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Primeiras impressões sobre The Cult of the Amateur

O conectado André Avorio esteve pessoalmente no lançamento em Londres do The Cult of the Amateur, cujo subtítulo é "Como a internet hoje está matando nossa cultura e assaltando nossa economia". Se eu não me engano, esse foi o livro que o Caio Túlio perguntou recentemente se eu tinha lido e me recomendou ler. Agora ele chegou às minhas mãos - graças ao André, meu companheiro de indigestão informativa.

Estou curioso para ler o resto, mas já posso registrar algumas impressões após a leitura da introdução: o autor não faz questão de ponderar, de observar com serenidade problemas e vantagens da internet. Com isso, seu livro se parece mais com um panfleto provocativo do que com uma tentativa honesta de entender o que está acontecendo - como é o caso do A Riqueza das Redes, por exemplo.

Não pretendia escrever sobre isso agora. (Estou tentando manter um "regime" de trabalho, priorizando ao invés de fazer tudo ao mesmo tempo para sair burnedout e sentindo que o dia não rendeu.) Mas uma das coisas que ele fala na introdução ressoou com uma coisa que eu acabei de viver. Quero compartilhar essa experiência.

O autor diz que sites de notícias auto-moderadas como o Digg! valorizam apenas amenidades e esquecem os verdadeiros problemas e que o YouTube é o espelho de uma cultura ultra-narcisista que só mostra coisas estúpidas e irrelevantes. Pois bem, eu estava almoçando na frente de computador (não me orgulho disso) e para passar o tempo, fui ao Digg, que sempre tem alguma coisa curiosa - mesmo essa coisa não sendo comumente rotulada de "grande dilema da humanidade".

E o que estava destacado na capa? Justamente um vídeo de um programa de TV com entrevistados criticando de maneira clara e contundente a maneira como a mídia corporativa está aliada ao governo Bush na invasão do Iraque. Veja a seguir o link para o vídeo.

Não acho que o livro de Keen seja ruim. Ao contrário, deve ser lido porque provoca, instiga a reflexão. (Exemplo: muito do que usamos como fonte vem da imprensa; o que vamos fazer se a fonte secar?) Essa leitura provavelmente teria enriquecido o debate no caso Estadão vs. blogueiros. Mas na minha modesta opinião, o livro do sr. Keen ficaria mais interessante se ele não carregasse tanto na mão na hora de apontar os pecados da comunicação online e registrasse - como reza a cartilha do jornalista - os outros lados da questão.


Fico sempre com a impressão

Fico sempre com a impressão que os fantasmas de Frankfurt rondem demais o debate da internet. Falta um exame mais detalhado (etonográfico se quiser) da questão e menos juízo de valor. Não me arriscaria a fechar uma opinião sobre o assunto sem ver COMO exatamente a internet tem tido as suas apropriações na sociedade.

Fico sempre me lembrando do

Fico sempre me lembrando do Red Queen, o livro de um evolucionista, que se refere à maneira como para sobreviver, nos movemos sem sair do lugar, como nas corridas promovidas pela Rainha de Copas em Alice no País das Maravilhas. Como em qualquer circunstancia, on e offline (se é que essa distinção vai durar muito tempo), o meio é só o veículo e as pessoas continuam sendo as pessoas. Elas farão online as mesmas coisas que fazem off. Para o bem e para o mal.

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