Amadores ou profissionais - quem controla a internet?

Me surpreendi - como outras pessoas - com o comercial da agência Talent para anunciar o novo portal do Estadão. Desqualificar a blogosfera pareceu um golpe baixo que à primeira vista demonstra o rancor que a descentralização do acesso à mídia provocou nos ex-controladores da comunicação em massa. Está dando prejuízo, precisa se reinventar. Mas, pessoalmente, achei a polêmica oportuna na medida em que o lançamento do Conectado acontecerá junto com um debate cujo tema é: Amadores e profissionais - Quem controla a internet?, com a participação do Luli Radfahrer (ECA) e do jornalista e blogueiro Alexandre Matias (Link).

O post anterior neste blog fez referência a um comentário do professor da NYU Clay Shirky sobre a resistência dos veículos de mídia tradicionais ao termo "conteúdo gerado por usuários". E ontem me lembrei de outras duas passagens sobre o mesmo assunto, a primeira do escritor e blogueiro Nicholas Carr e a outra, de um artigo da revista The New Yorker.

Carr comentava o artigo Web 2.0 - The Sleep of Reason e, particularmente, a frase: Será que a incrível difusão da informática mudará não apenas nossa sociedade e vidas pessoais mas também a natureza da inteligência humana? Essa passagem sugere que a Web, que coloca profissionais e amadores em pé de igualdade, estaria reduzindo a qualidade do conhecimento produzido pelo ser humano.

Para Carr, o que está acontecendo não diz respeito a amadores e profissionais. George Washington era um político amador. Charles Darwin era um cientista amador. Wallace Stevens era um poeta amador... O que está acontecendo não tem relação com expertise ou a ausencia dela... As milhares de pessoas que consultam a Wikipedia todos os dias não estão defendendo princípios anti-especialistas ou anti-acadêmicos. Seu interesse é prático e não ideológico. Eles acessam a Wikipedia porque é fácil e conveniente. Eles sabem que sua qualidade e confiabilidade são imperfeitas, mas essa é uma troca que eles estão dispostos a fazer na medida em que eles apressadamente preenchem suas cestas de mercado com informação...

Uma idéia complementar sobre esse assunto aparece no artigo Know It All - Can Wikipedia conquer expertise?, publicado pela revista The New Yorker. A contribuição mais radical de Wales [criador da Wikipedia] talvez não seja ter tornado a informação gratuita ... mas ter inventado um sistema que não favorece o PhD em relação a um adolescente que lê bastante.

Estas são algumas opiniões que, ao invés de simplificar, indicam caminhos para aprofundar o debate.




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