Brincando de Roberto Marinho (ou "Sejamos imperialistas! Cadê?")
Esses dias, participei de um evento apresentado pelo Marcelo Tas e ele falou sobre como a internet, para ele, é como brincar de Roberto Marinho. Ele falou isso se referindo a como, quando ele começou a trabalhar com comunicação, era complicado e caro falar com audiências.
Depois de todo o buzz da Web 2.0 se espalhar pelo mundo, é até chavão dizer que a internet abriu oportunidades infinitas, revolucionárias. Mas o Tas falava de como isso ainda é pouco explorado e de como existem possibilidades de combinar serviços gratúitos para testar os limites dessa plataforma.
Estou dizendo isso para convidar quem quiser / se interessar para brincar de Roberto Marinho de uma maneira diferente, que está saindo do forno do nosso Talk Labs e que se chama Talk Show. A brincadeira consiste em participar de uma conversa em rede, descentralizada e auto-organizada, realizada a partir de um streaming de audio.
E o que é "isso"?
O empolgante do projeto é que é difícil classificar esse modelo. O mais perto que chegamos foi chamar de rádio 2.0, mas ainda assim esse nome pode confundir porque o resultado é radicalmente diferente do rádio. Pode ser ainda um podcast interativo ou, sei lá, twitcast?
Enfim, o Talk Show é um hack a partir de quatro serviços: Skype, Ustream, Twitter e podcast. O propósito é produzir, disseminar e promover debates relevantes sobre comunicação em rede. O efeito é meio conversa de bar, meio curso/palestra, meio entrevista. É ainda o vislumbre de como será o futuro (próximo) da comunicação, quando qualquer um pode brincar de Roberto Marinho.
Nunca foi tão fácil e barato conversar diretamente com audiências. E do que estamos falando? Não é TV, nem rádio, nem email, nem Web, nem telefone. É tudo isso junto e é uma coisa nova.
Social, descentralizado
É social, produzido e transmitido socialmente. Cada nó da rede pode ser um ponto de re-transmissão e também um interlocutor.
É descentralizado: duas vozes não restringem o debate, ao contrário, elas promovem o debate, elas suscitam encontros e trocas de idéias entre nós desconectados, elas multiplicam o poder da rede.
Não acontece sem a rede, a rede amplifica, filtra e enriquece o sinal.
Quem conduz um dos canais de conversa não controla o fluxo de informação. A audiência não pede autorização, ela conversa entre si, ela depende de mim tanto quanto eu dela.
Entrevistador, entrevistado e audiência têm papéis mais flexíveis, flúidos. Quem conduz na verdade participa da conversa, é referência para quem quiser, e é dispensável também, ele termina, a conversa continua.




