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Conheça o que fazem e pensam alguns dos novos profissionais de comunicação do Brasil. Banco de opiniões sobre mídias sociais e assuntos correlatos. Olho mágico
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É bom a gente definir o que entende por jornalismo e blogagem
Submitted by juliano on 16 April, 2008 - 13:19.
Esses dias tive a oportunidade de conversar com o Renato Cruz, jornalista do Estadão e blogueiro. Aqui vão alguns fragmentos dessa conversa, que deveriam ter sido registrados na sequência e não vários dias depois. Falávamos sobre as diferenças entre blog e jornalismo - para variar. A conversa parece estar carecendo de definições. O que queremos dizer com jornalismo? Ele me explicou que se refere ao trabalho de produção de notícia, que envolve desde decidir pauta, apurar, ouvir as partes, buscando a isenção. (Nesse sentido, o chamado jornalismo participativo se resume ao que já acontecia antes por telefone, fax e carta: a pessoa (fonte) dá a informação ao meio que trata de filtrá-la para colocar o 'de acordo' e divulgar - ou não. Assim fica economicamente inviável para um blogueiro fazer jornalismo; não dá para competir com uma indústria. Mas concordo com outras pessoas que consideram essa fronteira flexível e que pode-se considerar jornalismo outras formas de atuação na rede.) Volto à conversa com o Renato. Para ele, blogar é comentar, é opinar. E me ocorreu na hora: é o que o jornalista faz quando ascende na carreira. Nassif, PHA, Clóvis Rossi, Gilberto Dimenstein fazem isso, comentam. Talvez, na indústria informacional, o espaço fosse restrito a ponto de criar o filtro: apenas os melhores(?) sobrevivem, chegam a isso. O Renato falou também de como o jornalista, treinado para se destacar do texto, se esconder, trava quando é convidado a escrever mais relaxadamente, usando outro modelo, opinando, comentando. O treinamento, ele falou, e a prática também, inibem isso. (Daí eu comecei a filmar com a câmera do telefone. A conversa estava boníssima e eu queria exemplificar o valor e a vantagem de se usar essa oportunidade de registro. Mas outras pessoas foram aparecendo, interagindo com a gente, falando um monte de coisas. Não seria justo com elas publicar o conteúdo sem edição e sem concentimento. E não vou ter tempo de fazer isso, pelo menos agora.) Por isso vou registrar mais uma coisa que o Renato disse e que é um ponto importante nesse assunto. Perguntei o que o jornalista podia aprender com os blogs e ele disse: a linkar. Me lembrei de um post anterior sobre a paranóia do esquema tradicional de não citar a concorrência. Pensei também nas vezes que histórias do vivasp.com viraram pauta no Estadão - que justamente é parceiro do vivasp.com - sendo que o site não foi creditado. Um amigo jornalista, analista sensato, Edu Acquarone, me explicou na época que o vivasp.com não ser creditado na matéria também faz parte da comunicação. Ele disse que a informação circula, jornais do interior pautam os da capital, e citar a fonte é uma coisa que acontece quando a notícia precisa de respaudo. "O jornal tal informou que..." Esse é um dos motivos. Existem outros. Os blogs também vivem essa questão: já ouvi blogueiro puto com outro, que pegou a informação sem creditar. Também tem um tipo de blogagem copy-paste, que reproduz o post e apenas indica a fonte no final. Mas o ponto do Renato é que ele vê um valor nessa dinâmica, de se construir textos a partir de conversas. Isso foi o que eu entendi. Que voce cita o tempo todo linkando, e assim vai remixando a informação com pitadas de comentário, análise e informação. Eu queria ter feito, talvez, posts menores, cada um com um assunto, e não esse amontoado. Mas falta tempo para processar, cuidar da forma, infelizmente. |
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Quando o Renato Cruz define
Quando o Renato Cruz define que blogar é opinar, entendo que isso seja um ponto de vista possível, mas não concordo totalmente.
Se lembro bem das aulas do Professor Chaparro, de gêneros do jornalismo (ECA-USP), o que os blogueiros normalmente fazem, ao trabalhar com opinião, é exercer um dos gêneros de jornalismo. Há vários, uns mais bem representados por eles (nós?), outros muito menos. No gênero de reportagem, por exemplo, atualmente ele é como uma boca banguela, tem um dente aqui, outro acolá (gosto do jeito de dizer isso em inglês, few and far between), pelo menos no Brasil (e por enquanto).
Porém, concordo que jornalista normalmente não sabe dar links. Talvez porque hipertexto *ainda* não seja um gênero jornalístico...
Eu estou esperando o vídeo
Eu estou esperando o vídeo (se é preciso, tem meu consentimento para publicar o que conversávamos). Estou curiosa, a conversa deixou uma impressão de divertida anarquia, com os papos se misturando.
Lembro-me de ter dito a certa altura, para a câmera do seu celular, que blog era uma ferramenta de publicação, muito simples, por sinal, mas não lembro qual era a pergunta.
Fiquei intrigada com essa falha de memória: como fomos parar nesse papo-aranha?
Blog, afinal, é isso mesmo, uma ferramenta. O que poderia dar a entender, então, que blogueiro é o cara que usa a ferramenta. Ou é o cara que fala sobre blogosfera e vai ao newscamp? E o jornalista famoso que assina uma coluna on-line e se diz blogueiro, como fica? Qual seria a pergunta?
