Orkutizando Obama: que tal olhar pro nosso usuário?

Vivi de dentro campanhas eleitorais em 2008 (Kassab) e 2010 (Marina). E a pergunta continua no ar: quando a internet vai desafiar a lógica do dinheiro nas disputas pelo voto? Quando a mensagem do candidato associada ao poder de auto-organização da rede vai mudar o resultado de uma eleição majoritária no Brasil?

A minha hipótese é que isso ainda não aconteceu porque a internet se tornou um espaço de disputa entre as classes AB, que controlam a indústria, e os emergentes, que são a maioria e vêem a internet como grande aliada em seu processo de ascensão social. Agências e grandes produtores de conteúdo têm como Meca o Vale do Silício e tendem a desprezar e se envergonham da maneira como o Novo Usuário da Internet do Brasil (NUIB*) se comporta.

O problema disso é que são 70 milhões de NUIBs só na classe C contra 18 milhões dos usuários no segmento AB. Ou seja, enquanto esse eleitorado é mantido à distância (como uma espécie de "usuário de segunda categoria"), o candidato continuará precisando de dinheiro para fazer suas campanhas usando as chamadas "mídias clássicas", cuja industria está amadurecida para atender todos os segmentos de público.

Na última sexta fiz uma apresentação no Social Media Brasil, aqui em São Paulo, explicando por que prestar atenção nos usuários emergentes e fazendo algumas recomendações aos candidatos que queiram usar a internet como um canal mais eficiente para ativar seu eleitorado. O vídeo abaixo traz a "versão pocket" dessa palestra. Ou veja apenas os slides.

* O termo é meu, para facilitar a referência a este conjunto; baseado no já aceito "Nova Classe Média Brasileira".

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O gesto corajoso de Camila

Bonito o gesto da atriz Camila Pitanga, de quebrar o protocolo de uma cerimônia oficial para pedir à presidente Dilma que vete o Código Florestal aprovado pelo Congresso.

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Google Translator traduz "Videolog" por "YouTube"

Olha que coisa bizarra.

Vá ao Google Translator: http://translate.google.com.br.

Digite: "Eu assisto o Videolog".

A tradução para qualquer língua é: Eu assisto o YouTube.

Dá a entender que o Google interfere nas traduções sempre que o conteúdo fere seus interesses. (Se você não sabe, o Videolog é concorrente do YouTube.)

Isso é muito errado. Será que está dito nas letras miudas: "O Google se reserva ao direito de interferir no conteúdo das traduções"?

Me surpreende o jogo baixo. Isso se traduz em: "eu vou bater no carro do meu adversário para tira-lo da pista". Jura que é assim?

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Aprenda os segredos de "vlogar" pelo YouTube

Ainda tem algumas vagas para oficina que eu vou dar sobre técnicas e conceitos de produção de vídeo para o YouTube - é recompensa por apoiar esta proposta com R$200. Um amigo pediu para eu explicar de forma breve o que o projeto trata e quais seriam os potenciais interessados. Em uma casca de noz, pretendo mostrar que existe muita técnica na produção daquilo que a gente chama de "vídeo amador".

Essa técnica não aparece por dois motivos principais: 1) a gente está acostumado com ter a televisão como referência do que seja "técnico" e, portanto, profissional; e em muitos aspectos a TV é o que existe de mais diferente do vídeo para a internet; 2) essas técnicas novas pertencem ainda ao mundo da prática; ela não está formalizada, as pessoas adotam práticas imitando e fazendo experimentos. A seguir, um exemplo do conteúdo da oficina.

Será que a gente pode chamar de amador o trabalho de quem tem mais de duzentos vídeos publicados de forma constante ao longo de meses ou anos? Será que esse termo vale mesmo a pessoa tendo audiência de centenas de milhares (não estou exagerando) de seguidores? E se considerarmos de muitos desses vlogueiros tem interesse em fazer dinheiro com a sua produção de vídeos - eles continuam sendo amadores? A categoria caducou e precisa ser reinventada. A gente não enxerga essa técnica porque não tem palavras para descrevê-la.

Quem pode se interessar: Público em geral que tem interesse em aprender a vlogar (= blogar com vídeo). Também estudantes e profissionais da comunicação (jornalismo, publicidade, etc.), especialmente os envolvidos com comunicação digital. Importante: a participação terá mais resultado se a pessoa souber rudimentos da produção e edição de vídeos usando programas comuns como iMovie e Windows Movie Maker.

