Por que a imprensa não noticia o Dossiê do Nassif sobre a Veja?

Ontem fiquei sabendo, pelo post do blog Biscoito Fino, do dossiê do jornalista Luis Nassif sobre a revista Veja e do silêncio da grande mídia em relação ao assunto. Nassif investiga os motivos que levaram o maior semanário brasileiro a se transformar em "um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho". São palavras fortes vindas de um profissional credenciado, mas os veículos se fazem de desentendidos.

Uma busca simples pelo Google mostra que fora a Carta Capital e o Observatório da Imprensa, apenas blogueiros e canais alternativos via internet mantém o assunto vivo. Por que os jornalistas dos grandes veículos estão privando a sociedade brasileira de participar desse debate? Onde está o compromisso do comunicador de apurar, destrinchar e informar seu público?

Em 2005, a Veja publicou que "o mérito da Wikipedia ... é o mesmo da internet em geral: é uma fonte democrática de conhecimento que permite atualização rápida. O difícil é saber em que informação confiar." Ironicamente, a Wikipedia já menciona o Dossiê, "furando" todos aqueles que defendem a importância do notório saber para a produção de jornalismo de qualidade.




Comments

Acho que o motivo mais forte é puro medo. Ninguém quer briga com a Veja. Mais um motivo pelo qual é admirável a coragem do J'accuse do Nassif.

Bem Juliano, a revista Veja realmente caiu no descrédito de várias pessoas inclusive em minha opinião. Infelizmente e absurdamente os meios de comunicação no País sempre foram cercados de interesses alheios e extremamente parciais. Nos dias atuais ainda é difícil identificar quais deles permanecem na íntegra e com o interesse no caráter informativo e de boa índole jornalística. Foi muito bom você levantar essa questão no seu blog. Parabéns...

Não noticia e nem vai. Não tão cedo, pelo menos. O que a gente pode fazer é guglavar o assunto, publicando por aí as palavras "veja" e "revista veja" com link pra matéria do Nassif. Com "veja", já tá em terceiro no oráculo.

Juliano, o exemplo do Nassif demonstra porque a economia informacional em rede, ao permitir que cada um se expresse e se articule com maior independência, é muito mais atraente que o modelo industrial do mass media.

Acredito que sempre haverá uma revista que esteja do lado do governo vigente e outra que não esteja. O exemplo de revistas como A Carta Capital ou Caros Amigos é muito simples... Eles sempre estiveram do lado do PT. Não digo que isso desqualifique sua qualidade editorial, mas prova que sempre haverá escolha de lados pelos grandes meios de comunicação.

A própria Veja, que agora é crítica ferrenha do governo Lula, já esteve do lado do governo em seu início. A Rede Record demitiu Boris Casoy por causa de um episódio de críticas ao governo. Apesar de reconhecer qualidades no governo atual ele não é perfeito e você pode ver que cada meio de comunicação reage diferentemente a escândalos e acertos do presidente.

O dossiê não vai chegar ao grande público porque ninguém quer se queimar e o mundo dá voltas. Se a IstoÉ publica o dossiê, depois vai ter problemas se precisar de informações da Veja. Até mesmo por isso ninguém briga com a Globo. Somente a Record, quando os evangélicos são atingidos por críticas da emissora carioca.

Mas como nós da Internet não temos compromisso com nenhum dos meios, ou dos governos (a ditadura acabou) podemos nos dar ao luxo de escrever sempre aquilo que consideramos a verdade e sofreremos represálias dos próprios blogueiros quando escrevemos algo que não agrade.

Pois é...

Eu sou assinante da Carta Capital e confesso que se não fosse por ela não teria ficado sabendo. A revista Caros Amigos parece ter feito uma longa entrevista com o Nassif e alguns trechos podem ser lidos no link : http://carosamigos.terra.com.br/
Quando conseguir ler a Caros Amigos posto mais alguma coisa...
Sobre o seu comentário, eu acho que tem um aspecto que é o seguinte; a chamada grande mídia consiste baicamente na Globo e em revistas e jornais do grupo Abril dos quais a VEJA faz parte, simples assim!

Dmitri. Acho que as críticas que podem ser feitas à VEJA se aplicam a diversas revistas, e o problema não é em adotar um lado. Isso é comum - talvez normal e esperado - a qualquer grupo de humanos.
O problema é não fazer isso às claras, como a Carta Capital fez, ou usar de expedientes obscuros, para ficar no eufemismo.

Repetindo o que eu disse no meu blog em SEO Combat: Dossiê Veja de Luís Nassif:

Sejamos honestos, qualquer discurso - seja numa conversa ao vivo, por telefone, por blog, na televisão ou impresso numa revista - tem o objetivo de manipular e convencer seu interlocutor. O que se espera é que essa influência seja feita de forma clara e dentro de limites éticos, sem o abuso do poder que a mídia tem.

Válido para qualquer veículo, não apenas a Veja.

'braços

Celso Bessa

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