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Memórias & reflexões sobre o BlogCamp

Este final de semana foi de BlogCamp, a desconferência que serve para a gente trocar idéias presencialmente e também expandir a rede de relacionamento. É sempre bom deixar de ser ilha ocasionamente e estar cercado por pessoas que têm percepções parecidas em relação aos desafios e oportunidades dessa nova infraestrutura de comunicação. Na correria para deixar a experiência registrada, vou colocar uma série de observações a seguir, em um mesmo post, que poderiam e talvez devessem aparecer em posts menores. Pelo menos a informação começa a circular.

Laptops e mobilidade

O BlogCamp serviu, entre outras coisas, para me deixar com mais vontade de ter um laptop. E não apenas para desfilar com ele, mas pela compatibilidade dessa ferramenta de trabalho com o ambiente das reuniões e também com aplicativos como o blog. Se eu tivesse um micro portátil, não estaria agora tentando me lembrar do que aconteceu nos últimos dois dias e provavelmente estaria mais próximo dos novos conhecidos, tendo podido checar seus blogs quase que simultaneamente ao nosso primeiro contato.

Novas reflexões sobre a blogosfera brasileira

Recentemente publiquei um artigo refletindo sobre blogs no Brasil, onde eu observava haver uma discrepância entre a percepção que a sociedade tem do fenômeno blog e seu verdadeiro impacto na sociedade. Continuo achando que existe esse gap entre a blogosfera em inglês e a lusófona e que o que os jornais falam sobre isso é geralmente influenciado pelo que é dito fora. Mas o contato mais intenso com blogueiros me levou a fazer considerações novas:

1) O que separa o internauta comum do blogueiro é quase nada, não é um conhecimento específico em tecnologia, mas apenas a descoberta da vantagem de se ter uma voz para se comunicar com audiências. Isso é estimulante na medida em que indica um potencial de crescimento rápido para a nossa blogosfera.

2) Apesar do blog ainda nao estar disseminado para o grande público, ele já participa ativamente do ecossistema da notícia. Conferi com outros blogueiros a percepção de como é frequente aparecerem nos jornais assuntos levantados dentro da blogosfera. Mesmo em situações em que o veículo original (e eu sei que "veículo original" é uma termo complicado de se usar, porque a informação sempre circula) não seja creditado, os assuntos que afloram dentro da comunidade estão chegando à sociedade com mais frequência do que possivelmente estejamos percebendo.

O Estadão esteve presente

Talvez a indignação da comunidade blogueira em relação à campanha para o anúncio do novo portal do Estadão tenha sido maior por o Link, caderno de tecnologia do jornal, ser diferenciado na grande imprensa. Dois dos nomes principais do Link, o Alexandre Matias e o Pedro Dória, conhecem e usam blogs. E isso aparece no conteúdo publicado, que não atende exclusivamente o leitor tech porque percebe que a internet há muito deixou de ser um veículo esclusivo desse público.

Essa visão de internet justifica, por exemplo, que o caderno Link tenha sido o único que eu saiba a estar presente do começo ao fim do evento. E a ida do Rodrigo Martins, pelo que ele mesmo me disse, não partiu da determinação do jornal, mas foi uma proposta de pauta dele.

Nesta quarta, haverá mais uma possibilidade de enriquecer o debate lançado pela campanha. O jornal está recebendo inscrições para quem quiser participar de um debate sobre esse assunto, com a presença de representantes da agência Talent, que assina a campanha. Quem trabalhar ali por perto da Vila Olímpia - porque do contrário, o trânsito de SP não estimula o deslocamento e nesse caso haverá transmissão por vídeo - ajude a marcar presença e também a disseminar os resultados dessa troca de idéias.

Organização do BlogCamp

A idéia da desconferência, à primeira vista, se confunde com desorganização. Se não tem ninguém no controle, cada um faz o que quiser. E na falta de modelos, acabamos reproduzindo aqueles mais populares - no nosso caso, a conversa de bar.

Havia muitos espaços à disposição, mas a maior parte das vezes formaram-se apenas dois focos de debate (eventualmente três, não vi acontecerem quatro), conduzidos pelas mesmas pessoas, de uma maneira muito parecida com o das conferências - poucos falam, muitos participam pouco ou apenas escutam.

A desconferência acontece não pela ausência de coordenação, mas pela descentralização das responsabilidades de coordenação. No nosso caso, que ainda estamos experimentando este modelo novo, que ainda temos que ganhar fluência nele, é importante uma ação educativa na abertura do evento, quando as pessoas ainda não começaram a se reunir. Isso se resume a explicar o funcionamento do painel para a programação dos eventos e ao convite para que os grupos sigam o tempo estipulado para cada encontro. Se ele tiver terminado e houver interesse de dar prosseguimento, nada impede dele ser reprogramado, para que as pessoas circulem e aumente a variedade de assuntos.

Mais tarde vou tentar acrescentar os links para esse texto.

Oi Juliano, como você está

Oi Juliano, como você está nesta terça? E na sexta? Vamos marcar nosso almoço?
Beijos

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