocolos, passando por cima de assessores e assessorias, para se dirigir diretamente às pessoas.

O Gabeira que é o Gabeira não fez isso na disputa pela Prefeitura do Rio e não faz isso hoje, tinha na época e continua tendo uma equipe para blogar e tuitar por ele. Já o Serra - nota-se - tem o mesmo comportamento compulsivo com o Twitter que os tuiteiros mais envolvidos com o serviço: tuita de dia e de noite, inclusive pelo celular.

Isso é tão fora do esperado que já faz alguns meses que o Serra é o único governador que tuita. Nenhum outro teve a ousadia de segui-lo, nem Aécio Neves, seu rival à candidatura presidencial pelo PSDB, nem a provável candidata do Presidente, ministra Dilma Roussef.

O problema do Blog do Planalto não é ele ter ou não espaço para comentários. É ele, na prática, servir mais para jornalistas produzirem notícias do que para os cidadãos e eventuais leitores / interlocutores se informarem / conhecerem as perspectivas do Presidente. Quantas pessoas vão acompanhar esses debates, ainda mais se a área for moderada? É quase insignificante.

Se os responsáveis pela comunicação do Presidente estão com receio de liberar o diálogo, poderiam pensar no Twitter, que é mais público que comentários em blog, e podem usar o Serra como referência para ver que isso não será um bicho de sete cabeças, que dá para ser feito e que vale a pena abrir o canal de comunicação.

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Chegaram algumas críticas pertinentes ao último post

A Web dá muita margem para troll, que é quando as pessoas ficam brigando, se provocando e se ofendendo sem chegaram a lugar nenhum. Em relação ao meu último post, diferente de troll, recebi algumas críticas pertinentes e quero retribuir a boa vontade e o interesse dessas pessoas respondendo a alguns pontos aqui.

A minha amiga e jornalista Ariane Mondo me mandou um direct pelo Twitter dizendo:

A única coisa que me deixou reflexiva foi o fato de não sabermos da existência do site da campanha até as discussões explodirem. Daí fica uma sensação estranha ao, de repente, retuitar um link legal que contém a marca de uma campanha sem saber que se está fazendo isso.

Na área de comentários do blog, o huno disse algo parecido:

Enfim, se o objetivo é ganhar uns trocados, que se ganhe com mais transparência: "eu também vou usar esse espaço para publicidade a partir de hoje, ok, seguidores? Quando for usada a tag-ganha-pão, não se assustem". ... Se isso não ficar claro, é publicidade velada sim. Não adianta espernear.

Os dois têm razão. Vejo, no entanto, alguns problemas em relação a isso no texto do Maurício:

1. Da maneira como está dito, parece que isso foi parte da estratégia da campanha, quando não foi. Os participantes tanto tiveram liberdade para falar sobre a campanha que vários deles postaram.

2. O texto dele dá margem para se pensar que eu tentei manipular as pessoas escondendo a participação na campanha. Quem me acompanha por este blog sabe - e quem não acompanha, pode verificar - que a síntese do meu trabalho é ser ao mesmo tempo o cientista e a cobaia explorando e relatando o que eu vivo na e pela Rede. Essa experiência, para mim, transcende a busca por popularidade e pagamento.

Conforme expliquei na resposta, outros participantes falaram da ação e divulgaram o link para o site antes do início da campanha. Lá está o meu nome, foto, bio, link para blog, etc.

Em relação a isso, ainda, poderíamos aprofundar essa discussão, de maneira que ela não se parecesse com uma caça às bruxas, mencionando, por exemplo, que vários participantes informaram seu envolvimento com a campanha via Twitter, mas muitas pessoas que os seguem certamente não viram essas mensagens no meio da enxurrada de informação que recebem por esse canal a cada dia. E mesmo fazendo o anúncio em um espaço menos ruidoso como um blog, isso não garantiria que todos os recebessem posteriormente as mensagens da ação saberiam dela.

O que fazer? Toda mensagem deve ter uma tag #publicidade?