Juliano, entendo muito bem o
Juliano, entendo muito bem o que o Renato disse sobre o jornalista travar. Lembro de uma pegadinha que uma professora fez na faculdade e que pegou todo mundo de calça curta. Ela deu uma poesia e pediu para que transformássemos aquilo em uma notícia à Notícias Populares. Todo mundo preparadinho para escrever textos sérios, apurados ao extremo, com regras de um texto sério. Quando o pessoal precisou se soltar e escrever com liberdade, rodaram. É bem isso que vive o jornalista hoje em dia. E acho que é aí que podem aprender com os blogs. Aprender a se soltar, a contar histórias e não se prender ao jornalismo tradicional e quadrado. Eu mesmo confesso que tenho muita dificuldade de escrever textos mais leves para a revista em que trabalho. Sofro pra fazer uma piadinha, uma brincadeira, uma analogia diferente. E isso, convenhamos, os blogueiros conseguem fazer bem. Além de "linkar", é claro.
A imprensa também tem uma imensa dificuldade de "linkar" por puro egoísmo. Nos Estados Unidos é bastante comum a citação de um veículo X por conta de uma matéria que está repercutindo um fato. Aqui, para um veículo citar o outro é um parto, a não ser que a notícia seja muito bombástica e exclusiva de um único veículo.
Na outra ponta, creio que os blogueiros, até pela independência que têm, poderiam aproveitar melhor para dar pitacos mesmo, analisar situações. Vejo muita reprodução da mídia tradicional pura e simples, com uma ou outra piadinha e mudança na forma de escrever (mais leve).
Por incrível que pareça,
Por incrível que pareça, Ju, eu, que defendo textos curtos na web, li esse teu post com gosto. Está mesmo boa essa conversa de vocês. Quem dera eu ter participado...
Embora eu fuja dessa birrinha entre jornalistas e blogueiros, preciso admitir que sou uma jornalista E blogueira. Então não posso passar incólume por esse debate e concordo com o Renato quando ele diz que o que "jornalístico" de um blog é definido pelo que está por trás do conteúdo - qual o PROCESSO que deu origem a essa informação?
É copy-paste? É citação comentada? É achismo? É informação ponderada? Foi checado, editado e tem o respaldo de uma EQUIPE?...
Pois é... Pode até haver blogs coletivos, mas em geral o exercício da blogagem é bastante individualizado. E não consigo imaginar o jornalismo como uma prática individual. A equipe serve até para checar uma informação.
Com isso digo que, apesar de ser jornalista, meu blog NÃO É jornalístico. O que faço se encaixa bem com o que comentastes: "Que voce cita o tempo todo linkando, e assim vai remixando a informação com pitadas de comentário, análise e informação."
Que achas de incluirmos esse tema num evento de debate - como esses "camp" -, mas DEIXAR DE FORA assuntos chatos e repetitivos como monetização e consultoria de blogs? Uma coisa com foco em JORNALISMO?
O que tem me decepcionado DEMAIS é que as discussões nascem com o propósito de falarmos de jornalismo e SEMPRE desbancam para a blogosfera, sendo DOMINADA por esse segundo tema. Como se blogs substituíssem o jornalismo. E - pior - como se ambos não pudessem conviver harmoniosamente.
beijos
Juliano, Acabei comentando
Juliano,
Acabei comentando lá no meu blog.
Abraço
Ana, é bem verdade. Depois
Ana, é bem verdade. Depois da newscamp ainda conversei bastante com a Ceila sobre o formato e critiquei o fato de sempre cairmos na discussão de blogosfera e monetização. Isso me irrita muito porque muda completamente o foco. Mesmo quando demos início aos trabalhos para falar sobre a integração das redações on e offline, alguém sempre voltava a falar de blogs. Enfim, apoiada nessa discussão sobre jornalismo.
Oi Ju, peço desculpas por
Oi Ju, peço desculpas por invadir a conversa gravada e adoraria ver aquela anarquia na rede pq ainda vivemos este processo mesmo. Bem, eu concordo muito com Renato em relação ao processo de dar links como uma analogia de dar créditos na imprensa. Uma diferença crucial nessa analogia é que numa reportagem, os créditos ás vezes somem não só pq naquele momento torna-se irrelevante, mas principalmente em função da narrativa do repórter se transformar a partir da apuração e vc não ter idéia a quem atribuir aquele crédito. No mundo online, a reportagem, o post ou uma notícia ganha transparência por meio dos links e os créditos tornam-se mais claros permitindo que o internauta navegue pela construção daquela reportagem. acho que a mudança de cultura de deixar de ser cabeça de papel para se tornar conectado está justamente nisso. é uma mudança não só de hábitos, masde fazer o mesmo jornalismo de forma mais transparente, clara e rica
celia, entao voce tá
celia, entao voce tá dizendo que não percebe diferenças entre blogar e fazer notícia, correto? o blog é plataforma. voce faz o que quer. acho que da mesma maneira - como o renato targa falou - como existe mais no trabalho do jornalista que produzir notícia.
pelo contrário, juliano:
pelo contrário, juliano: blogar e fazer notícias é bastante diferente. o que quis dizer é que as plataformas online exigem do jornalista um processo transparente - diferente da dinâmica atual do jornalista de papel.
mas só pra completar : blog
mas só pra completar : blog é uma plataforma e se blogueiro tiver dispostos a fazer aquilo que o jornalista ainda não sabe fazer, ele vai conseguir construir uma reportagem a partir da conversa. é isso aí!
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