Não basta ter blogueiro, tem que querer conversar

A última edição da revista Bites abre citando o anúncio que fiz ontem pelo blog e pelo Twitter de que a Knowtec está buscando se aproximar de blogueiros.

O texto da Bites é preciso ao registrar este momento de aquecimento do mercado online. Mas a falta de bons profissionais explica apenas uma parte dessa situação.

Eu escrevo sobre isso com frequência, mas neste caso faz sentido repetir, inclusive porque, para a nossa surpresa, recebemos mais de 40 respostas do final da tarde de ontem até o fim da manhã de hoje. Certamente encontraremos blogs interessantes.

Para mim, junto com o número reduzido de pessoas capacitadas, existe também a miopia do mercado para reconhecer e mesmo saber aproveitar profissionais que muitas vezes nem profissionais são, mas que entendem que a rede é um espaço de duas vias e que para as pessoas te escutarem elas precisam se sentir escutadas.

No livro Super Crunchers, o autor resume a situação em uma frase que é mais ou menos assim: "É difícil explicar um determinado assunto para uma pessoa quando o emprego dela depende dela não entender aquilo."

Além da boa repercussão do post de ontem - com a ajuda do Rafael Ziggy -, também foi gratificante ler comentários como este:

poxa...minha dissertação de final de curso foi sobre blogs e como conclusão deixei justamente um questionamento nesse sentido: precisaremos de novos empregos, mais que isso, precisaremos de novas formas de selecionar as pessoas e de criar os empregos...esse é o primeiro anúncio com essa cara que lembro de ter visto... aberto, propondo diálogo. fiquei sabendo pelo twitter (@simviral). gostei muito. já coloquei meu nome lá na listinha.

Ontem mesmo eu entrevistei uma jornalista blogueira que estagiou em um dos grandes grupos de mídia impressa do Brasil e ela disse que era frustrante. Os editores boicotavam o online com a justificativa de não reduzir as vendas (por que as pessoas comprariam se está disponível grátis na rede?) e ainda tratavam o online como se fosse conteúdo tradicional.

Essa blogueira contou que um post de um parágrafo precisava ser lido, revisado e aprovado antes de ir ao ar e isso demorava dois dias! Fale isso para qualquer blogueiro e ele vai rir, mas isso não é obvio para profissionais offline de prestigio.

O resumo da ópera é curioso. Tenho visto muitas empresas interessadas em entrar na onda Web 2.0 e quase nenhuma interessada em aplicar isso na prática, promovendo o compartilhamento de informações e estimulando a comunicação interna. O motivo é que uma ação publicitária pode não funcionar, mas dificilmente prejudica. Já a outra alternativa corre o risco de deixar aparente dificuldade nos imigrantes digitais de lidar com a idéia da informação abundante - o Cluetrain Manifesto trata exatamente disso.

A boa notícia, então, é ao mesmo tempo uma má notícia. A boa é que existem mais gente procurando oportunidades do que se pensa. A má é que para chegar a eles e depois conseguir tirar o máximo do que eles têm a oferecer, a empresa talvez precise fazer uma reciclagem.

Comments

Oi Ju, concordo com vc. É uma boa e uma má notícia. Mas prefiro acreditar que estamos no caminho e que uma hora teremos um mercado maduro. Bjs

Caro Juliano,

o que justifica a existência de uma empresa? Por que as transações precisam ser mediadas por organizações?
Onde fica o indivíduo no corpo empresarial? Por quanto tempo um indivíduo pode se sentir bem como parte de uma organização? O que todas estas questões tem a ver com a natureza do trabalho?

Juliano,
Ao que me parece, as empresas querem entrar pegar carona nessa onda (web 2.0), só que ainda não aprenderam como. Ou melhor, querem seguir este caminho, mas seguindo as mesmas fórmulas da mídia tradicional. Aí, não dá!

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