E como ficam as campanhas de guerrilha? A Guerrilhapedia fala que o marketing invisível também tem como objetivo expor uma marca ao consumidor, fazendo-o interagir com um produto, sem ele perceber que se trata de uma experiência de comunicação. ... Geralmente ela é utilizada em pré-lançamentos ou lançamentos de produtos, sendo possível mensurar a reação e o interesse do público diante de um produto ou serviço de forma imediata. O segredo está em assimilar o público como parte integrante da disseminação da mensagem, e não um simples receptor do conteúdo (que tranforma-se em conteúdo-mentira para o mesmo).

A mesma Guerrilhapedia apresenta cases brasileiros: Divulgação da Série O Continente Gelado, da National Geographic onde a agência Espalhe colocou envelopes com o nome do velejador e um número de telefone em vários lugares de São Paulo. Dentro, havia fotos da aventura. Julgando estar com um material importante, ou apenas por curiosidade, muitas pessoas ligaram para o telefone e ouviram uma mensagem de Amyr divulgando o novo programa.

Ao invés de julgar e condenar, a matéria poderia ter aberto a discussão de maneira a expandir a compreensão dos leitores sobre o assunto.

Outro comentário publicado no post foi da Lígia Dutra. Ela escreveu:

"Os curadores são profissionais da Web, atuantes, conhecidos, que receberam uma proposta e assinaram contratos por concordar com os termos e aceitar a remuneração oferecida. Não houve aliciamento e nem pagamento com 'bonés e camisetas' e sim uma relação trabalhista, como a que o Maurício tem com o empregador dele."

Juliano, em primeiro lugar admiro muito seu trabalho, maaaaas neste trecho acima acho que você comeu bola, amigo. O Maurício falou das camisetas e bonés apenas no caso da Puma. Ele começa a matéria assim:

"Demorou um pouco, mas as agências de publicidade descobriram que o Twitter pode ser uma eficiente ferramenta de divulgação de produtos e marcas." E o primeiro caso citado, pelo que entendi, era o exemplo positivo deste tipo de ação.

Ele reconhece que a ação do Club Social foi bem aceita neste trecho: "Nem todas as campanhas são tão bem aceitas quanto a do Club Social. A marca Puma acaba de experimentar um vexame na tentativa de promover um novo produto, um tênis chamado Puma Lift."

Bom, creio que é uma questão de interpretação. Espero ter ajudado.

Comi bola, mesmo, em relação ao ponto "bonés e camisetas", mas o fato dele dizer que a campanha foi bem aceita não indica que ele considera a ação correta. Acho que existiu, sim, um julgamento que está implícito e que foi feito de forma rasteira, simplificadora, sem medir consequências, apelando para o medo de conspirações que muitos de nós cultivamos.

Finalmente, o Thiago Rosa falou o seguinte:

Avaliar o jornalismo de uma pessoa pelo grupo que ele trabalha é perigoso e incorreto. Jornalistas fazem estes grupos, mas não necessariamente precisam concordar com os fatos expressos em todas as áreas. A exposição do jornalista é muito maior do que do grupo que ele trabalha. Isso é injusto com ele. Acho que a reportagem foi boa e esclarecedora, e abre uma série de discussões dentro do mundo do marketing digital, do mundo dos blogs e porque não, da sociedade brasileira.

Apesar de não concordar que a reportagem tenha sido esclarecedora, admito que essa cobrança foi injusta e peço desculpas a ele por isso.

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Campanha #inconfundivel, jornalismo nem tanto

Nesta terça o jornalista Maurício Stycer do iG me procurou pedindo para eu comentar a campanha #inconfundivel - mais sobre a campanha - e ficou óbvio desde o começo da conversa que ele não pretendia apurar a notícia, não queria ouvir, ele só precisava de declarações do "outro lado" para dar a impressão de imparcialidade.

