Ruffles quer ser anfitriã das conversas de seu público
Já escrevi sobre uma conversa importante que tive com a Thiane da Edelman no ano passado. Deve ter sido nessa ocasião que ela me contou, em off, sobre o projeto de lançar um blog para a batata Ruffles.
Registrei a informação e perguntei se já poderia publicar sobre esse assunto na entrevista que fiz com ela no começo do ano. Mas só agora o projeto está sendo anunciado.
A proposta é simples. Eles garimparam no Orkut e pela Web uma garotada ativa e que de certa forma é referência dentro de suas redes de relacionamento. Eles recebem uma mesada pra fazerem as coisas que gostam - sair, ir ao cinema, baladas, etc - e, em contra-partida, vão registrando suas experiências no blog. (Pelo menos a proposta era essa há um ano.)
Detalhe: nenhum deles deve falar da batata. O produto é apenas o anfitrião da conversa que, não por acaso, interessa justamente ao segmento visado para a promoção. E é isso o que deve atrair o olhar de quem já está saturado de propaganda e que desconfia das mensagens publicitárias convencionais.
Aqui, um parágrafo do release anunciando o lançamento do blog: O objetivo do Livre Expressão é de troca de idéias e conversação entre os jovens. Como uma ferramenta de relacionamento, o blog é um complemento às ações de marketing e comunicação de Ruffles. “O Livre Expressão é um novo canal de aproximação com o target da marca, um jeito inovador de ouvir nosso consumidor, que vai muito além do focus groups. Vamos entender o universo da marca por meio dos interesses, anseios, afinidades e projetos pessoais dos jovens”, comenta Carlos Ricardo, VP de Marketing da Pepsico.
Eu só olhei o blog por cima. E reconheço que fiquei incomodado com o estilo do texto que reproduz muito coloquialmente a fala, como se ele fosse uma conversa pelo MSN. (Mas eu não sou o alvo da promoção.)
Gostei demais do projeto justamente por ele não seguir o modismo do blog - como se fazer blog correspondesse a colocar a ferramenta no ar alimentada com conteúdo promocional falando mais ou menos explicitamente como aquele produto é o melhor.
Neste caso, quem fala não é o anunciante, ele se torna plataforma.
Minha admiração à Edelman, que insistiu e batalhou pela solução com cara de internet, buscando emplacar um caso para mostrar como fenômenos como Wikipedia e YouTube não acontecem por acaso.
Será que esta ação receberá prêmios em Cannes? Talvez não. Será que ela vai ser notada pela audiência? Provavelmente sim.
Vou fazer umas perguntas à Thiane sobre a experiência e na sequencia compartilho aqui.



Comments
Ju,
Tenho comentado bastante sobre este case quando quero exemplificar a questão da conversação que os blogs proporcionam.
Para mim, este é o ponto-chave e a melhor justificativa de porque investir verba de comunicação (e não necessariamente verba de "mídia".
Blog como plataforma, IMHO, é o caminho.
Abs
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