MobileCamp - considerações sobre o formato e a execução do evento
O MobileCamp aconteceu neste último sábado (13) no Espaço Gafanhoto do Cazé, aqui em São Paulo. Foi um evento gratuito, mas fechado para convidados, e que teve a participação de 12 palestrantes das mais diversas áreas: arte, educação, marketing, TI e até direito. (Porque o celular também está revolucionando a vida dos advogados.)
O plano original era ter as palestras na primeira parte do evento, de 10 às 12h, e fazer uma desconferência em seguida até as 15h, mas na prática a segunda parte não aconteceu. As palestras se estenderam e ficamos sem tempo. Mas quem foi, não reclamou, ao contrário.
A seguir vou registrar algumas considerações sobre o evento, para que outras pessoas possam construir outras ações a partir dos nossos erros e acertos.
1) Exclusivo para convidados: Uma das vantagens das desconferências é que quase não dá trabalho para organizar. Depois que você consegue o espaço, anuncia isso pela Rede e deixa a internet fazer o resto.
Acontece que as desconferências que eu participei acabaram atraindo muito mais ouvintes que participantes. E as sessões viravam na prática uma conferência com três ou quatro pessoas monopolizando o debate.
Procurei resolver isso limitando a participação e convidando apenas pessoas que tenham um interesse particular pelo assunto. Foi um trabalho de formiga de garimpar quem são as pessoas que adoram mexer e descobrir coisas no celular.
Dá muito trabalho formar essa rede e eu só consegui porque a Talk apoiou o evento e concordou que eu dedicasse uma parte do meu tempo para isso.
De todo modo, em função do que deu certo no final, estou tendendo a achar que esse super-cuidado com a formação da rede não é crucial para o sucesso do evento. Vou explicar o motivo no final do post.
2) Sem intervalo: Nas desconferências que eu participei, as pessoas vão chegando ao longo da manhã, daí saem para o almoço e vão chegando ao longo da tarde.
Isso é dispersivo. Na prática, poucas pessoas respeitam o horário e isso se torna um círculo vicioso: as discussões começam atrasadas, os mais interessados se desmotivam e no final do dia a maior parte já foi embora.
Para atacar esse problema, a Fabíola Amorim, gerente de projetos da Talk aqui em SP, propôs que servíssemos no começo do evento um café reforçado e que deixássemos à disposição coisinhas para comer e beber, de maneira que pudéssemos saltar o almoço.
Isso deu certo. Aliás, a idéia do coffee break não é novidade para quem organiza eventos profissionalmente. Uma versão barata no estilo "camp" teria os participantes levando, cada um, um pratinho ou uma bebida, para evitar a dispersão.
3) Mini-palestras: Por sugestão do Cazé, que introduziu a novidade no StartUp Camp, começamos o evento com 12 mini-palestras de 8 minutos cada.
Assim como provavelmente você está pensando, os palestrantes também acharam que 8 minutos é pouco, mas, na verdade, como o próprio Cazé explicou, 8 minutos é uma referência preventiva.
É comum o palestrante estourar o tempo. Em uma apresentação de 15 minutos, um caso ou curiosidade a mais já expande o tempo para 20 minutos e quando vamos ver, contando a transição de um palestrante para outro, cada apresentação leva 30, até 40 minutos.
Tendo 8 minutos como meta, os palestrantes deste MobileCamp falaram em média em torno de 20 minutos, incluindo o tempo de armar e desarmar os laptops. A uma velocidade de três palestras por hora, deu certinho 12 palestrantes no prazo de 4 horas. (Não era esse o plano, mas funcionou.)
4) Diversidade: A idéia deste MobileCamp surgiu da minha vontade de aprender trocando idéias e experiências com pessoas e meu interesse particular é a utilização do celular para registrar, processar e disseminar conteúdo.
Acontece que ao propor a idéia para o Cazé e para o Pedro Markun, apareceram nomes de possíveis palestrantes que estavam realizando ações interessantes em outras frentes.