No dia seguinte chega a matéria falando de "propaganda velada" e acusando as agências de "usar publicidade disfarçada de informação" e de "aliciamento de tuiteiros em troca de bonés e camisetas". Tire as suas conclusões:

. A campanha tem site - bem explícito - apresentando a ação e informando os nomes e dando o perfil dos curadores. Os curadores inclusive assinaram documentos para autorizar que suas imagens fossem veiculadas ali.

. A estratégia não obrigava os curadores a esconder sua participação na campanha e vários deles anunciaram isso por seus canais. A ação não teria conseguido reunir esse grupo de curadores se houvesse a condição de agir em segredo.

. Os curadores não compartilham links para o produto do patrocinador disfarçado de informação. Os links são para informação mesmo e vão tagueados com o nome da campanha.

Os curadores são profissionais da Web, atuantes, conhecidos, que receberam uma proposta e assinaram contratos por concordar com os termos e aceitar a remuneração oferecida. Não houve aliciamento e nem pagamento com "bonés e camisetas" e sim uma relação trabalhista, como a que o Maurício tem com o empregador dele.

Comparando o que é a campanha e o que o Maurício a faz parecer, parece que ele é culpado do mesmo crime que acusa a agência de ter cometido. Ao invés de trabalhar para o leitor e ajudá-lo a entender um determinado assunto, ele opta por gerar polêmica a qualquer custo para aumentar as visitações e valorizar os espaços publitários do portal que ele representa.

Se o Maurício está tão empenhado em refletir sobre o tema da transparência nos meios de comunicação, ele poderia também questionar o material publicado no iG sobre a Brasil Telecom, principalmente as notícias que vão em manchete na capa do portal. Não vai precisar nem gastar telefone para isso.

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O guia sobre o Twitter é um sucesso e a "culpa" é do Talk Labs

Você viu? A Talk criou e lançou um guia sobre o Twitter. Eu escrevi, o Pedro Albuquerque criou a capa, outras pessoas participaram. Foram 40 dias de trabalho. Juntamos todo esse conhecimento, organizamos, testamos e, ao invés de ficar só para a gente, ou para os nossos clientes, ou até vender, foi tudo para a rede, integralmente, junto com um repositório de conteúdo em português sobre o Twitter.

O resultado disso: mídia espontânea nos principais veículos, milhares de recomendações espontâneas e isentas apontando para o blog da Talk e - o principal indicativo de sucesso - 7 mil downloads em menos de 24 horas. Imagine que um livro como esse, se fosse sair impresso no Brasil, teria provavelmente 3 mil cópias que se esgotariam, com sorte, em um ano. O livro da Talk alcançou o dobro disso em menos de um dia. Interessante, não?

Mas esse livro não é um produto solto, ele está no contexto de uma iniciativa da Talk chamada TalkLabs. É ao mesmo tempo o playground, o lugar de experimentação, e também aquilo que promove a empresa para clientes potenciais e para a sociedade pelo compartilhamento de conhecimento.

O TalkLabs não é uma iniciativa rasteira. Veja o investimento para a criar e lançar o guia do Twitter: três semanas e mais uns quebrados do meu trabalho, mais o trabalho do nosso designer & artista Pedro Albuquerque, mais o trabalho de revisão e correção, mais o pagamento do cachê do Tas para produzir o prefácio. Mais infra, equipamento. É um investimento.

Esse tipo de ação é tão incomum no meio empresarial que o site Ciência Hoje de Portugal, ao anunciar o lançamento do guia, se referiu à Talk como uma editora. Desde quando empresa faz livro?

Nem o Orkut, maior sucesso da história da internet no Brasil, porta de entrada para a internet e "casa virtual" de 26 milhões de brasileiros motivou outras agências a produzirem um guia com as mesmas características. E quantas pessoas conhecem colegas de área que já "ganharam" três semanas de trabalho remunerado para produzir um livro?

O TalkLabs serve para isso: para promover a empresa de maneira diferenciada, oferecendo conhecimento e experiências relevantes e úteis para usuários da internet. O livro é um exemplo, mas existem outros.

