Blogs de aluguel: Opinião do Ricardo Cavallini

1) qual é a sua percepção sobre conteúdo publieditorial em blogs?

Acredito que boa parte da confusão em relação a este assunto vem da falta de definição do que estamos analisando.

Se estamos olhando do ponto de vista do consumidor, ele deve reclamar quando se sentir lesado e para isso tem meios, associações e a própria lei do consumidor para dar suporte. Nete aspecto, não faz a menor diferença se é pago ou não, se é publieditorial ou não, se é blog ou não.

Do ponto de vista do blogueiro, seria o mesmo que criticar artista por fazer propaganda. Se o blogueiro é um médico sendo pago para falar sobre remédio, o correto é dizer "médico anti-ético", não "blogueiro anti-ético".

Os posts do blogueiro são problema dele e de seus leitores. Se ele corre risco de perder a confiança ou a audiência, é problema dele ponderar e decidir. Quem pede norma de conduta para blogs é facista. Blog é uma ferramenta. Quem deve ter norma de conduta são profissionais, empresas e anunciantes. Blogueiro deve obedecer a lei civil e criminal.

Tudo muda de figura quando falamos do anunciante. Nosso mercado é pautado por leis e auto-regulamentação. Mesmo não citando nominalmente blogs e outras novidades, estas regras podem facilmente ser interpretadas para o ambiente novo. Letra miúda é letra miúda na TV, na revista ou na web. Mentir para o consumidor no call center não é diferente de mentir no PDV e assim por diante.

Nesta linha, tem publieditorial que eu apoio e publieditorial que eu abomino.

Por último, acredito que o papel da agência é oferecer a melhor ação para si e seus clientes (os anunciantes). Para tanto, não basta olhar para CPM ou click through, deve pensar também nas questões éticas e morais.

2) como voce percebeu a ação da coca cola de enviar o produto para blogueiros?

Não percebi postura errada por parte do anunciante. Enviou uma amostra para formadores de opinião. Isso é feito há séculos fora da Internet, inclusive na imprensa tradicional. A geladeira não é diferente de um jornalista que receba uma viagem para acompanhar o lançamento de produto no exterior.

Acho importante discutir este assunto, mas achei a crítica em torno deste case descabida. Se o blogueiro deixou claro que ganhou a geladeira, qual a diferença do site, jornal, revista ou emissora que insere merchandising e propaganda?

Podemos ficar todos sossegados, os jornalistas continuarão a ganhar suas geladeiras, viagens e amostras grátis e os blogueiros continuarão a ser vistos como penetras que vieram beber de graça nesta festa.

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