O que são não-entrevistas?

Venho desenvolvendo e praticando uma técnica de entrevistar por email. Em geral elas começam com uma conversa presencial, muitas vezes não-premeditada. Jogamos papo fora até cair a ficha que aquilo está virando uma entrevista. Daí aviso para a pessoa que pretendo, em algum momento, conduzir esse processo até o final via email.

O email vem sendo explorado para entrevistas apenas por ser um canal rápido e eficiente de trocar informação. Junto com isso, proponho conversas que muitas vezes duram mais de um mês. Não mando questionário. É uma correspondência que pode passar de 20 mensagens trocadas facilmente.

Não tenho roteiro definido, apenas os pontos de interesse registrados no encontro inicial. Geralmente começo com perguntas abertas sobre o passado do entrevistado, sua família, sua história e, a partir das respostas, vou lançando novas questões.

Procuro fazer apenas duas entrevistas simultaneamente, porque isso toma tempo e exige concentração para retomar o assunto, entender as respostas e formular perguntas. Também tenho que me policiar para não ir direto ao tema central, para chegar até lá passo a passo. Assim sinto que o entrevistado percebe e reage à solicitação de maneira diferente: ao invés de ver aquilo como obrigação, mergulha na oportunidade de rever e organizar a própria história.