Foi pelo Talk Labs que chegamos ao TalkShow, uma solução para produzir podcasts e entrevistas online usando o Twitter como plataforma de interação ao vivo com a audiência. E tem ainda o Adote um Parágrafo, uma ação para realizar traduções colaborativas de textos importantes sobre internet, e o MobileCamp, uma encontro presencial para as pessoas envolvidas com projetos mobile se conhecerem e trocarem idéias.

Enfim, esse é o TalkLabs e eu gostaria de ver mais empresas seguindo essa trilha.

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Tudo o que você precisa saber sobre Twitter, em português e grátis

capa do livro: Tudo o que você precisa saber sobre Twitter

“Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” será lançado na rede esta semana pela Talk Interactive e ficará disponível gratuitamente na Web - faça o download aqui.

O que é Twitter? Para que serve? Por que todo mundo só fala nele? Como fazer parte da tuitosfera? Essas dúvidas que muita gente tem, mas não sabia para quem perguntar, agora já podem ser respondidas. Elas estão no primeiro guia online sobre a ferramenta. “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” será lançado pela Talk Interactive nesta segunda-feira (10/08) por meio do Twitter, é claro (http://www.twitter.com/lets_talk). O conteúdo ficará disponível na internet com uma licença Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa leia, repasse e ajude a atualizar o livro colaborativamente.

Com 46 capítulos, o livro é dividido em três categorias: Tudo o que você precisa saber; Negócios, jornalismo e política; Uso avançado do Twitter. Trata-se de um manual prático com orientações sobre como encontrar pessoas, o que é seguir e ser seguido e como o serviço pode ser utilizado de forma simples e eficiente. “O Twitter está crescendo muito no Brasil. Cada vez mais, novos usuários entram nesta rede, aumentando sua relevância. Mas as dúvidas sobre o Twitter ainda são muitas. Por isso tivemos a idéia de produzir um manual prático. O material vai ajudar muita gente”, diz Luiz Alberto Ferla (@ferla), CEO da Talk Interactive.

Segundo Ferla, o conteúdo tem ainda importantes dicas para quem deseja utilizar a ferramenta para fins corporativos e até para ações em campanhas políticas. “O livro vai do básico ao avançado, abrangendo todos os níveis de conhecimento a respeito da ferramenta”, afirma.

A idéia do livro surgiu e foi desenvolvida dentro da Talk a partir das dúvidas que muitas pessoas têm em entender essa ferramenta e também sobre a dificuldade de muitos tuiteiros em definir o serviço. “É difícil explicar o que é o Twitter para alguém com noções básicas de uso da Web. Você pode, por aproximação, dizer que é uma mistura de blog e MSN ou pode ser específico e falar que é uma ferramenta para micro-blogagem baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, no compartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real, mas dificilmente isso convencerá o seu interlocutor a usar o serviço”, diz Juliano Spyer (@jasper), redator da obra e integrante do time da Talk.

Prefácio colaborativo

Com mais de 200 mil seguidores no Twitter, ninguém melhor do que Marcelo Tas para prefaciar um livro sobre a ferramenta. Mas a condição para aceitar o convite foi a de que os internautas também participassem da discussão para melhor definir o que é o serviço. Dessa colaboração nasceram pérolas como:
- O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson
- O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando "sozinho", eventualmente alguém responde. @saintbr
- Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte
- O Twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas

Dados do livro

Título: Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)
- Criação: Talk Interactive
- Páginas: 110
- Licença: Creative Commons
- Classificação: Twitter, redes sociais, Web, comunicação, tecnologia.

Sobre a Talk

A Talk (www.talkinteractive.com.br) é uma agência especializada na formulação de estratégias de marketing digital, mídias sociais e tecnologias 2.0 para clientes de vários segmentos, especialmente da área institucional.