Dinâmica da oficina: A oficina será sobre esses assuntos, mas sempre com o componente de pensar a partir da experiência prática, vivida, experimentada. Vamos ver e comentar casos e ainda - muito importante - fazer, realizar, para sair da perspectiva de quem observa para a de quem faz. Serão duas tardes, muito provavelmente em dois sábados à tarde, para todo mundo estar mais sossegado da correria da semana.

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YouTube: #1 Segredo Revelado

Algumas pessoas que se interessaram por apoiar a minha proposta no Catarse, pediram para eu falar um pouco sobre o tema do meu mestrado. Fiz um videozinho novo dando um exemplo de como será a série. Para quem gostar, têm uma palestra e uma oficina como recompensas para apoiadores. É curtinho, dá uma olhada:

Faltam um pouco mais de uma semana para terminar a captação. E a meta é bater a meta! Toda ajuda será bem-vinda e há recompensas para quem doa a partir de R$ 15. E não deixe de passar a dica para quem você conhece que se interessa pelo assunto da comunicação por vídeo na internet!

PS. É justo você querer saber por que estou publicando esses videos no Vimeo se a pesquisa é sobre o YouTube. É que o Catarse pede que os vídeos apresentando as propostas sejam publicados no Vimeo, que tem menos propaganda. É isso.

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Estou passando o chapéu para fazer uma coisa muito bacana

Entre 2010 e 11 eu fiz uma pesquisa antropológica sobre o YouTube - saiba mais. Mesmo estando disponível para download, pouca gente pode aproveitar porque está escrita em inglês acadêmico.

Estou me propondo a transformar as partes mais interessantes e relevantes dessa pesquisa em uma série de vídeos a serem publicados no YouTube. Será uma tradução radical: do inglês para o português, do academiquês para a língua do dia a dia e do texto para o vídeo.

Para conseguir fazer isso, inscrevi esse projeto em um site de captação de recursos chamado Catarse. É fácil, seguro e você pode ajudar doando qualquer valor a partir de R$ 10. Outro resultado disso será uma oficina presencial de dois dias sobre esse assunto, aqui em São Paulo, para quarenta pessoas que doarem a partir de R$ 200.

Além de doar, vai ser muito útil ter a sua ajuda para divulgar estas informações para o seu círculo de amigos. E eu já agradeço pelo esforço!

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Os segredos do YouTube: série de vídeos e oficina

Entre 2010 e 11 eu mergulhei como antropólogo no dia a dia das pessoas comuns que se comunicam via vídeos publicados no YouTube e isso rendeu uma pesquisa de mestrado.

Na pesquisa antropológica a gente tenta se transforma naquilo que está estudando e não apenas observa de longe. A meta é entender as lógicas internas da cultura do outro.

Olhando o mundo a partir do YouTube, fiquei surpreso com a falta de entendimento que as pessoas de fora têm sobre esse ambiente de comunicação.

Conceitos como o que é "amador" e "profissional" ou "privado" e "público" deixam de fazer sentido no YouTube. Por exemplo: uma pessoa pode ser famosa no YouTube e continuar anônima. Os vídeos que ela faz atraem centenas de milhares de visualizações, mas a gente diz que são "amadores".

O grande segredo de quem adotou o YouTube como plataforma para falar com o mundo é que existe, sim, uma técnica para a produção de vídeos de sucesso. Mas ela está tão fora do nosso campo de visão sobre o que um vídeo deva ser que só aprende quem se envolve com isso.

Já ouvi muita gente se queixar do mundo acadêmico, de como a contribuição científica, especificamente nas ciências humanas, dificilmente chega para a sociedade. Eu também fico puto com isso. Depois de por tanta energia pesquisando, o trabalho recebe uma nota e pronto.

- Parabéns, você está aprovado...

Não quero que seja dessa forma. A pesquisa já está feita. Com um pouco mais de trabalho ela sairá dessa casca de palavras difíceis para ficar muito mais acessível. E você pode ajudar isso a acontecer.

A minha meta é trabalhar um mês transformando os principais insights da minha pesquisa sobre o YouTube em vídeos a serem publicados no próprio YouTube. E pelo site Catarse, esse esforço pode ser compartilhado entre muitas pessoas.

