Entrevista Tiago Dória - parte 2

Blocos temáticos: apresentação, parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4.

Qual foi a primeira vez que você se lembra de ter ouvido a palavra blog? Quanto tempo demorou para você passar de leitor para blogueiro?

Ouvi a palavra ainda enquanto cursava a faculdade. Não lembro se em algum artigo na rede. Comecei a ler blogs em 2001, mais ou menos. Eram blogs sobre tecnologia e cultura pop em sua maioria. Dave Winer, Lost Remote e o Nemo Nox

Virei blogueiro em 2003. Montei o blog para desafogar a caixa de emails dos meus amigos, pois sempre mandava várias mensagens ao dia com coisas legais que havia encontrado na web. Para mim, o blog surgiu como uma ferramenta para registrar minha navegação na web. De certa forma, até hoje ele continua nessa dinâmica.

Por que voce escolheu fazer um blog com o seu nome e não criar um nome próprio para ele?

Eu criei o blog em 2003 e na época era comum existirem blogs com o nome próprio do fundador. Além disso, no início a idéia do blog era ser um apanhado das coisas interessantes que encontrava na web, portanto não fazia muito sentido ter um nome próprio. Se fosse começar do zero, talvez eu o batizasse com um outro nome, mas hoje em dia isso não faz sentido.

Em termos de temática e abordagem, o que mudou e o que continua o mesmo no seu blog desde que ele foi lançado?

No começo o blog era um apanhado de links interessantes que encontrava em minha navegação diária na rede. Era quase um del.icio.us. Com o tempo, comecei a rechear esses posts com opinião e mais informações.

Desde 2003, a temática do blog continua a mesma - cultura web e mídia. A partir de 2006, comecei até a fazer entrevistas via blog.

Hoje percebo que ele tem uma dinâmica mais próxima de uma coluna diária. O que acho bem interessante. Como não existe um controle editorial, o blog acaba adquirindo vários 'moldes' ao longo do tempo. É algo orgânico, não estanque.

Acredito que essa mudança ocorreu por que alguns leitores começaram a pedir que eu opinasse sobre alguns assuntos, além disso, passei a receber para editar o blog, o que garantiu que eu tivesse mais tempo para atualizá-lo.

Conte algumas descobertas bem pessoais em relação ao ofício do blogueiro, especialmente em relação ao ofício do comunicador de massas tradicional.

Acredito que a principal coisa que aprendi com o blog é que agregar é tão importante quanto criar conteúdo original. É relevante você não somente produzir conteúdo, mas ser uma espécie de hub de coisas interessantes que estão acontecendo por aí. Uma espécie de DJ de conteúdo. Isso de feedback, interatividade, participação dos usuários não me impactou tanto, pois quando trabalhei com outras mídias já havia convivido com estes aspectos, mesmo que em menor escala.

Mas a característica mais interessante do blog é a sua capacidade de ser uma ótima ferramenta de networking, de aproximar pessoas que tenham, mais ou menos, as mesmas afinidades. Por meio do blog, conheci muitas pessoas interessantes.

Qual é a diferença entre o material que voce faz e publica no blog e o que um jornalista de tecnologia publica em um veículo tradicional?

Acredito que o principal diferencial seja a participação do leitor, que é mais direta. O blog é constantemente pautado pelo que as sugestões que as pessoas enviam por email. Outro aspecto, mais aí é mais da web em si do que do blog, é o uso dos hyperlinks e a questão de trabalhar com a atemporalidade da informação, da notícia que nunca fica velha.

Por exemplo - às vezes, se um post antigo começa a ter acessos no arquivo, eu retomo o assunto tratado nele, mesmo que seja uma "notícia antiga" para um veículo tradicional.

Apesar disso, acredito que atualmente o diferencial entre os blogs e os veículos tradicionais não seja tanto o conteúdo, mas a formatação do mesmo.




Comments

Post new comment

The content of this field is kept private and will not be shown publicly.
  • Web page addresses and e-mail addresses turn into links automatically.
  • Allowed HTML tags: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd>
  • Lines and paragraphs break automatically.

More information about formatting options