O texto acima é o release oficial. Agora, algumas considerações

Eu queria tanto escrever um guia sobre o Twitter - tanto, tanto, tanto - que estimei que conseguiria fazer isso em uma semana: 5 dias úteis! Agora que ele finalmente está pronto, penso na corrida de montanha-russa que foram os últimos 40 dias e me pergunto como eu cheguei a esse prazo tão otimista / sem noção.

Um livro em 5 dias

Em parte, estimei que conseguiria produzi-lo em uma semana pelo desejo de fazer o que eu gosto: pesquisar e escrever sobre um assunto que vem sendo a minha vida há 12 anos, e também pela noção de que uma semana é o que dá para garantir na rotina acelerada das agências de publicidade.

Também fiz essa estimativa partindo da premissa de que o livro demandaria relativamente pouco esforço criativo já que toda a informação sobre o Twitter está disponível na Rede. O esforço se resumiria a encontrar, escolher e organizar o conteúdo.

É claro que seria possível fazer um guia do Twitter em uma semana, até em um dia, mas ele não teria 110 páginas, nem cobriria a mesma extensão de temas, teria uma diagramação mais básica, uma capa simples e, consequentemente, menos utilidade e chamaria menos a atenção de eventuais interessados.

De volta da montanha-russa

Foi uma pauleira - sábado, domingo, madrugada, fim de semana, férias -, mas consegui fazer o livro que eu queria. Se eu tivesse mais tempo, acredito que o resultado não seria muito diferente disso, principalmente porque o Twitter continua evoluindo e se reformulando. Um livro maior ou mais reflexivo correria o risco de ficar desatualizado (mais) rápido e não compensaria o esforço.

O conteúdo está há duas semanas sendo revisado e corrigido e durante esse tempo me preocupei em inserir informações relevantes que foram aparecendo. A última modificação foi feita hoje para incluir uma menção ao ataque que paralisou o Twitter por algumas horas ontem - e espero que não aconteça nada até segunda =)

Tudo o que você precisa no mesmo documento

É um livro prático onde todo usuário deverá encontrar alguma novidade para aperfeiçoar a maneira como usa a ferramenta. Você pode gastar horas procurando e filtrando informações sobre o Twitter na Rede ou pode baixar o livro e encontrar quase tudo de relevante publicado sobre o serviço, voltado para pessoas e também para organizações.

Concordo com o Steven Johnson quando ele escreve que daqui a dois anos é possível que tenhamos trocado o Twitter por alguma outra novidade, mas mais importante que o Twitter - e daí a motivação para produzir este guia - são as novidades que ele traz para o usuário comum da Web e a maneira como o serviço acompanha a tendência de usarmos o celular como computador portátil.

Nesse contexto, o objetivo do livro é trazer mais gente para o Twitter, apostando que mais pessoas experimentando e registrando suas descobertas ajudará a amadurecer o mercado da internet aqui e em lugares culturalmente próximos como o restante da América Latina e os países lusófonos.

Talk, thanks ;-)

Finalmente, é importante ressaltar que esse livro não existiria hoje do tamanho e com a qualidade que está sem o apoio integral da Talk a este projeto. Em uma indústria muito frequentemente movida por resultados financeiros, não deixa de me surpreender a demonstração de interesse em fazer um guia "pra valer", com função exclusivamente educativa. É o que faz a diferença.

Depois devo escrever mais sobre isso, mas este manual foi mais uma experiência em relação à produção de livros digitais. Ele foi ainda mais artesanal que o Para Entender a Internet, no sentido que, além de escrever, eu fiz a pesquisa de imagens, a diagramação do texto e das imagens, além de coordenar a correção e também a negociação para contratar o mestre Marcelo Tas para produzir o prefácio.

Uma das consequências curiosas desse processo intenso é que eu praticamente parei de tuitar depois que concluí a fase de pesquisa. Fiz isso para evitar ver coisas interessantes e me dispersar das metas e também para não me confrontar com as dezenas de notícias relacionadas ao Twitter que são tuitadas diariamente.

Agora e acabou e espero voltar à correria normal de trocas de links, conversas e debates.

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