O vídeo lá em cima explica tudo isso direito. O ponto é que com muitas pessoas oferecendo um pouquinho este projeto vai levantar vôo. E quem quiser ter esse conhecimento ao vivo e a cores em uma oficina presencial, é só doar a partir de R$ 200. Mas nesse caso as vagas são limitadas.

Vamos?

Informação complementar:

O programa de mestrado que eu fiz de chama Antropologia Digital - link.

Você pode baixar a minha pesquisa em PDF nesta página.

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A Enciclopédia da Nuvem de Luli Radfahrer

O Luli é um dos poucos que vai além do óbvio na hora de falar de internet e comunicação digital.

Ele é também um cara na academia que não se contenta em conversar com seus pares; ele sempre buscou se comunicar com o grande público.

Temos aí uma boa mistura: ele tem conteúdo e busca incrementar o conhecimento da sociedade sobre um assunto importante como é a comunicação depois da rede.

Esse livro novo dele é, em certo sentido, um filho autêntico da rede. O mundo online adora listas e esta é uma listona. (Lançamento em SP: segunda, 9 de maio.)

Sua grande contribuição é organizar o assunto. Você quer saber como a computação em núvem pode te ajudar nos mais diversos âmbitos. Lá você encontra vários caminhos a seguir.

Não precisa ser futurologista para saber que este livro será um grande sucesso. Merecido. A importância da internet na vida do brasileiro ainda está subrepresentada nas prateleiras das livrarias.

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Wikipédia: um mundo dentro do mundo e as tensões para que ele exista

A Wikipédia é um mundo à parte, dada a complexidade da operação e o fato de esse projeto acontecer prioritariamente pela participação de voluntários. Só quem chega perto percebe isso de verdade.

Quantas pessoas refletem, ao acessar um artigo dessa enciclopédia, sobre a teia de negociações e de esforços que está por trás de sua existência? E quantos se dão ao trabalho de imaginar quem são os protagonistas desse projeto? Como a gente imagina que eles sejam e como eles são de verdade?

Pedi para entrevistar a Jurema por ela não se encaixar na imagem desse internauta típico e estereotipado a quem creditamos muito do que acontece nos bastidores da internet. Mas o assunto principal da nossa conversa foi a polarização dos wikipedistas entre aqueles que defendem filtros rigorosos para a entrada de conteúdo e os opositores a essa visão que denunciam uma postura anti-democrática e até racista na lógica usada para aprovar ou apagar contribuições.

A entrevista aconteceu ao longo de um mês e consumiu mais de cinquenta emails trocados. Você pode escolher ir direto à íntegra da entrevista ou ler a síntese dos assuntos principais indicados pelos links neste texto.

Aproveito a ocasião para mencionar o nome de Pietro Roveri, um wikipedista engajado e com atuação intensa como participante da comunidade e estudioso do tema Wikipédia, que faleceu enquanto esta entrevista estava sendo produzida.

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Um outro sentido para relacionar "nuvem" com "Internet"

A metáfora da nuvem como o lugar onde se guarda informação fora da própria máquina não é óbvia.

Por que uma nuvem? Porque ela está sempre lá em cima, é "ubiqua"? Ou porque ela está carregada? É algo etéreo de onde se desprende coisas materais - assim como é simbolicamente etéreo esse lugar onde armazenamos as nossas coisas?

É essa não obviedade junto com a sugestividade que talvez tenha disseminado a noção de "nuvem" com esse sentido. Talvez usar esse termo entre não-iniciados provoque um sentimento de superioridade em quem consegue conectar os sentidos.

Mas estou falando de nuvem e internet porque me peguei agora fazendo uma relação nova entre internet e essa palavra. Faz duas horas que estou fazendo "coisas" na frente do computador. Estou encarando a tela, interpretando informação e interagindo, oferecendo algo de volta.

São duas horas em que aparentemente estou fora do meu corpo. Existo apenas como uma ideia tendo como o horizonte um monitor e, por controle remoto, aciono dedos para agirem sobre o teclado.

O que eu fiz? "Coisas". Coisas úteis, de certa forma, mas mais ou menos indefinidas. Um pouco de faxina, um pouco de leitura e armazenamento de coisas para "ver depois", enfim, nem saberia direito de bate pronto dizer o que foram essas coisas.

E a sensação foi essa: de estar diante de uma nuvem (metafórica) de insetos, que não terminam, que ficam circulando, que eu não sei bem o que são e que vou (passivamente?) catando com hashis e engarrafando. E lá se foram mais duas horas.

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