Blogs de aluguel: Opinião do Edney Souza

1) Não foi conteúdo publieditorial porque nesse caso ninguém foi pago, mas para mim conteúdo publieditorial geralmente funciona como marketing de interrupção, o blogueiro vem desenvolvendo uma conversação com o leitor e de repente essa conversa é interrompida por um informe publicitário, vai de cada blogueiro saber administrar isso assim como a tv administra o intervalo entre blocos de programa para prender o telespectador.

2) Blogueiro não é jornalista, blogueiro não é publicitário, blogueiro não é consumidor, é um pouco de tudo isso junto. Sou a favor de criar experiências que o blogueiro possa dividir com o seu público, se o blogueiro ao compartilhar a experiência for transparente sobre todas as regalias que recebeu cabe ao leitor avaliar o quanto esses brindes influenciaram o teor do texto. Acredito que o mercado se auto-regulamentará e leitores abandonarão aqueles que vendem suas opiniões, assim como tem abandonado os veículos tradicionais.

Sobre a confusão em geral tenho algumas notas:

1) Veiculos tradicionais de comunicação separam as pessoas que 'se vendem' das que escrevem e aqueles que escrevem se iludem achando que são 100% éticos e transparentes quando na verdade não são, o veículo recebe muitas vezes regalias que ele desconhece e o teor da publicação fica comprometido de qualquer maneira.

2) Aluguel subentende pagamento, escrever de forma adequada e assertiva pressupõe-se que seja uma qualidade importante no jornalismo, se o Bluebus se preocupasse mais com a qualidade dos seus textos não teria de se explicar tanto nem geraria tanta polêmica desnecessária.

voce acha que a postura do bluebus pode ter a ver com uma tensão entre
mídia tradicional e nova mídia, um "ciúme" por ter sido preterido (ou
estar sendo preterido) como veículo de promoção?

Em geral blogueiros recebem esses mimos, convites, brindes ou pequenas receitas publicitárias como renda complementar; já a mídia tradicional tem na publicidade seu principal sustento, uma vez que as receitas migrem de um lado para o outro a questão deixa de ser apenas ciúme e envolve sobrevivência. Não acompanho o bluebus o suficiente para ter uma idéia clara da sua postura, mas o texto daquela nota parece vindo de alguém incomodado com o que aconteceu, se é por idealismo, ciúmes ou problemas financeiros é uma resposta que só o Júlio Hungria pode dar.

O fato é que essas práticas (mimos, convites, brindes) sempre foram comuns na mídia tradicional mas não vinham à tona, já nas novas mídias essas práticas são tratadas de forma aberta e sincera. Essa mudança na transparência da comunicação horroriza os ingênuos e irrita os corruptos, e há ainda o pior dos tipos, aquele que não é corrupto nem ingênuo, mas fala da comunicação tradicional como se ela fosse um modelo de ética e transparência, esbanjando hipocrisia.

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