O jornalista pergunta melhor do que responde
Me corrijam se eu estiver errado: responder cartas enviadas à redação não é uma função que tenha prestígio entre jornalistas. Não sei de faculdade que tenha um curso de relacionmento com a audiência e ficaria surpreso de ver em um job description que inclua, entre os requisitos de contratação, "experiência mínima de quatro anos respondendo cartas da audiência".
A maioria dos profissionais da comunicação não lida com sua audiência e trata as pessoas que entrevista como "fontes" e não como parceiros ou colaboradores. A meta do jornalista, principalmente da grande imprensa, é garimpar, processar e entregar informação e não atender leitores, ouvintes ou espectadores.
(Alguém poderia argumentar que isso seria anti-produtivo, não tenho certeza, mas isso é outra discussão.)
A questão é que a ausência da estímulo institucional para se cultivar o relacionamento com o público fez o comunicador desenvolver uma certa surdez profissional. O jornalista pergunta melhor do que responde, fala melhor do que escuta.
Esse é um elemento que também dificulta que ele entenda a comunicação online, naturalmente interativa e grupal. Na web, a conversa é tão importante quanto a qualidade do conteúdo.



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