Rapidamente o mapa temático do evento se configurou incluindo artes (Paulo Hartmann, Lucas Bambozzi e Cláudio Bueno), educação (Nacho Duran e Wagner Merije), Negócios (Fábio Garrido e Breno Masi), Comunicação (Fernando Firmino e Eduardo Brandini) e Tecnologia (Bia Kunze e Luiz Paulo Rosa).
Existem muitas outras áreas descobrindo utilizações específicas para o celular e graças ao Fórum de Mídias Digitais e Sociais de Curitiba, onde estive na semana passada, encontrei a Josluza Fiorani, uma advogada capixaba que vem registrando suas experiências usando tecnologia aplicada ao trabalho dela como advogada.
E essas foram os palestrantes do evento.
5) Diálogos: Na prática, a mistura funcionou. Apesar da extensão do programa, a alternância de temas manteve cativa a atenção dos presentes. E quando alguém se cansava, saía, jogava conversa fora, comia ou bebia, e voltava quando quisesse.
Todas as palestras, à exceção da sobre utilização de celulares por advogados, tiveram confrontos de experiências.
Paulo Hartmann e Lucas Bambozzi trocaram farpas amigáveis sobre a importância de seus festivais, respectivamente o MobileFest e o Arte.Mov.
A visão militante e de ativista do Nacho Duran em relação a capacitar grupos carentes foi complementada pela do Wagner Merije, apresentando um projeto com objetivo semelhante, mas fundado em parcerias com o setor privado.
A thriller de aventura empreendedora do Breno Masi sobre a história do desbloqueio dos IPhones no Brasil contrastou com a visão racional e organizada do Fábio Garrido sobre o ecossistema que faz funcionar os leilões reversos pelo celular.
E a perspectiva do celular como ferramenta também foi explorada da perspectiva da Bia Kunze e Luiz Paulo Rosa, pendendo para o poder de fogo N95, e da perspectiva do Breno, enfatizando a simplicidade de uso do IPhone.
6) Envio de temas por SMS: Graças ao Fábio Garrido, pudemos experimentar a possibilidade de propor temas para discussão pelo celular.
A idéia original era substituir o processo de preenchimento da lousa para a proposição de temas de discussão, como acontece nas desconferências.
Nos camps que eu participei, a lousa vai sendo gradativamente abandonada, até virar um espelho da falta de unidade de interesses entre os participantes do evento.
Como já não teríamos almoço e contando que as palestras terminariam por volta de meio dia, imaginei que a proposição de temas por SMS ajudaria o coletivo a detectar previamente alguns grupos temáticos.
E assim, eu esperava, a vontade de ir embora depois das palestras se reduziria na medida em que os participantes descobririam desconhecidos com os quais compartilhavam dúvidas e curiosidades.
Não sobrou tempo para as desconferências, mas se tivéssemos tido a oportunidade, acho que provavelmente as pessoas se dispersariam.
Mas fiquei pensando se não seria interessante para o evento em si, se tivéssemos uma maneira de projetar em um telão uma nuvem de tags com esses SMSs. Acho que daria um efeito curioso dos participantes se reconhecendo e percebendo o interior da cabeça uns dos outros.
E mesmo para uma desconferência "clássica", sem palestras, essa possibilidade serviria para os propositores de temas terem noção mais clara dos interesses coletivos e usariam essa referência para propor sessões de conversa.
Trocando em miudos: Se eu for organizar outros eventos como este, prentendo fazer da seguinte maneira:
a) Entrada livre - não condicionar a participação a convite. Dá muito trabalho e não garante volume de participação. Tendo mais infra-estrutura, talvez o melhor caminho seja cobrar para fazer a inscrição, o que valoriza o evento, e distribuir convites para pessoas-chave.
b) Sem intervalo - Manteria a prática de realizar o evento de uma vez, com duração de quatro a cinco horas, oferecendo um lanche rápido para não haver dispersão.
c) Mini-palestras - Isso também funcionou. A desconferência, se é que dá para chamar assim, aconteceu do lado de fora, com os palestrantes atraindo para si grupos de pessoas interessadas nos temas das palestras.
d) Diversidade - Manteria a proposta de trazer pessoas de áreas diferentes para o evento não ficar monótono e também manteria a sequência intercalando temas.
Alguma outras sugestão?


