Por que algumas vezes a coisa flui e outras, trava?

Tenho sido convidado para falar, principalmente para estudantes universitários, particularmente para áreas da comunicação, sobre colaboração online. Acho que fiz minha melhor apresentação neste último sábado, no Seminário Tecnologias contectadas nas mídias sociais, promovido pela Faculdade Cásper Líbero.

Tem ocasiões em que a conversa dá certo. Isso acontece em parte por causa de treinamento, também por estado de espírito - se estou cansado, nervoso, ou tranquilo e concentrado. Mas tenho tido a impressão de que existe um elemento meio místico que também contribui. Veja se você concorda e observa isso na sua vida.

A pessoa ou as pessoas com quem eu interajo, mesmo quando elas não falam nada, mesmo se elas apenas escutam, influenciam o quanto a comunicação acontece. Se vou explicar um determinado assunto para duas pessoas, me expresso melhor quando a outra parece estar mais preparada para receber a informação.

Talvez isso nao tenha nada de místico. Talvez seja apenas uma leitura dos gestos e do olhar dos meus interlocutores. Se eles demonstram desinteresse, isso me trava. Se eles prestam atenção e ficam em silêncio, isso me tranquiliza. Pode ser.

O fato é que no Seminário eu me senti muito à vontade, fiquei satisfeito com a minha participação, e ainda tive a oportunidade de acompanhar a apresentação do André Avorio sobre coworking.

Obrigado à Cásper, ao Tiago Dória pela oportunidade. E também aos amigos que apareceram para prestigiar.




Comments

Atitude ativamente responsiva - esse é o nome que o Mikhail Bakhtindá a esse fenômeno: a percepção de que o sujeito ou a audiência com quem interagimos não está em condição de absoluta passividade, smplesmente decodificando e recebendo mecanicamente a mensagem que queremos transmitir. Ele está posicionando-se em relação a nossa fala, aprovando-a ou reprovando-a, fazendo associações com outras situações, preparando-se para responder (em voz alta ou silenciosamente). Então, dependendo dos sinais que recebemos da audiência podemos saber a receptividade ao que temos a dizer. Por que, afinal, não se trata de sujeitos sem referências anteriores ou descolados de suas experências pessoais, mas de uma situação em que esse "outro", que participa da conversa, pode alterar completamente o curso de nossa reflexão, muitas vezes nos levando a caminhos completamente inesperados, mais ricos ou menos ricos, mas sempre diferentes.

Juliano, com certeza a receptivade (ou não) do público influencia na maneira como você se expressa. É quase como um jogo de ping-pong, vai e volta rapidinho. Ainda mais em ambientes iluminados e próximos (fisicamente) como foi o caso da Cásper.

Estive lá e... parabéns! O seminário foi bem bacana.

Oi Juliano.
Estava na Cásper e realmente gostei de sua apresentação. Sou professora universitária da área de comunicação há 20 anos e aprendi muito neste Seminário. Faço parte de uma geração que está bem no meio de todo esse mega/hiper/super (como diria minha filhinha)avanço tecnológico. Mas tento, sempre que possível, correr atrás do prejuízo. Me identifiquei um pouco contigo, pois além de jornalista também sou historiadora. Bom, indiquei seu Blog em minha mala direta, depois te envio.
Abs; Marta.

Lilian, tuchê! Oi Marta, obrigado pela indicação e mantenha contato. MaWá, o interessante é que essa comunicação entre quem apresenta e a audiência costuma ser sutil, mas é declarada e pode ser sentida do primeiro instante, antes mesmo da apresentação começar.

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