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Dreams from Obama - o que eu sei sobre o possível candidato democrata à presidência dos EUA
Submitted by juliano on 25 February, 2008 - 10:22.
Há uns dois ou três anos, ganhei de uma amiga negra americana o primeiro livro do atual senador Barack Obama. Mergulhei no livro, fascinado pela prosa ao mesmo tempo elegante e consistente, das melhores que eu já li em inglês, e também pela história desse homem, talvez futuro presidente dos Estados Unidos, com chances reais de ser eleito. A história do Obama parece ter fundido a cuca de todo mundo. Se você fechar os olhos e escutar ele falando, é um homem branco, educado nas universidades de elite dos Estados Unidos. E no contexto norte-americano, talvez ele esteja mais para branco do que para negro, porque sua mãe era branca do Sul e seu pai, negro africano, apenas viveu nos América nos anos de estudante. Daí você abre os olhos e vê que aquele homem carismático e refinado com as palavras é atualmente - corrijam-me se eu estiver enganado - o terceiro senador negro da história do Senado americano. Ou seja, ao longo da história do país, apenas três pessoas com ascendência africana conseguiram votos - acho que cada estado tem direito a dois senadores - para entrar ali como homens públicos a serviço dos cidadãos. A carreira de Obama tem alguma coisa de mágica, de mítica. A começar pelo fato dele começar com os pés no chão. Abriu mão da carreira de executivo para organizar movimentos populares em Chicago. Trabalho de formiguinha: conhecer pessoas, falar, escutar, marcar protestos, negociar com políticos, empresários. Daí ele vai pra Harvard estudar direito. É aluno do Lawrence Lessig, criador do Creative Commons, e se torna o primeiro negro a ocupar a carreira de presidente da Harvard Law Review, a prestigiosíssima revista de direito da Faculdade. É por causa disso que os olhos do páis começam a prestar atenção nele e isso lhe dá a oportunidade de escrever o Dreams of My Father. Depois a eleição para o Senado. Era sua primeira tentativa, era o azarão. Mas o favorito - estou escrevendo de memória - se envolveu em um escândalo, parece que ela um cara conservador, careta, e que, descobriram, tinha um relacionamento fora do casamento. Resultado: Obama eleito e, detalhe, com uma grande margem de votos entre brancos dos bairros de classe média alta de Chicado. Acho que aí começou-se a pensar na presidência. Um negro com essa capacidade de produzir consenso, de unir pessoas separadas pela história, esse é o cara, e ele vem se posicionando desde então como o político sem os vícios da carreira, do establishment do governo, formado em Harvard mas que não é um burocrata, pôs as mãos na massa, conhece gente. Que tal um presidente americano que não foi à África em visita oficial, mas tem família, irmãos, tios, vivendo lá, que foi como homem comum, foi a bares, visitou o túmulo da família? Que tal um presidente americano criado dos seis aos dez anos em uma vila da Indonésia, indo à escola local e sem privilégios como seus vizinhos, brincando pelo mato, explorando, pescando? Que tal um presidente americano que tenha aberto ao mundo sua história de vida, que inclui - sem que ninguém tenha perguntado - relatos de experimentação com drogas, mas que é fundamentalmente sua busca por identidade racial e pelo afeto de um pai herói que o abandonou e que ele só viu uma vez, rapidamente, aos dez anos? Parece quase bom demais para ser verdade: a grande potência mundial se unido inspirado por um negro, ou também negro, também branco, um cara culto mas que desceu do pedestal para mobilizar comunidades pobres, um americano que definitivamente não condiz com o perfil de americano alienado em relação ao mundo - aliás, uma pessoa que teve vivências no mundo islâmico - a Indonésia é o maior país muçulmano do mundo - e tem raízes na África. Parece um sonho. Será verdade? Ele será eleito? E sendo eleito, será que ele vai confirmar as expectativas? E que expectativas! Enfim, isso tudo não tem a ver com o assunto principal deste blog, mas senti vontade de escrever o que eu sei e sinto em relação ao Obama depois de ler um parágrafo da reportagem desta semana da Época sobre ele. Em seu primeiro livro, Dream from My Father, Obama trata dos anos difíceis que teve na adolescência e no começo da vida adulta para resolver seus problemas de identidade. Dividido entre ser umnegro que não compartilhava a cultura e a herança dos demais negros americanos e um garoto de classe média branca, o Obama descrito no livro é um adolescente revoltado e raivoso, que se entrega a uma vida de festas e drogas. Tudo muito diferente da imagem tranquila que transmite hoje. E também depois de ler uma reportegem do New York Times que termina com uma mulher falando sobre o fato de uma parte do eleitorado feminino nos Estados Unidos querer votar em Hilary Clinton só por ela ser mulher e o que ela pensa disso. Mary Liedtke, a defense lawyer in Eau Claire, Wis., said she had been a supporter of Mrs. Clinton. But in the final weeks of the Iowa caucus campaign, she said she had become inspired by Mr. Obama’s supporters. “Some elderly women I’ve heard say, ‘I want to see a woman president before I die,’ and I know that’s why some of them are supporting Hillary,” Ms. Liedtke said in an interview after seeing Mr. Obama last weekend in her town. “But you know what? That’s a selfish reason to vote for a president just because you want to see a woman before you die,” she added. “What about the kids coming up? I feel we should vote for the young people.” |
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pois é Juliano. E o pior é
pois é Juliano. E o pior é que já tem gente prevendo a morte dele. Vai entender, né.
oi claudia, talvez seja
oi claudia, talvez seja porque ele é muito comparado ao john kennedy. aparece um lider carismático, uma promessa de mudança, e o terror já se espalha.
Acompanhando este debate,
Acompanhando este debate, Juliano.
Criei um espaço específico para isso, na verdade um blog (finalmente!) sobre história (http://sobrehistoria.wordpress.com), onde possa ir reunindo fontes, pensamentos, conversas sobre passado e presente
(e futuro também, why not?).
Venha conhecer.
abço
Lilian
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