Conheça as idéias que nortearam a criação do blog da Ruffles
A Pepsico, empresa responsável pela marca de batatas Ruffle, lançou recentemente um blog para seu público principal, que são adolescentes. A Edelman assina o projeto que se diferencia por não tentar disfarçar uma mensagem publicitária tradicional na ação online.
Os autores do blog foram garimpados em sites de relacionamento como o Orkut por serem comunicativos e hubs de conversas dentro de suas comunidades. É um projeto ousado e relacionado a uma empresa conhecida mundialmente. É feito a base de conversas que não precisam fazer referência ao produto anfitrião - só por isso já merece distinção.
Assim que o projeto foi lançado mandei algumas perguntas para a Thiane Loureiro, da Edelman Digital, que me respondeu no começo deste mês dando informações sobre os bastidores da elaboração do projeto.
Por que demorou tanto tempo pra esse projeto sair da gaveta? Quais foram as dificuldades?
O blog foi lançado depois que todos estivessem preparados para isso: Pepsico, blogueiros e Edelman. Esperamos o layout estar redondo, levamos os meninos à fábrica, fizemos a integração entre eles com a ajuda de uma psicóloga, os aproximamos da Pepsico por meio de encontros para que eles entendessem melhor a marca e as expectativas em relação ao blog e colocamos no ar quando sentimos que todos estavam confiantes para isso.
Qual a atuação da equipe da Edelman no blog - vocês editam o conteúdo?
A Edelman mantem o blog. A equipe de Digital apresenta a blogosfera para os blogueiros, mostra a importância das ações dentro deste universo e mantém eles sempre informados sobre os acontecimentos desse mundo. Além disso, edita erros de português, orienta os meninos quando há dúvidas sobre o que escrever e identifica blogs para comentar e linkar, para que exista relacionamento em torno do blog com a própria blogosfera.
Qual é o prazo da promoção? Ela tem tempo para acabar?
Não há um prazo determinado para o projeto. A Pepsico está investindo nas mídias sociais e aposta bastante nesta ação. Além de contar com os meninos para teste de novos produtos, feedback sobre campanhas de marketing, etc.
O que vocês venderam para o cliente exatamente? Qual o produto? O conceito do projeto?
O público de Ruffles está na faixa dos 13 aos 20 anos. Ninguém melhor do que os próprios adolescentes para criar sinergia entre os consumidores e a marca. A idéia foi criar um blog para falar de igual para igual com essa faixa etária, compartilhar os mesmos anseios. O blog deve estabelecer uma comunicação sustentável com quem consome o produto.
Existe alguma restrição contratual em relação ao que pode ou nao ser falado no blog? Pode falar de sexo? Pode promover o anti-semitismo? Quem diz o que pode e não pode? O que acontece com quem desobedece?
Assuntos relacionados a política e temas delicados são tratados caso a caso. Não porque o blog é da Ruffles, mas porque em qualquer veículo de comunicação (e nós consideramos blogs uma plataforma de comunicação e relacionamento) as pessoas devem ter cuidado com o que dizem. Não recomendamos que ninguém -- seja num blog corporativo ou pessoal -- faça acusações ou aborde polêmicas sem embasamento para isso. A orientação é a mesma para os meninos.
Aconteceu algum trabalho de integrao entre os blogueiros? Eles sao estimulados a acompanhar os posts uns dos outros e conversar entre si? Ou cada um tem sua vida e seus interesses e o blog apenas a reunião dessas experiências individuais?
Sim, eles são estimulados a ler os posts um dos outros e fazerem coisas juntos. Mas as experiências individuais são importantes também. Eles são muito diferentes em seus interesses e quisemos isso para trazer diversidade ao blog.
Novos questionamentos
Aqui estão outras questões que apareceram depois de uma visita rápida ao blog.
Eu já tinha escrito antes e volto a registrar que os textos têm cara de comentários de Orkut, não tanto de posts de blogs.
Será que funciona ter o produto de um site de relacionamentos, que não é linear, organizado em sentido cronológico? Será que a ausência da coletividade orgânica das redes não fará com que os autores se sintam como se estivessem falando sozinhos?
Me pergunto ainda se os participantes vão conseguir manter a espontaneidade para escrever ou se o holofote desviará a atenção deles ou os deixará receosos de se exporem.



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